sexta-feira, 9 de maio de 2008

Movimento estudantil de 1968 representa luta contra opressão no mundo

FONTE:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u397995.shtml
05/05/2008 - 16h45
Movimento estudantil de 1968 representa luta contra opressão no mundo, diz professora

REGIANE SOARES
da Folha Online
O movimento estudantil no Brasil e no mundo teve motivações políticas e reivindicações diferentes. Em comum, o sentimento de opressão e a disposição em lutar por seus ideais. A avaliação é da professora de História Contemporânea Maria Aparecida de Aquino, da USP (Universidade de São Paulo), sobre a onda de protestos de jovens em diversas cidades da Europa, América e Ásia.
"Foi uma geração generosa, que deu a vida pela causa e o respeito pelo ser humano contra a repressão. O sentimento comum que existia em todas as manifestações era contra a guerra do Vietnã. Todos são contra", afirmou a professora.
Na década de 60, países latino-americanos como Argentina, Chile, México e Brasil enfrentavam o regime militar. Mas, segundo Maria Aparecida, não houve relação entre os movimentos estudantis deflagrados em 1968.
"O movimento estudantil é uma onda que vai e passa por vários países. Mas não dá pra dizer que existia uma relação entre eles", disse.
Segundo Maria Aparecida, enquanto que na França a luta dos estudantes não tem motivação política, no Brasil o movimento estudantil luta contra a ditadura imposta pelos militares. Os franceses reivindicavam melhores condições de ensino, com ideais libertários contra a tradição da sociedade burguesa da época.
No Brasil, o início do movimento estudantil foi marcado pelo assassinato do estudante Edson Luiz, em 28 de março de 1968, no Rio de Janeiro. A morte provocou manifestações em todo o país contra a opressão do regime militar.
Ao contrário dos jovens franceses, que não tinham ligação com partidos políticos, os brasileiros eram em sua maioria dissidentes do PCB, fiéis ao marxismo e organizados. Tinham como objetivo tomar o poder por meio da revolução armada.
Mas a repressão imposta pelos militares resultou em prisões, torturas, mortes, desaparecidos e culminou com o AI-5 (Ato Institucional), que pois fim à liberdade de expressão dos jovens.
No México, que também vivia sob o regime militar, o movimento estudantil teve uma reivindicação específica: melhores condições de ensino na UNAM (Universidade Autônoma do México). A manifestação mais marcante ficou conhecida como Massacre de Tlatelolco, em 2 de outubro de 1968, apenas dez dias antes do início dos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México.
Os estudantes protestavam contra a ocupação da UNAM pelas tropas do Exército. Eles caminhavam pelas ruas da Cidade do México com cravos vermelhos nas mãos e gritavam palavras de ordem pela liberdade do México. O protesto foi reprimido pelas Forças Armadas e até hoje não sabe sabe o número real de mortos. Alguns falam em mais de 200 mortos. O massacre marcou uma onde de protesto contra o presidente Gustavo Díaz Ordaz ao longo de 1968.
A professora Maria Aparecida ressalta que os jovens também reivindicavam por mudanças comportamentais e reformas sociais, uma vez que as propostas da revolução mexicana de 1910 já estavam desgastadas.
Em 1968, o Chile ainda vivia um regime democrático e, por isso, o movimento estudantil só começa a se organizar a partir de 73, quando há o golpe para retirar Salvador Allende do poder.
A Argentina também não teve grandes mobilizações estudantis em 1968, apesar de viver um dos maiores regimes autoritários do mundo. Foram mais de 30 mil desaparecidos que lutavam contra a ditadura entre 1976 e 1983.

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