sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Mostra de Di Cavalcanti prossegue até dia 9 na UFPE

Mostra de Di Cavalcanti prossegue até dia 9 na UFPE

A mostra itinerante “Di Cavalcanti: Cronista de seu tempo” prossegue até o dia 9 de setembro, no Foyer Jandaia do Centro de Convenções da UFPE. Sob a curadoria do professor Fábio Magalhães, é a primeira vez que estas obras, cedidas do acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, circulam pelo País.

O público poderá apreciar 100 desenhos produzidos por Di Cavalcanti, entre 1921 e 1952, período próspero de sua criação. As obras expostas espelham temas recorrentes na obra do artista – caricaturas, cenas da vida noturna, carnaval, crítica social, retratos, cenas parisienses, tipos populares, figuras femininas, ilustrações e painéis para cenários de teatro –, além de trazer um pouco do dia-a-dia da época vivida pelo artista.

O ARTISTA - Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Mello, ou Di Cavalcanti é um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro. Um dos articuladores da Semana da Arte Moderna nasceu no Rio de Janeiro em 6 de setembro de 1897 e faleceu, na mesma cidade, em 26 de outubro de 1976.

O desenho foi atividade ininterrupta na vida do artista Di Cavalcanti. Desde seus primeiros traços, em 1914, desenhar ou pintar foi a forma que ele encontrou para estabelecer relações com as pessoas, com a vida, com seu tempo. Por isso muitos de seus desenhos foram feitos nos bares, nos prostíbulos e nas ruas.

Artista de traço rápido e econômico, isto é, de poucas linhas, Di Cavalcanti teve a capacidade de captar o espírito de sua época e registrar os aspectos essenciais dos tipos humanos, causando grande impacto nos leitores e repercutindo ruidosamente nos meios intelectuais e artísticos daqueles anos.

Através de suas ilustrações, caricaturas e charges, o artista criticou, quase sempre de modo bem-humorado, mas com fina ironia, os valores de uma burguesia urbana (carioca e paulista) que procurava imitar hábitos parisienses. Seu desenho sublinhou as enormes diferenças existentes entre os modos de vida da elite e do povo brasileiro. O olhar sensual, a abordagem cordial, a preferência por tipos mestiços fazem de Di Cavalcanti o “pintor mais brasileiro dos artistas”, como afirmou Mário Pedrosa.

Foi um extraordinário cronista de seu tempo. Cenas da vida noturna e de boemias, retratos dos amigos, Carnaval, tipos populares, cenas cariocas, prostíbulos são recorrentes na obra do artista e, claro, a figura feminina – seu tema predileto. “Eles (os artistas) não amam a vida. Amam a arte como um mito. E eu amo, sobretudo, a vida, esta vida que vem como os calores sexuais, de baixo para cima...” (carta de Di Cavalcanti para Mário de Andrade em 1930).

Boêmio, apaixonado pela vida noturna, estava sempre cercado de muitos amigos e de belas mulheres. Apesar desse seu feitio, Di Cavalcanti deixou uma obra vasta. Foi pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cenógrafo, muralista, escritor e poeta. O fato extraordinário é que ele soube combinar, e até mesmo associar, a boemia com o trabalho intelectual e artístico.

Mais informaçõesSuperintendência do Banco do Brasil em Pernambuco(81) 4009. 1358
www.bb.com.br/cultura

Com quantos milhões o PODER compra uma entidade estudantil?

Com quantos milhões o PODER compra uma entidade estudantil:

A) 2 MILHÕES
B) 3 MILHÕES
C) 4 MILHÕES
D) 10 MILHÕES
E) TODAS AS RESPOSTAS ANTERIORES

OBS: Quem não souber pode pedir ajuda aos universitários para a obtenção da resposta corretíssima.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Plano de Assistência Estudantil vai beneficiar alunos de origem humilde

29/08/2007 13:44
Plano de Assistência Estudantil vai beneficiar alunos de origem humilde

professora Rita de Cássia LopesAutor: Izabel Liviski
Está sendo aguardado com muita expectativa nas universidades federais o lançamento do Plano Nacional de Assistência Estudantil que o MEC fará no próximo dia seis de setembro.


É uma antiga reivindicação de todas as instituições de ensino superior para implantar projetos e reduzir a evasão escolar segundo a Assessoria de Assuntos Estudantis da UFPR, Rita de Cássia Lopes. O Plano Nacional de Assistência Estudantil deve liberar em 2007 de R$ 120 milhões para programas de moradia, alimentação, transportes e inclusão digital. O programa também prevê a criação de um fundo que destinará 10% do orçamento de custeio das instituições exclusivamente para financiar programas para estudantes de baixa renda. Até agora são as universidades que bancam os projetos com recursos próprios e não conseguem atender à demanda de todos os alunos que necessitam de apoio para concluir a graduação. Levantamento feito pelos integrantes do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE), 65% dos universitários precisam de algum tipo de ajuda para se manter na universidade e atualmente apenas 13% dos estudantes são atendidos. Muitos não conseguem se manter longe de casa, bancando alimentação, transporte e livros e são obrigados a deixar a graduação. ALUNOS CARENTES - O FONAPRACE realizou duas pesquisas para traçar o perfil dos estudantes que freqüentam as instituições federais brasileiras. O último estudo feito em 2004, mostrou que 43% dos universitários têm renda familiar de até R$ 927. Nessa época, foram avaliados 530 mil alunos. Pelo menos 227 mil deles eram candidatos em potencial aos programas de assistência estudantil. De acordo com os dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), o número de jovens de baixa renda é ainda maior. As respostas dos questionários socioeconômicos apontam que 30,1% dos universitários das instituições públicas possuem renda de até três salários mínimos. Ainda não foram definidos os critérios para a divisão dos recursos entre as instituições, mas é certo que será levado em conta o número de alunos e os programas de ações afirmativas, como o de cotas, por exemplo. INCLUSÃO DIGITAL - Um dos pontos fundamentais para o MEC é que as instituições promovam a inclusão digital dos estudantes de baixa renda. Por isso, o plano sugere que as universidades planejem a aquisição de equipamentos e a criação de cursos de capacitação na área de tecnologia para atender a esses alunos. As universidades poderão investir também em transporte para os estudantes de baixa renda. A idéia é evitar que os universitários deixem de freqüentar as aulas ou de realizar projetos de pesquisa porque não podem custear a locomoção de uma localidade para outra. Está previsto também o investimento em assistência de saúde. As instituições devem garantir aos alunos de baixa renda o acesso aos serviços de atendimento básico em ambulatórios. Isso inclui também assistência psicológica. Outros aspectos a serem contemplados são a cultura e o esporte. As instituições poderão, por exemplo, financiar apresentações teatrais e musicais, criar cineclubes e construir ou reformar quadras esportivas NOVO PROGRAMA DE BOLSAS - Outro projeto que será lançado dia seis de setembro é o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência que pretende complementar o Plano Nacional de Assistência Estudantil. Serão investidos outros R$ 72 milhões no projeto, que distribuirá 20 mil bolsas a estudantes de cursos de licenciatura. A idéia é estimular os jovens a concluir os cursos e aumentar a qualidade da formação profissional deles. Terão prioridade os alunos dos cursos nas áreas de física, química, biologia e ciências (áreas em que há mais carência de professores na rede pública), artes e música. Os bolsistas ganharão R$ 300 por mês e desenvolverão projetos para melhorar os indicadores de desempenho escolar de colégios das redes municipais e estaduais de ensino. NOVO IMPULSO – Para Rita de Cássia Lopes esse plano muda tudo e trás um novo alento para implantar projetos que beneficiem os alunos carentes. “Vamos poder planejar melhorias para os alunos em todos os aspectos”, destaca a professora. Hoje a UFPR banca 508 bolsas para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos. A expectativa agora é poder ampliar o número de bolsas e desenvolver novos programas. Para Rita, o fato da UFPR já ter as cotas raciais e sociais consolidadas é um grande ponto para que “estejamos incluídos entre as instituições com maior número de recursos." Além das bolsas, os alunos da UFPR contam com Restaurante Universitário e a instituição mantém ainda a Casa da Estudante onde moram mais de 100 jovens. ACS

FONTE: http://www.ufpr.br/adm/templates/index.php?template=2&Cod=3020

TESE DOS ANOS 1940: REESTRUTURAÇÃO DOS CURSOS DE ENGENHARIA

Acabamos de receber uma cópia de importante documento de 1947. Trata-se da Tese apresentada pelo então representante do Grêmio Politécnico da USP, José Thomaz Senise, apresentada no II Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia e Arquitetura (São Paulo, 1947). Intitulada "Reestruturação dos Cursos de Engenharia", tratou basicamente da existência do problema da reestruturação, da atuação dos estudantes, da atuação dos responsáveis pelo ensino e da posição assumida pelo Grêmio Politécnico.
A Tese começa assim:
"O ensino de Engenharia no Brasil atravessa uma fase crítica. Há anos vêm sendo nele apontados falhas graves, cuja eliminação tornou-se imperiosa. Foram feitas sugestões inúmeras para resolver o problema, apresentaram-se teses em Congressos de Engenheiros e de estudantes, mas o problema perdura"

SEMINÁRIO COMEMORATIVO DOS VINTE ANOS DO PROEDES

(Um evento sem dúvida imperdível. Os interessados também poderão conhecer e ao mesmo tempo contribuir com a coleção do PROEDES/UFRJ intitulada Arquivo "UNE e Movimento Estudantil" (http://www.proedes.fe.ufrj.br/arquivo/une.htm)




SEMINÁRIO COMEMORATIVO DOS VINTE ANOS DO PROEDES
13 e 14 de setembro de 2007
Salão Moniz de Aragão – Forum de Ciência e Cultura / UFRJ


PROGRAMAÇÃO
13 de setembro / quinta-feira
9 às 10 horas: Abertura.

10 às 12:30 h. O Proedes: Centro de Memória e Documentação
Jayme Antunes (Arquivo Nacional) – Importância da preservação da memória nacional.
Maria de Lourdes de Albuquerque Fávero – O Proedes: origens, construção e desenvolvimento.
Helena Ibiapina Lima - O Proedes e a organização arquivística de seus acervos
Coordenação: Antonio Flávio Barbosa Moreira (UCP / UERJ)

14 às 16:30 h. A imprensa pedagógica e o estudo da história da educação.
Ana Lúcia Cunha Fernandes: O impresso e a circulação de saberes pedagógicos;
Miriam Waidenfeld Chaves: História de uma escola escrita por seus alunos e professores
Jader Medeiros de Brito - A Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos: espelho da ação do INEP
Coordenadora: Ana Magaldi (FE- UERJ)

16:30 às 19:00 h. A formação de pesquisadores no Proedes: depoimentos
Cláudia Araújo dos Santos Bayerl
Jucinato de Sequeira Marques
Coordenadora: Ana Waleska Mendonça (PUC-Rio)

14 de setembro / sexta-feira

9:30 às 12:00 h. : Limites e potencialidades da pesquisa em História da Educação
Paulo Roberto Elian (Casa de Oswaldo Cruz) Políticas e Práticas de preservação Documental no Brasil;
Luiz Antonio Cunha (FE-UFRJ) Diálogos entre a sociologia e a história na pesquisa em educação.
Luiz Antonio de Castro Santos (IMS-UERJ): Educação e saúde na historiografia brasileira
Libânia Xavier - Preservação documental e história da educação;
Coordenadora: Cláudia Alves (FE-UFF)

14 às 16:30 h.: Pesquisa em História da Educação e Fontes documentais
Irma Rizzini : Internatos para a infância no Brasil: o que dizem as fontes ;
Sônia Lopes : História e Memória de uma instituição de formação de professores: o Instituto de Educação (1930-1940)
Ana Canen : Pesquisa e formação de professores:uma visão multicultural
Coordenadora: Ana Maria Monteiro (FE-UFRJ)

17:00 h. Coquetel
local: Sala Anísio Teixeira / Faculdade de Educação

MAIORES INFORMAÇÕES:
PROGRAMA DE ESTUDOS E DOCUMENTAÇÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
Av. Pasteur, 250 ( Fundos) Prédio Anexo à Faculdade de Educação – salas 102. e 103
http://www.proedes.fe.ufrj.br/

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

RELEASE DO LANÇAMENTO DO LIVRO (LIVRARIA CULTURA)

RELEASE DO LANÇAMENTO DO LIVRO "MOVIMENTO ESTUDANTIL BRASILEIRO E A EDUCAÇÃO SUPERIOR" NA LIVRARIA CULTURA, RECIFE, 16 DE AGOSTO DE 2007.


O Projeto "A Engenharia Nacional, os Estudantes e a Educação Superior: A Memória Reabilitada" agradece a todos os que compareceram ao lançamento do livro MOVIMENTO ESTUDANTIL BRASILEIRO E A EDUCAÇÃO SUPERIOR (Organizado por Michel Zaidan Filho e Otávio Luiz Machado) na Livraria Cultura de Recife. Até o próximo lançamento, que será realizado em solenidades de diversas universidades. A UFPE nos convidou para um outro lançamento, sobretudo com um debate envolvendo os estudantes.

REPRESENTANTES NO LANÇAMENTO:

Da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): Magnífico Reitor da UFPE, o Professor Amaro Lins

Do Governo do Estado de Pernambuco: Secretário de Estado da Juventude, o Doutor Pedro Mendes

Dos Ex-Estudantes Homenageados: Doutor Fúlvio Petracco (ex-Presidente do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia da UFRGS e Ex-Presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Rio Grande do Sul)

Da Câmara Municipal de Olinda: Vereador Marcelo Santa Cruz

Dos Estudantes da UFPE: Carlos Daniel A. Gallindo

Dos Interlocutores do Projeto: Dr. Telga Araujo

A FALA DOS ORGANIZADORES ( MICHEL ZAIDAN FILHO E OTÁVIO LUIZMACHADO)

A abertura da solenidade ficou a cargo do Professor Michel Zaidan Filho, que explanou em sua fala o retorno do movimento estudantil sob outras bases. Mas fez uma ressalva quanto ao extremismo da partidarização e da função meramente de correia de transmissão de partidos políticos, o que segundo ele sempre acaba provocando uma rejeição grande na sociedade e no meio estudantil quanto ao movimento estudantil, além de contribuir para a destruição das entidades. Ou simplesmente o seu esvaziamento. Embora o trabalho tenha como foco os anos 50, 60 e 70, um período de uma produção de lideranças importantes para o país, Zaidan demonstrou estar otimista com o atual movimento estudantil: "acho que o movimento estudantil é um meio através do qual se revelam vocações e lideranças muito importantes para o país". Em nome da organização do livro e do Projeto, Zaidan comentou sobre o trabalho árduo dos envolvidos com o projeto, assim como o apoio fundamental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ambas situações responsáveis pelo pleno desenvolvimento de todas as atividades. Zaidan afirmou que o livro ora lançado acabou sendo uma contribuição da universidade para dar destaque a todo um trabalho desenvolvido pelos jovens das gerações 1950, 1960 e 1970 no Brasil:


"Acho que nós devíamos esse trabalho à geração dos anos 50, 60 e 70 que ajudou a democratizar a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e também a democratizar a própria sociedade brasileira. Nós tínhamos uma dívida muito grande com essa geração".


Zaidan também apresentou a contribuição do projeto à própria universidade brasileira:
"A idéia era correlacionar o resgate da memória dessa geração com uma discussão em torno da universidade pública, porque a universidade pública não é apenas uma construção institucional das autoridades governamentais, dos seus administradores e do seu corpo docente. Ela é uma construção coletiva que deve muito ao movimento estudantil. Então essa contribuição tinha que se ser salva do esquecimento".
Por fim, Zaidan disse emocionado que o próprio livro acabou sendo também uma homenagem às gerações passadas que lutaram por mudanças decisivas na universidade e na sociedade:
"O principal objetivo do livro é prestar este tributo a essas gerações. A luta delas não foi em vão. E o papel dos historiadores é o de disponibilizar para o presente este legado. Esse é o papel do historiador. O historiador que não cumpre esse papel ele trai a memória. Nós temos essa obrigação de ser os mensageiros desse legado, para que aquilo que aconteceu uma vez na história não se perca e possa ser resgatado e possa se transformado em seiva viva do presente".
A fala de Otávio Luiz Machado, também marcada pela demonstração de que um trabalho de tal natureza deve se pautar pelo mais alto espírito público, foi iniciada por uma série de agradecimentos a todas as pessoas e instituições que permitiram a realização do primeiro livro projeto. Otávio não quis se debruçar apenas às entidades e órgãos que apoiaram o projeto, mas aos depoentes, interlocutores e familiares dos depoentes. "É um trabalho no qual precisamos acreditar na pessoa humana". Mas foi além: "sem confiança as pessoas não falam, sem confiança as pessoas não doam documentos, sem confiança as instituições não apóiam".O início do projeto também foi mencionado, sobretudo com o apoio da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). E os bons frutos do projeto apresentados no momento atual só foi possível por vários razões. Uma delas foi lembrado por Otávio referindo-se à fala do Doutor Genival Barbosa Guimarães no último evento do Projeto. Para Genival, o encontro de um mineiro (Otávio) e de um Pernambuco (Zaidan) resultou numa parceria vitoriosa e produtiva. "Minas Gerais está sempre nos dando pessoas que vem para cá se juntar com os nossos", emendou Genival. Otávio ainda falou da pretensão do projeto de tratar da história dos estudantes de Engenharia de cerca de 20 instituições de educação superior do Brasil. Mas convocou novamente a todos para que a chama do projeto não se apague:
"Acreditamos que ninguém consegue construir um trabalho de tal magnitude sem a sensibilidade, sem a participação e sem a presença e a troca de idéias de muitas pessoas e instituições".
E falou da fase atual do projeto: "Acredito que o projeto está num estágio muito bom, pois está sendo difundido no Brasil inteiro". No decorrer da solenidade Otávio falou de uma das entrevistas que deu a uma rádio falando sobre o desenvolvimento de um projeto sobre a formação cidadã de crianças e jovens: "Um país que não acredita na sua juventude, um país que não aposta nas idéias, nas informações e nas ações de sua juventude continuará subdesenvolvimento eternamente".
E ainda falou da próxima coletânea intitulada "Juventude e Movimento Estudantil: ontem e hoje", que o projeto ainda organiza. Foi citada uma parte da entrevista do advogado Modesto daSilveira (um dos maiores defensores de presos políticos do Brasil) que estará publicada em tal coletânea:
"A resistência da nossa juventude universitária contra a ditadura foi fundamental para o estabelecimento do processo, que já ia se democratizando. Alguns pagaram com a vida, muitos com a integridade física, milhares com a perda da liberdade; mas, sem a participação desses jovens idealistas a ditadura teria sangrado o Brasil por muitos anos mais".
Otávio ainda garantiu que nas próximas versões do cd estarão sendo inseridos livros completos para o conhecimento dos interessados, levando-se em consideração o acesso difícil a tais publicações. Citou dois livros em especial:

1) "História da UNE" (organizado por Nilton Santos);

2) "Memorex: elementos para uma história da UNE" (organizado por Marianna Monteiro e Ary Costa Pinto).

Ao final da solenidade, em conversas com algumas pessoas que ainda ficaram no recinto, Otávio Luiz Machado confidenciou: "Não podemos deixar de contribuir com a história do movimento estudantil. Não tivemos e nem temos milhões de reais para o desenvolvimento do projeto, mas milhões de idéias que geram ações que viabilizam o projeto". Otávio ainda confidenciou sobre o grande achado:


"A produção de um cd foi algo muito favorável ao Projeto. Você reúne documentos, áudios, vídeos e milhares de páginas de textos numa mídia a um custo muito baixo. Por menos de R$5,00 você disponibiliza a milhares de pessoas e instituições toda a história sobre um determinado tema".


Otávio falou do seu empenho em garantir a presença de mais um produto pelo projeto ao povo brasileiro:


"De 2005 para cá consumi mais de 4 meses do meu tempo para garantir a produção do CD. É todo um trabalho de digitalização de documentos e a sua formatação em um programa de fácil organização e manuseio. Não me arrependo de nada, pois estamos contribuindo para disponibilizar dados muitos difíceis de localização e acesso".

AS FALAS DO REITOR, DO REPRESENTANTE DOS ESTUDANTES E DOS EXALUNOS

O Magnífico Reitor da UFPE, Professor Amaro Lins, que fez questão de estar na solenidade para contracenar com a organização e as pessoas ali presentes a apresentação do resultado inicial de um projeto apoiado pela UFPE. Disse que os organizadores "estão levando a frente um projeto de muita relevância não apenas sobre a história da universidade, mas sobre a história da nossa sociedade e do Brasil, o que vem trazendo grandes contribuições".
O Reitor demonstrou em sua fala estar ciente dos objetivos do projeto, pois segundo ele "é muito importante trazer a importância do movimento estudantil para a universidade brasileira". O Reitor também ressaltou a importância da universidade e da educação em geral para a construção de pilares importantes numa sociedade. O Professor Amaro identificou os estudantes como atores importantes da Universidade: "É essa luta dos estudantes na transformação dessa universidade que fez com que a universidade pudesse superar todos os seus obstáculos". E ressaltou: "eu gostaria de parabenizar os organizadores pela capacidade e disposição de resgatar um tema tão importante para a nossa universidade". O Reitor ainda entendeu os novos passos do projeto, inclusive ressaltando que "gostaria de desejar sucesso porque o projeto está em andamento" e reafirmando seu apoio ao projeto dentro das possibilidades.


"A cultura oriental tem algo muito importante, que é a paciência, que o Otávio falou. Eu diria, Otávio: eu gostaria de lhe render uma homenagem especial pela capacidade que você tem de acreditar e de perseverar. (...) Eu sei que você teve várias barreiras para ter acesso a estas informações. (...) Mas isto faz parte da cultura da universidade. A universidade queira ou não ainda tem uma estrutura que em função da própria história de Pernambuco – e com mais razão – da herança do patrimonialismo".


Ao final, o Reitor ainda reafirmou que, embora o movimento estudantil esteja demonstrando que está voltando à cena, afirmou que ainda "precisamos de fato fazer com que o engajamento sejamaior".O membro da Comissão gestora do DCE, Carlos Daniel, fez uma saudação do projeto, ressaltando durante a sua fala a importância da universidade brasileira. Para ele, "é importantíssimo esse trabalho de resgate da memória". Ainda segundo Carlos Daniel, os estudantes precisam ter referências para a luta diária do movimento estudantil, que certamente hoje é muito mais difícil de ser realizado. E ressaltou que a universidade está passando por importantes transformações:


"A gente tinha uma universidade mais aristocrática e hoje em dia vem mudando. E cada vez mais a gente vê que o nível de diferença da sociedade vem fazendo parte da universidade. E hoje a gente tem um governo mais democrático e aberto aos movimentos sociais".


Mesmo com todas as transformações, Carlos Daniel advertiu que o movimento estudantil precisa estar atento para uma de suas bandeiras históricas, que é a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade: "Mas a gente vê a luta do movimento estudantil de hoje como uma luta pelo direito de educação pública e não a defesa da educação como mercadoria".O advogado e vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz, que falou em nome dos exalunos da UFPE, focou a sua fala na questão dos direitos humanos. Marcelo foi um militante do movimento estudantil na segunda metade da década de 60 na UFPE. Além de advogado de ex-presos políticos, Marcelo também foi perseguido pela ditadura militar, assim como teve um irmão assassinado nos anos de chumbo. Uma das lutas do momento é a abertura dos arquivos da ditadura militar brasileira (1964-1985). Mas falou o quanto é difícil:


"Eu acho que o resgate das lutas que nos ocorreram no passado, como a abertura dos arquivos da ditadura, muitas vezes é considerada revanchismo. Alguns acabam pensando que a gente está querendo simplesmente colocar no banco dos réus as pessoas que torturaram, prenderam e mataram. Mas essa luta é para fazer justiça para que a história de luta daqueles companheiros sejam conhecidas e debatidas hoje como forma de reflexão".


Marcelo ainda falou das atuais comemorações dos 180 anos da Faculdade de Direito da UFPE, sobretudo do desligamento dele próprio e de vários companheiros através do Decreto-Lei 477, em 1970.

A FALA EM NOME DOS HOMENAGEADOS MILITANTES DAS ESCOLAS DEENGENHARIA DO BRASIL


Em função da dificuldade de reunir um bom número de homenageados de militantes das escolas de Engenharia do Brasil envolvidas com o projeto, a fala principal dos ex-alunos de Engenharia ficou a cargo do Dr. Fúlvio Petracco, que foi Presidente do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia da UFRGS e da Federação dos Estudantes da Universidade do Rio Grande do Sul (FEURGS).Petracco fez as saudações aos organizadores do livro e às autoridades presentes, passando em seguida a narrar a sua experiência no movimento estudantil na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Falou da famosa Aliança Operária- Estudantil-Camponesa, que iniciou suas atividades no Rio Grande do Sul no final dos anos 1950.Um fato importante da história do Brasil foi tratada por Petracco, cujo discurso indicou seu protagonismo em tal episódio:


"Quando surgiu o primeiro golpe em 1961, nós os estudantes fomos para a rua convocar o povo para resistir. Antes que manifestasse o Governador Leonel Brizola, estávamos nós os estudantes, os operários e os sindicatos mais importantes – os dos ferroviários, transviários nas ruas. Tínhamos uma interação tão forte, que através de apenas uma palavra de ordem, nós fizemos uma greve. E só liberamos uma linha para levar o povo para uma praça onde se realizava um comício às 10 da manhã no fatídico dia da renúncia de Jânio. À tarde essa população já havia subido a Praça da Matriz e já batíamos a porta do Governador. O Palácio do Brizola estava todo cercado pela Brigada Militar de arma em punho. E estava ali um coronel chamado Pery Cunha do Partidão. Um homem forte e alto. Mesmo com o Palácio todo cercado, nós combinamos eu e o Reinaldo dar um golpe de mão para entrar. E nesse golpe de mão furamos o bloqueio, tomamos os mosquetões deles. E aí me colocaram na janela do Palácio. E eu batia chamando o Governador Brizola. O governador como todo bom gaúcho não vê um cavalo pronto sem dar montaria. A praça estava cheia e o povo pedindo "legalidade, legalidade". Até aquele momento a posição era de oferecer ao Jânio o Estado do Rio Grande do Sul como um lugar em que ele pudesse falar as razões da sua renúncia e reafirmar a sua vontade com liberdade e sem constrangimento. E no final desse dia o discurso começava a mudar. E já era fato consumado a renúncia de Jânio. Mas não aceitávamos o impedimento do Jango, que naquele momento estava na China. Foi um momento difícil".

Petracco ainda apresentou toda a sua disposição em colaborar com o projeto, inclusive elogiando a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por sua liderança através da realização de tal trabalho. A fala do ex-aluno de Engenharia do Rio Grande do Sul marcou a primeira fala em homenagem aos diversos representantes dos ex-estudantes ou ex-professores envolvidos com as escolas de Engenharia envolvidas com o projeto, que estaremos realizando até novembro.

Capa CD 70 Anos da UNE: o que já sabemos? O que precisamos saber?


Foto CD Repúblicas de Ouro Preto e Mariana: Trajetórias e Importância


capa do Livro Movimento Estudantil Brasileiro e a Educação Superior


FRAUDE: PROPAGANDA DA FUNDAÇÃO DA REDE GLOBO

FRAUDE: PROPAGANDA DA FUNDAÇÃO DA REDE GLOBO NA INTERNET (A FAMOSA PARCERIA COM A UNE)

Mais uma GRAVÍSSIMA situação em torno do PROJETO MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL. A Fundação da Rede Globo, que fez uma parceria com a União Nacional de Estudantes (UNE), divulga em seu site o seguinte:

"O maior conjunto de testemunhos sobre a militância estudantil brasileira reunido no país, organizado pelo projeto Memória do Movimento Estudantil, se transformou em dois filmes e um livro".

Só se for o maior conjunto de recursos públicos investidos num mesmo projeto sobre movimento estudantil. Só se for o maior conjunto de desperdício de dinheiro público do país, levando-se em consideração que a realização de vídeos sobre o movimento estudantil foi a oportunidade encontrada para tornar possível ao mesmo tempo a não realização de um trabalho profundo sobre o movimento estudantil e atender os interesses empresariais do GRANDE MONOPÓLIO NACIONAL.
Existem projetos no Brasil que estão muito além do que a UNE/Fundação Roberto Marinho/Rede Globo fizeram. E sem a dinheirama fácil que conseguiram de recursos públicos.
A direção da UNE que fez protestos contra BUSH é a mesma que se associou ao GRANDE MONOPÓLIO NACIONAL. O PROJETO MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL (Sociedade entre a UNE e a Fundação Roberto Marinho) está muito longe mesmo de se vangloriar como ter feito "o maior conjunto de testemunhos sobre a militância estudantil brasileira reunido no país". É preciso, minha gente, trabalhar muito para se chegar a este título.
Aqui repudiamos veementemente a matéria publicada no sítio da FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO. Tal posição assumida por tal entidade advém da sua total ARROGÂNCIA, PREPOTÊNCIA, PRÁTICA MANIPULATÓRIA e IRRESPONSABILIDADE para buscar ludibriar a opinião pública. A quem interessa tal postura? À própria entidade para captar mais recursos públicos? Ao processo selvagem de marketing que tenta passar a imagem do que o projeto não é?
A tal campanha de arrecadação de documentos do PROJETO MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL é o maior fiasco. Poucos se arriscaram a doar documentos repassando todos os direitos exclusivos para a UNE e a Fundação Roberto Marinho. Os documentos da UNE precisam ser doados às Universidades e em especial ao PROGRAMA DE ESTUDOS E DOCUMENTAÇÃO EDUCAÇÃO E SOCIEDADEUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (em especial ao seu Arquivo UNE e Movimento Estudantil). O sítio é:

http://www.proedes.fe.ufrj.br/arquivo/une.htm


Agora leiam a matéria do sítio da FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO:

"Movimento estudantil conta a sua história em dois filmes e um livro
Depoimentos de ex-militantes como José Serra, José Dirceu e Cacá Diegues viram filmes e livro do projeto Memória do Movimento Estudantil
O maior conjunto de testemunhos sobre a militância estudantil brasileira reunido no país, organizado pelo projeto Memória do Movimento Estudantil, se transformou em dois filmes e um livro. No dia 9 de agosto, mês em que a União Nacional dos Estudantes – UNE – completa 70 anos, serão lançados no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro, a obra Memórias Estudantis 1937 - 2007: da fundação da UNE aos nossos dias, da historiadora Maria Paula de Araújo, e dois média metragens dirigidos por Silvio Tendler: Memória do Movimento Estudantil – Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil e O afeto que se encerra em nosso peito juvenil. Os dois filmes e o livro fazem parte do projeto Memória do Movimento Estudantil que vem resgatando a história da militância estudantil. A iniciativa, que tem o patrocínio da Petrobras, é resultado da parceria da Fundação Roberto Marinho com a UNE, o Museu da República e a TV Globo.
Os dois documentários de Tendler contam esses 70 anos de história a partir de dois pontos de vista. O primeiro deles, Memória do Movimento Estudantil – Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil, é focado na história política e faz um percurso cronológico sobre o período. Já o segundo, Memória do Movimento Estudantil –O afeto que se encerra em nosso peito juvenil, é mais subjetivo e explora, nas entrevistas e depoimentos, os aspectos culturais e comportamentais relacionados ao movimento estudantil. Os filmes, que têm Cássio Gabus Mendes como narrador, conta com a participação de Chico Dias, Dira Paes, o grupo Tá na Rua – dirigido do Amir Haddad –, da cantora Maíra, de Carlos Lyra (que também foi integrante do CPC e é autor, junto com Vinícius de Moraes, do hino da UNE) e de B Negão, que também fez a trilha sonora junto com Cláudio Lyra. Já a historiadora Maria Paula Araújo usou metodologia de história oral para privilegiar os depoimentos colhidos pelo projeto. O livro Memórias Estudantis 1937 - 2007: da fundação da UNE aos nossos dias aproveita as experiências relatadas para contar um pouco da história entre 1937 e 2007. Segundo a autora, a obra revê o papel desses militantes: “quando se fala em história política, o movimento estudantil aparece, na maioria das vezes, como coadjuvante. Esse livro faz uma inversão e a história do Brasil é vista a partir da atuação dos estudantes”"
(FONTE: http://www.frm.org.br/main.asp?TeamID=&ViewID={19680108-E803-461C-84B6-C316A58714DD}&params=itemID={32EA4035-3D78-4D75-94D8-BE2C09C66322};&UIPartUID={D90F22DB-05D4-4644-A8F2-FAD4803C8898}&u=u )

Uma grande enganação que poucos comentam, repudiam ou se opõem. A imprensa fica praticamente calada, enquanto muitos intelectuais fazem de conta que não é com eles. O bom é que muitas universidades estão fazendo um excelente trabalho sobre a memória do movimento estudantil de suas escolas e de suas cidades
A omissão é tanta que a direção da UNE nem se pronuncia sobre a permanência do Presidente do Senado no cargo mesmo diante de tantas denúncias. Sobre o "mensalão", a impressão que passam é que apoiam o ROUBO de milhões de reais dos nossos cofres públicos. Não fizeram um único tanto convincente!!!. É bom reagirmos a tanta covardia e corrupção (OTÁVIO LUIZ MACHADO).





Faculdade de Direito do Recife (atual Centro de Ciências Jurídicas da UFPE) lança campanha para estimular doações)

(Uma boa iniciativa!!!!)

A Faculdade de Direito do Recife (atual Centro de Ciências Jurídicas da UFPE) lançou campanha para estimular doações.
É bom registrar a liderança do Diretório Acadêmico, que no projeto "Preservação da Memória", está agindo para a preservação de livros de alto valor histórico.

Fonte: In Campus, UFPE, julho de 2007, p. 3.

SEDH lança amanhã livro sobre mortos e desaparecidos políticos no Palácio do Planalto

(Outra boa iniciativa, que pode ser vista como uma resposta à sociedade brasileira)


"28.08.07 SEDH lança amanhã livro sobre mortos e desaparecidos políticos no Palácio do Planalto
28/08/2007 - 11:23
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) lança amanhã (29), às 15h, no Palácio do Planalto, o livro “Direito à memória e à Verdade – Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos”. A solenidade terá a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de familiares de mortos e desaparecidos, representantes de entidades de direitos humanos, intelectuais e autoridades governamentais.
“O livro contribui para a consolidação do respeito aos Direitos Humanos no Brasil. O lançamento marca os 28 anos da publicação da Lei de Anistia, sinalizando a busca de concórdia, sentimento de reconciliação e os objetivos humanitários que movem os 11 anos de trabalho da Comissão Especial”, ressalta o ministro da SEDH, Paulo Vannuchi - organizador da publicação. A publicação é resultado de 11 anos de trabalho da Comissão Especial e recupera a história de mais de 400 militantes políticos, que foram vítimas da ditadura militar no Brasil durante o período de 1961/1988. “Esse é um trabalho histórico, onde o Estado reconhece os direitos dos familiares dos brasileiros mortos e desaparecidos no regime militar. O livro significa o resgate da memória, da verdade e, portanto, da justiça, sem revanchismo. Foi um trabalho de Estado e não de governo”, ressalta o presidente da Comissão, Marco Antônio Rodrigues Barbosa.
“Nenhum espírito de revanchismo ou nostalgia do passado será capaz de seduzir o espírito nacional, assim como o silêncio e a omissão funcionarão, na prática, como barreira para a superação de um passado que ninguém quer de volta”, complementa Vannuchi.
A Lei 9.140/95 e a criação da CEMDP
O Executivo Federal preparou um projeto que o parlamento brasileiro transformou em lei em dezembro de 1995, criando a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) com três tarefas: reconhecer formalmente caso por caso, aprovar a reparação indenizatória e buscar a localização dos restos mortais que nunca foram entregues para sepultamento. “A Comissão Especial manteve uma coerente linha de continuidade atravessando, até o momento, quatro mandatos presidenciais”, ressalta Vannuchi. Durante o governo do Presidente Lula, a Lei foi ampliada em sua abrangência e praticamente se concluiu o exame de todos os casos apresentados.
Formada por representantes de órgãos do governo, das forças armadas, do ministério público federal, dos familiares dos mortos e desaparecidos e da Câmara dos Deputados, a Comissão analisou, investigou e julgou 339 casos, garantindo a indenização de 221, além dos 136 já constantes no anexo da Lei. 118 casos foram indeferidos. O levantamento de informações foi feito por familiares e advogados, com base em depoimentos de outros presos, de agentes do Estado, pessoas envolvidas no processo de repressão e em documentos encontrados em arquivos públicos, abertos à consulta. As indenizações foram de no mínimo R$ 100 mil e a maior de R$152.250,00, paga à família de Nilda Carvalho Cunha morta aos 17 anos de idade.
A lei 9.140/95 reconheceu automaticamente 136 casos de desaparecidos políticos constantes do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, organizado pelas entidades de familiares e por militantes dos direitos humanos como resultado de mais de 25 anos de buscas. “O passo seguinte foi apreciar as denúncias de novos casos de desaparecimentos durante o período de autoritarismo e abrir o processo de indenização administrativa das famílias”, explica Vanucchi. Em agosto de 2002 foi editada a Lei nº 10.536, introduzindo alterações na Lei nº 9.140/95, ampliando a data de abrangência para as indenizações e reabrindo novos prazos para os pedidos de processos. Outra mudança foi feita em 2004. A Medida Provisória 176/2004, transformada na Lei nº 10.875/04, que passou a abranger os casos de mortes em conseqüência de “repressão policial sofrida em manifestações públicas ou em conflitos armados com agentes do poder público”, e os suicídios cometidos “na iminência de serem presas ou em decorrência de seqüelas psicológicas resultantes de atos de tortura praticados por agentes do poder público”".

FONTE: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/noticias/ultimas_noticias/MySQLNoticia.2007-08-28.1737

Projetos Culturais sem excrúpulos

É interessante como um projeto cultural que trata de movimento estudantil que existe por aí escreve seus textos de acordo com os patrocinadores e os interesses da entidade organizadora. E diga-se de passagem que, além de ser regado com milhões de recursos públicos, o projeto cultural ainda não cumpre o plano de distribuição de produtos culturais, o que o Ministério da Cultura exige como contra-partida para qualquer projeto ali aprovado. Quem lucra alto são os indivíduos que ganham com suas consultorias, com seus reembolsos e os seus privilégios. Uma das redatoras oficiais de tal projeto, ainda tem o descaramento de escrever um texto para um determinado público ressaltando alguns aspectos importantes, mas no outro, que deveria estar voltado a certos interesses, apagou tais aspectos e mirou-se em outros irrelevantes mas favoráveis aos patrocinadores. Mas o mundo dos projetos culturais também peca pela desonestidade intelectual dos seus componentes. O sóciologo Pierre Bourdieu já passou por experiência em relação a apoio de instituições e a questão da honestidade intelectual. Leiam:

"Há uns vinte anos, querendo fazer um trabalho sobre fotografia, eu havia aceitado a ajuda da Kodak, não exatamente pelo dinheiro (tratava-se de uma soma irrisória), mas pelas informações, principalmente pelas estatísticas que a empresa era a única a possuir. Eu respondi: ‘Esperem para ver o meu livro! Se o que eu escrever tiver a marca da Kodak, vocês terão todo o direito de berrar’. Os mesmos que se indignaram naquela época estão hoje absolutamente sem defesa diante do mecenato. Diz-se que os organismos que não foram expostos aos micróbios têm fracas defesas imunitárias” (p. 26)

(Bourdieu, Pierre. Livre-troca: diálogos entre ciência e arte. Pierre Bourdieu, Hans Haacke. Apresentação de Inês Champey. Tradução de Paulo César da Costa Gomes. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995).


No caso do projeto cultural em questão, além não haver distribuição gratuita para bibliotecas que teriam algum interesse nos produtos do projeto, o que disponibilizam de mais significativo à sociedade brasileira é de difícil acesso para os indivíduos de pouco poder aquisitivo. Os produtos também oferecidos terão como maior beneficiário uma entidade privada monopolizadora.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ENTREVISTA DE GISELA MENDONÇA – PRESIDENTE DA UNE

Abaixo segue a entrevista sobre a gestão de uma UNE que lutou para que a história do movimento estudantil viesse à tona. È vergonhoso o que querem a atual diretoria da UNE fazer com a documentação do movimento estudantil (e em sociedade com uma fundação mais que privada). É mais vergonhoso o que fizeram (ou não fizeram) com dois milhões de reais (R$2.000.000,00) do povo brasileiro. As ligações perigosas explicam tudo. A omissão encobre tudo. A quem interessa o Projeto Memória do Movimento Estudantil? O que vemos aí é o mal uso de recursos públicos, assim como a privatização da história do movimento estudantil. Quanto nós pagaremos mais para essa gente? Quantos mais cobrarão dos brasileiros para ter acesso à história do seu próprio país? Diga-se de passagem através de um projeto totalmente tendencioso e preconceituoso.


ENTREVISTA DE GISELA MENDONÇA – PRESIDENTE DA UNE

A UNE SEGUE O RASTRO


A invasão da ASI – Assessoria de Segurança e Informação – ASI – da Universidade Federal do Ceará – UFC – E e desativação da mesma, na prática, foi, sem dúvida, uma ousada investida dos estudantes contra esse órgão que é o braço do Serviço Nacional de Informação – SNI – dentro das Universidades.
No Seminário que a UNE realizou no final de setembro, em Brasília, sobre a Constituinte, estudantes de todo o Brasil aprovaram por unanimidade a proposta de limitar o papel das Forças Armadas, que implantou esse sistema de informação na época do regime militar, e ainda hoje o controla.
Para Gisela Mendonça, 24 anos, estudantes de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – e atual presidente da UNE, as Forças Armadas devem se restringir ao papel de guardiãs de nossas fronteiras e de defensoras da nação contra possíveis ataques externos.
Nesta entrevista, Gisela explica as posições da UNE sobre essa questão dos militares e da repressão aos estudantes e professores.

P1 – Gisela, qual o significado para o movimento estudantil, da invasão da ASI no Ceará?

R- Acredito que é mais um grande marco na história de lutas de nossa entidade, que é uma história que se mistura com a de todo o povo brasileiro, na defesa da liberdade e da democracia.
Já na época de Vargas, quando da Segunda Guerra Mundial, foi a primeira voz a se levantar contra o nazi-fascismo. Ergueu alto a bandeira da soberania nacional lançando a grande campanha do “O petróleo é nosso”. Agitou o país com o Centro Popular de Cultura, que lançou muitos novos artistas e deu um novo incremento à produção nessa área.

Junto com a UNE-Volante, esses artistas percorreram todos os Estados no início da década de 60, engajados na luta por melhores condições de ensino.

Veio o Golpe. E está registrada a heróica resistência à ditadura exercida pelo movimento estudantil. Por isso a UNE teve muitos de seus líderes cassados, presos e torturados. Outros mortos e desaparecidos, como Honestino Guimarães, último presidente da UNE antes da reconstrução. Participamos também ativamente das últimas grandes batalhas que levaram à vitória do povo contra o regime militar – a campanha da anistia, das diretas-já e a do candidato das oposições, Tancredo Neves, e que levou milhares de pessoas às ruas. Portanto, os acontecimentos do Ceará não poderiam deixar de contar com a nossa presença. O que está sendo colocado com isso é a busca da verdade e da justiça. É importante que a gente esclareça os fatos: como funcionou todo o aparelho repressivo do Estado? Quais foram as perdas, os danos causados? Não podemos simplesmente fingir que nada disso ocorreu. Muito pelo contrário. Devemos ter consciência disso para que nunca mais ocorra.

P2- Como andam essas assessorias em outras universidades? O fato de se ter encontrado a ASI em funcionamento na Federal do Ceará é uma exceção?

R- Infelizmente não. Talvez a vigilância hoje não seja exercida no mesmo grau que em outras épocas. Ou, mesmo que sim, a conseqüência não é mais a mesma – prisão, tortura, desaparecimento, clandestinidade. Afinal, alguma coisa mudou neste país. Mas a estrutura está toda aí, continua montada. Houve até uma tentativa da diretoria da Divisão de Segurança e Informação – DSI – do Ministério da Educação, ligada ao SBI, é bom enfatizar, que através do Cel. Brochado, seu atual diretor, enviou um ofício às reitorias levantando um plano de reativação das ASIs nas universidades. E isso foi amplamente denunciado pela imprensa. Existem, porém, algumas universidades, como a de Brasília, cujo reitor, eleito diretamente, recolheu tudo o que havia nos arquivos, na seção de “segurança e informação” e formou uma equipe que está catalogando o material para posteriormente apresentá-lo ao público.


P3- Mas a argumentação usada pelo Cel. Brochado vinha no sentido da necessidade de um órgão na universidade que fosse uma Central de Informações, e não mais o controle da vida política e social das pessoas ....

R – Que Central de Informação? Para quê? Os meios de auferir conhecimento já estão aí. A área que deve conter as informações sobre o desempenho acadêmico é a de ensino e graduação ; professores e funcionários devem ser admitidos por concurso público. Patrulhamento ideológico? Não, isso não. Mesmo porque, a pretexto de se investigar a vida política das pessoas, e isso já é vergonhoso, o negócio vira uma perseguição sem fim. Os documentos apreendidos no Ceará mostram claramente isso: a vida particular de cada um fichada. Na universidade, nas reuniões, nas discussões de grupo e tudo mais. Você vai numa festa e eles ficam sabendo, isso, se não derem um jeito de também estar presentes. Você está com um novo namorado e isso já vai logo para a sua ficha. Não, não dá. Coisas absurdas e ridículas chegaram a acontecer. Gostar da cor vermelha era perigoso. Chegaram a queimar livros de capa vermelha e a apreender um livro que falava sobre cubismo, uma escola de artes plásticas, como material subversivo proveniente de Cuba. O livre debate de idéias, das mais diferentes concepções, junto com a sociedade, é condição fundamental para o incremento da produção cultural e cientifica na universidade.

P4- Existe relação dessa política com o baixo nível de ensino hoje existente?

R- É total. O papel que cumpriram e, não tendo sido completamente desativadas, estão aptas a cumprir, essas assessorias de segurança – ou insegurança – foi desastroso. Em todos os sentidos. Era a polícia instalada dentro do campus, impondo à universidade uma produção que atendesse aos interesses de um desenvolvimento dependente. E a gente sabe (e sente) o resultado disso tudo.

P5 – Mas no mês passado o governo anunciou publicamente que iria desativar as ASIs nas universidades ...

R- Você falou certo. O presidente da República assinou decreto desativando as ASIs nas universidades, delegacias regionais do Ministério da Educação. Mas isso não é suficiente. Sequer chega a alterar muito o quadro em que hoje nos encontramos. É preciso que não haja apenas “extinção oficial” ou que as ASIs mudem de nome. É preciso que elas deixem de existir na prática.

P6 – Você falou na universidade servindo a um modelo de desenvolvimento econômico dependente. Poderia explicar melhor o significado dessa afirmação?

R- Havia necessidade, na época, de se formar um grande contingente de técnicos que viessem a atender a demanda de tal desenvolvimento. Não havia interesse em formar cientistas, muito menos em produzir ciência – isso era com a matriz, os Estados Unidos. O que se precisava era de gente que pudesse operar, ou comandar a operação de modernas máquinas que surgiram com o avanço tecnológico, bem como administrar e gerir empresas e a própria máquina do Estado, de acordo com essa linha de pensamento. E todas as áreas do conhecimento acompanhavam e eram induzidas a justificar essa proposta.

P7 – Como era feito isso na prática?

R- Por exemplo, muito contribuíram para isso os acordos firmados entre o Ministério da Educação e a USAID – United States Agency of International Development –, os famosos acordos MEC-USAID.

P8 – Existiu alguma relação entre esses acordos e as ASIS?

R-Penso que sim. E de colaboração. Isso tudo foi muito planejado e fazia parte da diretriz que foi traçada na época, pelo regime militar, para o ensino superior brasileiro, formalizada nesses acordos, cuja meta era privatizar o ensino e transformar as universidades em grandes empresas, atendendo assim aos objetivos que falei anteriormente. Veja, por exemplo, o curso de Agronomia. A tendência que se deu foi a de voltar todo o ensino para a produção de monoculturas. “Exportar é preciso” . Formam especialistas em soja, sem se saber orientar a produção de arroz e feijão, alimentos básicos do povo brasileiro. E as ASIs estavam aí para assegurar a implementação dessa diretriz.

P9 – Uma polêmica levantada na época da invasão do Ceará, mas sempre também muito comentada quando se fala em apurar os crimes da ditadura, é que a anistia já foi aplicada, para ambos os lados.

R – Considero a campanha de anistia um dos grandes marcos da história contra a ditadura. Foi o ano em que as manifestações de rua começaram a reaparecer. E o sentimento não era de que se sepultasse tudo com a liberação dos presos políticos. Muito pelo contrário. Sempre foi o de ver tudo esclarecido. Quem são mesmo os terroristas? Quem foi mesmo que matou, torturou, prendeu, forçou ao exílio e tantas outras coisas? Quem fez a lei e a impôs pela força? As pessoas que saíram às ruas, que colocaram adesivos nos carros, que participaram de manifestações, que protestaram, não estavam pedindo anistia para os torturadores. É um absurdo, um cinismo político muito grande vir agora com essa conversa. Não podemos admitir que Coronéis Ustras da vida, homem reconhecido pela deputada Beth Mendes como seu torturador, continuem por aí, ocupando, tranqüilos,seus cargos públicos. O lugar correto para esse tipo de gente não é outro senão a cadeia. Por acaso estão querendo justificar a morte dos estudantes Honestino Guimarães e Helenira Rezende, por exemplo, como legítima defesa?

P10 – Você falou muito sobre a ingerência dos militares na política nacional. É sabido também que a UNE, no Seminário que realizou, tirou posição a esse respeito. Qual é essa posição?

R – Essa é uma questão que não poderíamos deixar de enfocar. São seis os Ministérios ocupados por militares no Brasil. E em qualquer coisa que se faça, plano que se desenvolva, seja na área social, política ou na área econômica, existe a interferência desse setor.
A nossa proposta é portanto a extinção completa do SNI, bem como de todo o aparato repressivo ainda existente. Isso já é um golpe na interferência dos militares, pois eles é que controlam todo o serviço de informação. Apontamos também a substituição dos ministérios militares por um único ministério, que seria o da defesa.


P.11 – E qual é o caminho que a UNE aponta diante dessa situação?

R. É importante que todas as entidades do movimento estudantil busquem se mobilizar no sentido de que essas assessorias seja riscadas do quadro administrativo das Universidades. Mais, que tenhamos acesso a esses documentos. É esse tipo de atitude que nos dará a verdadeira segurança nacional.

P. 12 – Gisela, de agora em diante, como fica o caso da invasão do ASI?

R – Esse episódio já entrou para a História. De repente toda essa luta contra os órgãos de repressão toma um novo impulso a partir da descoberta desses documentos na Universidade Federal do Ceará, e isto acontece num momento histórico para o país, às vésperas da Constituinte. O movimento estudantil demonstrou grande força. Foram muito importantes as mobilizações feitas pelo DCE-UFC e a UNE contra a prisão de Inácio, da Liduína e da Martinha, e para repudiar o SNI. Vamos divulgar bastante o dossiê da UNE sobre o caso do Ceará para mostrar que as ASIs nos causaram. Estamos também batalhando a divulgação das resoluções do nosso Seminário “Educação e Constituinte” que, como já falei, tocam na questão do papel dos militares e da extinção do SNI. Vamos exigir a devolução de todo o material da UNE que foi apreendido quando a nossa sede foi invadida em 1964. Esse material é documento histórico, é um patrimônio dos estudantes e de todo o povo. E tivemos notícia de que está tudo no CENIMAR – Centro de Informação da Marinha –, no Rio de Janeiro. Sabemos que a luta para extinguir os órgãos de repressão não é fácil. Nossos três companheiros presos no Ceará continuam sendo processados e é provável que outros possam vir a ser também. Mas estou confiante. Uma pessoa que admiro muito é d. Rosa, mãe de Honestino. Ela está sempre aí na luta, exigindo justiça. O Honestino disse uma coisa muito bonita: “mesmo se nos prenderem, mesmo se nos matarem, ainda assim voltaremos e seremos milhões”. Estamos nós aqui de volta. A História está do nosso lado”.

FONTE: A Une contra o SNI. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1987

AUTO-ANÁLISE SOBRE A INSTRUMENTALIZAÇÃO POLÍTICA DA HISTÓRIA

Já está na rede o novo texto da Coordenadora Técnica do Projeto MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL (MME). O MME resultou de uma sociedade entre a União Nacional dos Estudantes – UNE – com a Fundação Roberto Marinho (Rede Globo).
O título é “Os usos políticos do passado: a construção da história da União Nacional Dos Estudantes na sua reconstrução (1976-1979)”, que foi publicado nos anais do XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, em 2007.
Para Angélica, “outra versão para fundação da UNE foi apresentada em minha dissertação de mestrado onde, através da documentação pesquisada, foi evidenciada a fundação da entidade em 1938. Para um aprofundamento da questão ver: MÜLLER, Angélica. Entre o Estado e a Sociedade: a política de juventude de Vargas e a fundação e atuação da UNE no Estado Novo. Rio de Janeiro: dissertação de mestrado defendida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2005”.
A autora no artigo apresentou que a documentação pesquisa, que abrange as primeiras movimentações em torno da criação da UNE, deixou envianda a fundação da UNE em 1938. Uma análise dos documentos iniciais da UNE, incluindo os depoimentos (MUITOS DOS DOCUMENTOS E DEPOIMENTOS PODEM SER CONSULTADOS AQUI NO BLOG), não deixam dúvidas quanto à data de criação da UNE.
O que esperávamos unicamente como a grande “descoberta” a ser anunciada pelo Projeto MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL foi para o ralo. Havia também alguma expectativa de que o projeto contribuísse com a história dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e DCEs, mas de repente a UNE passou a ser a instituição que fez tudo pelo movimento estudantil brasileiro. Mas a instrumentalização política da história da entidade jogou tudo pelo ralo, também. São (2) dois milhões de Reais muito mal aplicados, quando levamos em consideração que boa parte do que o projeto Memória do Movimento Estudantil apresenta como novidades podem ser encontrados em bons livros. Inclusive com uma maior qualidade e fidelidade.
Politicamente, a UNE poderia ter batalhado pela abertura dos arquivos da ditadura militar, por um trabalho efetivo do MEC no que tange à memória do movimento estudantil. Poderia ter feito um trabalho com o movimento estudantil nesse sentido. Mas quis apenas fazer alguma coisa para poder justificar a captação de mais grana dos nossos recursos públicos.
O artigo da Coordenadora técnica do Projeto MEMÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL cai como uma luva no “trabalho” feito pela UNE e pela Fundação Roberto Marinho em relação à entidade, pois é muito visível como a UNE tem utilizado a história para promover seus diretores e ex-diretores, assim como para lucrar alto com recursos públicos retirados do nosso povo.
Iremos trazer uma série de dez lições ao Projeto Memória do Movimento Estudantil sobre como fazer um projeto que seja efetivo e que leve em consideração aos pessoas.