sexta-feira, 2 de maio de 2008

UNE é debatida em ato para homenagear Édson Luiz

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u387004.shtml

29/03/2008 - 10h21
UNE é debatida em ato para homenagear Édson Luiz
RAPHAEL GOMIDEda Folha de S.Paulo, no Rio
Na inauguração de escultura em homenagem aos 40 anos de morte do estudante Édson Luiz, ontem no Rio, houve um conflito velado de gerações. Vladimir Palmeira, um dos símbolos da resistência dos estudantes de 1968, decretou o fim do movimento estudantil hoje e ouviu a presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lúcia Stumpf, chamá-lo, por engano, de "Valter Pomar" (secretário de Relações Internacionais do PT). Para Lúcia, o movimento estudantil continua ativo, e "os desafios de hoje são tão grandes quanto aqueles [de 1968]".
Em vez dos 100 mil reunidos em passeata na Cinelândia, na sexta-feira (28) eram pouco mais de 200 os estudantes e integrantes da velha guarda presentes no ato, que seguiu em passeata por ruas do centro. O evento foi promovido pelo secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e teve a presença de Maria de Belém Souto Rocha, 84, mãe do estudante assassinado pela PM no restaurante Calabouço.
A Folha pediu a Palmeira que comparasse os dois momentos do movimento estudantil e apontasse diferenças. "O nosso existia. O nosso não era governista: existia. O do [José] Serra, antes do golpe era governista [aliado a João Goulart]", afirmou.
Lúcia Stumpf contestou: "O movimento está vivo e atuante. Saiu às ruas pelo fim da corrupção, pela reforma política, mas se divulgou pouco. Vivemos realidade diferente. Os estudantes estão trabalhando mais e têm menos tempo. O movimento estudantil existe e é tão forte quanto antes, representando muito mais gente, com desafios tão grandes quanto aqueles, mas hoje não somos os únicos porta-vozes", afirmou.
Palmeira afirmou que sua geração deixou como legado "a marca da rebeldia" e ajudou "a garantir o ensino público de qualidade". E prosseguiu: "O AI-5 não foi em função do movimento estudantil nem da luta armada, mas uma rearrumação da elite, um triunfo da linha dura. Não somos mais os mesmos nem temos as mesmas posições, mas somos a primeira geração que continuou na esquerda: progressista e crítica".
Falando sobre a morte de Édson Luiz, o ministro Vannuchi voltou a cobrar informações sobre desaparecidos e a abertura dos arquivos da ditadura das Forças Armadas --que militares dizem não existir.
"O Estado pede a narrativa da morte de Rubens Paiva, se foi jogado de helicóptero, no dia tal... Não podemos deixar o assunto morrer." Integrante da ALN (Ação Libertadora Nacional), Vanucchi ficou preso de 1971 a 1976 e diz ter sido torturado. "É fundamental não apagar 68 da memória", afirmou o ministro, que pretende inaugurar monumentos do gênero em outras cidades do país.
A convidada de honra do evento foi a mãe de Édson Luiz, Maria de Belém. Emocionada diante da placa contando o episódio da morte do filho, afirmou que o momento representava para ela "uma tristeza e uma felicidade".
"Lembro-me dele a todo momento, não me esqueço nunca de quando se despediu de mim, dizendo que vinha para cá vencer na vida para me ajudar. Tadinho, veio para cá para morrer. Ele lutou, era corajoso", disse a mãe de Édson Luiz.
Na placa que o homenageia, uma imprecisão: o cemitério São João Batista é chamado de cemitério "João Batista".

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