segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Republicando o artigo "Memórias nada Estudantis"
Publicado em 10 de fevereiro de 2008
Memórias nada estudantis
Otávio Luiz Machado
A União Nacional dos Estudantes (UNE), juntamente com a Fundação Roberto Marinho (Rede ou Organizações Globo), que já torrou cerca de 2,3 milhões de Reais com o pretexto de oferecer uma contribuição à memória do movimento estudantil, no momento quer “mais” dinheiro. Quer ainda “apenas” mais de 2 milhões de Reais. O total de recursos públicos envolvido é nada mais e nada menos que 4,5 milhões de Reais.São dados que constam no sítio do Ministério da Cultura (MINC), embora ali não ficou registrado que “projeto” Memória do Movimento Estudantil (financiado pela Petrobras entre 2004 e 2007) nada fez de positivo à memória do movimento estudantil.Com o aval do MINC, de estatais, da Rede Globo e de Parlamentares (como as emendas ao orçamento de Alice Portugal, Inácio Arruda e Renildo Calheiros), a UNE montou um enorme esquema de arrecadação de recursos públicos com a falsa justificativa de resgatar a história do movimento estudantil brasileiro.A história pessoal do Presidente Lula, de muitos militantes do PC do B e da própria esquerda brasileira não pode deixar ser misturada com um tipo de gente que quer apenas ganhar muito dinheiro. É natural que a UNE e a Fundação Roberto Marinho iludiram muita gente do Governo Federal e das estatais com propaganda falsa em relatórios bem diagramados e de capas bem feitas. Mas com resultados ineficazes e que em nada colabora com o nosso País.Além do desperdício de recursos públicos (milhões de Reais em vídeos para beneficiar a Rede Globo), de propaganda enganosa (a Fundação Roberto Marinho atribui ao projeto deles o que mais recolheu depoimentos de ex-militantes estudantis) e de fraude (os 70 anos da UNE ocorre agora em 2008), o que a UNE quer com quase 5 (CINCO) MILHÕES DE REAIS?Para tentar (e não conseguir) reconstituir a história do movimento estudantil nunca foi destinado um volume de recursos tão imenso como aqueles que a UNE está apossando. O primeiro projeto possui os seguintes dados:- Nome: Memória da U.N.E- Número do Projeto (PRONAC): 030926- Nome do Proponente: Fundação Roberto Marinho- Síntese do Projeto: Recuperação e preservação da memória e da história da UNE. Criação de acervo sobre a história do movimento estudantil através de um site na internet, CD-ROM e gravação de um vídeo digital com depoimentos de dirigentes e militantes de diferentes épocas.- Valor Aprovado: 3.062.134,50- Valor Captado: 2.377.496,58- Fonte: http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=030926O Ministério da Cultura já aprovou mais dois projetos:1) Nome: Memória do Movimento Estudantil - complementação- Número do Projeto (PRONAC): 076435- Nome do Proponente: União Nacional dos Estudantes - UNE- Síntese do Projeto: Projeto de continuidade dos projetos Memória da UNE I e II, com objetivo de formar o Centro de Estudos Honestino Guimarães, que passará a administrar o acervo produzido nas etapas anteriores, bem como ampliá-lo, divulgá-lo no sítio desenvolvido pelo projeto (www.mme.org.br) e empregá-lo na produção de pesquisas sobre a temática dos movimentos estudantis.- Valor Solicitado: 1.586.700,00- Valor Captado: 00,00- Fonte: http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=0764352) Nome: Sempre Jovem Sexagenária- Número do Projeto (PRONAC): 0710778- Nome do Proponente: União Nacional dos Estudantes - UNE- Síntese do Projeto: Visa recuperar e organizar as informações sobre a história, através do levantamento de dados, organização de um acervo de documentos, coleta de depoimentos orais de ex-militantes, pretende ainda publicar um livro e um documentário, objetivando desenvolver a arte em geral envolvendo a área da leitura.- Valor Aprovado: 706.470,00- Valor Captado: 650,00Emenda do TesouroDeputado Federal: Alice Portugal: 13.392.1142.4796.0264 - R$ 200.000,00 Deputado Federal: Inácio Arruda: 13.392.1142.4796.0264 - R$ 200.000,00 Deputado Federal: Renildo Calheiros: 13.392.1142.4796.0001 - R$ 250.000,00 TOTAL DE EMENDAS : R$ 650.000,00/ Aguarda descontingenciar orçamento/limite Financ.- Fonte: http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=0710778O projeto anterior, que foi realizado com cerca de 2,3 milhões de reais não produziu nada de significativo nem para a cultura brasileira. Somando-se os três valores, ou seja, cerca de 4,5 milhões, a UNE cada vez mais se recolhe em relação à atuação do movimento estudantil. Alguns até dizem que a UNE foi comprada.Outro aspecto importante de ser tratado é o acesso ao pouco que o projeto Memória do Movimento Estudantil produziu. È incrível que um projeto apoiado com milhões de reais de verbas públicas ofereça ao leitor interessado um livro por um valor muito alto (R$60,00). É o caso do livro “Memórias Estudantis: da Fundação da UNE aos nossos dias” (de Maria Paula Araújo, Editora: Relumé Dumará, 2007), que é, juntamente com “Memória do Movimento Estudantil” (Editora do Museu da República, 2005), o que o projeto da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Fundação Roberto Marinho (FRM) “Memória do Movimento Estudantil” conseguiu oferecer ao leitor brasileiro.Como é um projeto que contou com muitas outras benesses à sua disposição, o que se esperava era algo mais significativo e que realmente fizesse avançar o estudo do tema. Agora, quando a UNE busca o mesmo valor como segunda parcela para a “continuidade” do referido Projeto, o que poderemos ficar nos perguntando sobre o que irá sair de agora em diante? O contribuinte brasileiro deveria ser perguntado primeiro se estaria disposto a pagar mais uma conta sem nenhum retorno.O objetivo do livro foi o de lançar luz à história da UNE a partir da documentação organizada e produzida pelo projeto MME, o que consideramos inicialmente um fator limitante à ambição do próprio título do livro, pois o projeto não possui muita documentação escrita ou depoimentos que permitam reconstituir satisfatoriamente a história da UNE. E muito menos do movimento estudantil brasileiroEm menos de cinco meses, a autora teve a incumbência de redigir e concluir o livro. Um desafio que poucos topariam. Não cumpriu bem, pois demonstrou não saber recortar os principais fatos relevantes da história da UNE.Os compromissos institucionais do projeto MME são trazidos nos dois primeiros textos do livro. O primeiro é um texto assinado pela Petrobras intitulado “A Petrobras e a Memória do Movimento Estudantil”, que reafirma seu apoio ao projeto, assim como entende que “apoiar o resgate, a preservação e a difusão da memória do movimento estudantil é uma forma de participar de um esforço cujo objetivo principal é impedir que essa história caia no esquecimento”. O patrocinador parece estar satisfeito, pensando em estar contribuindo com um projeto de profundidade. Falsa ilusão. O livro passa longe da contribuição para o resgate, preservação e a difusão da memória do movimento estudantil.O segundo texto, que é de autoria da Fundação Roberto Marinho e intitula-se “Memória do Movimento Estudantil”, é dotado da mais pura ilusão, pois a entidade da Rede Globo diz esperar que a simples difusão da memória do movimento estudantil fosse fundamental para a conscientização dos jovens acerca da importância de sua ação política. Justamente a empresa que fomenta a cultura do consumo diariamente para a juventude, traz os programas menos educativos para os jovens e monopoliza toda a produção artística do país.O livro foi uma tentativa mal sucedida de propaganda do projeto Memória do Movimento Estudantil para alicerçar um programa de captação de recursos sistematicamente com o pseudo argumento de trabalhar para a memória do país. Nem o apelo da propaganda enganosa do site da Fundação da Rede Globo conseguiu demonstrar a sua relevância:"O maior conjunto de testemunhos sobre a militância estudantil brasileira reunido no país, organizado pelo projeto Memória do Movimento Estudantil, se transformou em dois filmes e um livro" (ver em http://www.frm.org.br/main.asp?TeamID=&ViewID={19680108-E803-461C-84B6-C316A58714DD}¶ms=itemID={32EA4035-3D78-4D75-94D8-BE2C09C66322};&UIPartUID={D90F22DB-05D4-4644-A8F2-FAD4803C8898}&u=u).O País possui projetos que reuniu muito mais depoimentos que a própria UNE/Fundação Roberto Marinho. Preservar o quê? Apresentar o que já foi dito milhares de vezes como algo inédito? E não apresentar os estudos clássicos sobre movimento estudantil que são muito melhor trabalhados, profundos e críticos?Ao eleger o que já foi dito milhares de vezes, o projeto da UNE em parceria com a Rede Globo contribui para o esquecimento daquilo que ainda não foi exposto. E mais uma vez reproduzem a idéia de que movimento estudantil só existiu em dois ou três Estados do Sudeste. E por alguns poucos personagens que são tratados como “mitos”.É um erro da autora ao falar do “amplo acervo de depoimentos de antigos e atuais militantes e dirigentes da entidade, coletados e organizados pela equipe do Projeto Memória do Movimento Estudantil”. Qual o amplo acervo produzido?Ao final do livro, a autora publicou a lista das 100 entrevistas do projeto MME, que qualquer iniciante ao tema poderá ver a sua insuficiência. É bom chamar a atenção para o seguinte: cerca de 10% dos entrevistados são dirigentes da UNE num período mais recente. E que nada teriam a contribuir para a história da UNE.As principais fontes utilizadas no livro são pobres. Houve a exclusão de outras fontes mais relevantes, além da utilização de entrevistas com pautas muito questionáveis. O projeto não conduziu bem as entrevistas. Nem os depoentes falaram o suficiente sobre a história do movimento estudantil. Não foram muito bem explorados pelas lentes do vídeo do Projeto.A autora obscurece ao invés esclarecer sobre a data de criação da UNE com alguns argumentos pouco convincentes. Se tivesse consultado realmente os novos estudos sobre o movimento estudantil poderia ter refletido um pouco melhor sobre a origem da UNE. E não ficaria nos argumentos vazios apresentados.Ademais, a autora poderia ter consultado a própria Coordenadora Técnica do Projeto MME, a senhora Angélica Muller, que inclusive produziu dissertação de mestrado que passa pela origem da UNE. O trabalho de Muller não é nem citado. É frustrante a omissão da autora diante da história oficial da UNE, a entidade que encomendou o projeto MME à Fundação da Rede Globo.A partir daí, cremos que o marketing dos 70 anos da UNE foi a forma encontrada para a captação de recursos públicos aos milhões, pois a UNE sequer estudou as conclusões do Projeto MME sobre a data correta de fundação da UNE.A Coordenadora Técnica do Projeto afirmou à Revista de História da Biblioteca Nacional que a UNE foi fundada oficialmente em 1938. Ao ser questionada sobre o pôrque da UNE divulgar que a data de fundação foi agosto de 1937, Muller novamente confirma a data da criação, mas sem questionar a data fictícia da entidade: “Porque naquele ano a Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, criou o Conselho Nacional de Estudantes. Foi, de fato, a principal origem da UNE, mas, pelo seu estatuto, o Conselho não podia ter fins políticos. Inclusive proibia os membros de abordar assuntos políticos. Quando houve o Segundo Congresso Nacional dos Estudantes, em dezembro de 1938, militantes do Partido Comunista já haviam tomado conta do Conselho e conseguiram aprovar uma pauta explicitamente política. Com isso, deram outro perfil à iniciativa e propuseram a criação de um novo órgão: a União Nacional dos Estudantes do Brasil. A carta-circular que menciona a UNE pela primeira vez é datada de dezembro de 1938” (http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1089)Da história da Fundação da UNE, é lamentável que um único depoente que ali não se trabalhou adequadamente o nome de Antônio de Franca, sobretudo no que se refere ao tema da sua tese apresentada ao II Congresso da UNE: a “criação da UNE”. Que são questões já exploradas em trabalhos de fôlego como os de Arthur José Poerner (O Poder Jovem) e John Dulles (A Faculdade de Direito de São Paulo e a Resistência Anti-Vargas: 1938-1945).Na própria narrativa sobre o começo da história da UNE começa a série de erros e as enormes lacunas que marcam o livro “Memórias Estudantis”, como é o caso de indicar o renomado físico pernambucano José Leite Lopes como “estudante de física” daquele período. Na crise da Legalidade, que foi muito importante, a UNE estranhamente sumiu de cena.Outro ponto é o total esquecimento das entidades estudantis de base, pois a UNE é colocada no maior destaque, que muitas das vezes no livro é altamente sobrevalorizada. Se a autora tivesse realmente tomado contato com a produção acadêmica mais recente sobre o movimento estudantil – como foi relatado no início do livro – teria maiores condições de apresentar que o movimento estudantil foi retomado logo no início dos anos 1970 com a contribuição vários diretórios e centros acadêmicos.A homenagem do líder estudantil Honestino Guimarães não foi devidamente feita no livro, embora com algum destaque. Nada de relevante foi resgatado do período de militância de Honestino.Das quase 300 páginas do livro – boa parte com fotografias ou imagens de página inteira -, 10% delas são utilizadas para reproduzir a entidade já sob o domínio do PC do B. E o seu atrelamento sem críticas ao Governo Federal, incluindo até a reprodução de bilhetinho do então Ministro do MEC (Cristovam Buarque) ao então Presidente da UNE (Felipe Maia). Aí está inevitavelmente selada a entrega total da UNE ao MEC, que foi consolidada e aumentada em seguida, na longa gestão da Presidência da UNE de Gustavo Petta. E sem nenhum arrependimento do seu papel chapa-branca na condução da UNE. Felizmente não do movimento estudantil, que cresceu e se fortaleceu bem longe da UNE.Como registro é importante ressaltar que, para a queda do então petista Cristovam Buarque, foi desenvolvido por alguns membros da UNE um trabalho pesado nos bastidores. Não bastava se atrelar ao MEC. Queriam controlar o próprio MEC para seus interesses particulares. A UNE até conseguiu ministério e outros cargos importantes para si um pouco depois com a política do que “é dando que se recebe”. Sem falar nas verbas públicas obtidas das formas menos transparentes possíveis.Creio que o projeto MME busca ludibriar a opinião pública. Ao invés de incentivar a participação política dos estudantes, a própria UNE tem utilizado do silêncio em relação aos problemas nacionais.Ao invés de reconstituir a história do movimento estudantil, o que é feito é uma cópia mal reproduzida do que já se sabe acerca do movimento estudantil. Se tirar o livro como base para a própria história da UNE o leitor está perdido. É um de livro de poucos resultados. O pior livro sobre movimento estudantil nos últimos tempos.O pouco que é oferecido, se for somado com o valor financeiro do livro, a história continuará no esquecimento. Levando-se em consideração o alto custo do projeto em relação ao que oferecido, o país precisaria desembolsar algumas centenas de milhões de reais para uma reconstituição histórica do movimento estudantil digna de nome.Mesmo que várias gestões de Presidentes da UNE não tenham feito bonito naquilo que deveria atuar; ou mesmo que ex-Presidentes da UNE hoje estejam ferindo a ética pública, como é o caso do Ministro Orlando Silva (que utilizou um cartão corporativo Executivo de forma irregular e lesando os cofres públicos) e do Deputado Renildo Calheiros (que faltou 88,2% total do trabalho em Comissão a que se propôs atuar), creio que não podemos ficar desestimulados a reconstituir a história do movimento estudantil.É natural que a atitude mesquinha das direções da UNE não agrade antigos militantes do movimento estudantil. E muito menos estudantes de hoje que querem atuar e que não encontram espaços na UNE. Para um ex-vice-Presidente da UNE, Clemente Rosas, que esteve em Brasília a convite do Senado para uma “comemoração” dos 70 anos da UNE (em 2007), “hoje, porém, um único partido – o PCdoB – comanda a instituição, já por dez gestões sucessivas. É natural que a instrumentalize para os seus interesses imediatos e, como compõe a base de sustentação do governo, não deseja desgastá-lo, nem aos outros partidos aliados. Só isso pode explicar a ausência dos estudantes em um movimento que teriam tudo para liderar, como em 1992, e com motivação até mais forte: os casos de improbidade que vêm à tona agora são ainda mais graves e mais numerosos” (artigo de Clemente Rosas intitulado “Onde estão os caras-pintadas?”, Recife, Jornal do Commercio, 12 de Outubro de 2007).É natural que a equipe do Projeto Memória do Movimento Estudantil tente apresentar uma produção nada precisa sobre a história do movimento estudantil. É o caso do artigo de Angélica Muller (Coordenadora Técnica do Projeto Memória do Movimento Estudantil) intitulado “Os Usos Políticos do Passado: A Construção da História da União Nacional dos Estudantes na sua Reconstrução (1976-1979)”, que fez uma leitura rasteira do Memorex. É o que podemos concluir através do seu texto.A autora atribuiu ao DCE da USP a produção do Memorex, mas não consultou fontes específicas que fornecessem tal informação (ver http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Ang%E9lica%20M%FCller.pdf.).Para Ary Costa Pinto e Marianna Monteiro, dois dos vários integrantes da equipe que produziu o Memorex,“A autora parece estar bem preocupada com os usos políticos da história e até mesmo surpresa com o impulso dos conhecimentos teóricos, mas pouco se pergunta a respeito do “mistério” do expediente de Memorex e parece não se dar conta das inúmeras referências que acompanham a maior parte da documentação publicada. Um pesquisador atento não deixaria de visualizar o expediente da publicação, na página referente aos anos 61/62...” (http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/09/rememorex-uma-rebeldia-necessria-por_27.html)E continuam:“Aspecto importante em qualquer análise de discurso é a definição do sujeito da enunciação. E nesse item Angélica Müller cochila. Para ela esse sujeito é o DCE da USP, ignora solenemente a Edições Guaraná, os autores do trabalho”..Outra questão importante tratada no artigo dos dois autores foi o seguinte: no comentário de Muller sobre o Memorex haveria um erro quanto à data de fundação da UNE. Para Muller, “outra versão para fundação da UNE foi apresentada em minha dissertação de mestrado onde, através da documentação pesquisada, foi evidenciada a fundação da entidade em 1938” (Muller, 2007). Mas Pinto e Monteiro afirmam:“Para completar, Müller reivindica para si o estabelecimento da data da criação da UNE em 1938, parecendo não perceber que o Memorex estampa em letras garrafais: “1938 – O Segundo Congresso. A separação da CEB dos estudantes ou a formação da verdadeira UNE”” (Monteiro e Pinto, 2007).O problema maior da UNE foi a manipulação da data da fundação da entidade a seu favor. Para a Coordenadora Técnica do projeto Memória do Movimento Estudantil, diferentemente da UNE (que pediu o projeto), a UNE foi criada em 1938. Mas a UNE lançou como data de 70 anos, 1937. Leia o que disse Angélica Muller:"PERGUNTA: A UNE não está completando 70 anos?ANGÉLICA MULLER: Oficialmente, ela só foi fundada em 1938.PERGUNTA: Por que a própria entidade diz que foi em agosto de 1937?ANGÉLICA MULLER: Porque naquele ano a Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, criou o Conselho Nacional de Estudantes. Foi, de fato, a principal origem da UNE, mas, pelo seu estatuto, o Conselho não podia ter fins políticos. Inclusive proibia os membros de abordar assuntos políticos. Quando houve o Segundo Congresso Nacional dos Estudantes, em dezembro de 1938, militantes do Partido Comunista já haviam tomado conta do Conselho e conseguiram aprovar uma pauta explicitamente política. Com isso, deram outro perfil à iniciativa e propuseram a criação de um novo órgão: a União Nacional dos Estudantes do Brasil. A carta-circular que menciona a UNE pela primeira vez é datada de dezembro de 1938" (FONTE: ttp://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1089)É difícil confiar numa entidade que manipula os dados para arrecadar mais dinheiro ao seu proveito.Outro aspecto do debate sobre o Memorex foi a sua própria data de publicação, que para Muller foi em 1979. Novamente dois dos autores restabelecem a questão:“Angélica Muller, em sua comunicação, também afirma que a publicação é de 1979 quando é, de fato, de 1978. Essa imprecisão na datação faz grande diferença na apreensão da conjuntura em que o trabalho veio à luz. Em 1978, a ditadura ainda agia com muita truculência, sem falar que a Edições Guaraná se adiantara em relação aos dirigentes estudantis na iniciativa de elaborar uma história da UNE”.Quanto à reconstituição da memória do movimento estudantil brasileiro, dois dos autores do Memorex pensam que exista um risco quanto à plena realização de um trabalho efetivo que sirva de apoio, suporte e conhecimento às novas gerações:“Talvez, seja hoje difícil acreditar que o Brasil já tenha sido governado por forças que não hesitavam em recorrer à truculência para impedir que a juventude brasileira pudesse investigar, descrever e analisar seu passado. E, no entanto, essas forças existem e hoje se apresentam com novos simulacros e astúcias, mas com o mesmo objetivo: impedir que a nossa juventude tenha acesso ao seu passado e possa escolher livremente o que lembrar e preservar”.A história do movimento estudantil precisa ser feita a partir de instituições sérias e dispostas a empregar todas as suas energias e criatividade num trabalho significativo. E assim permitir ao tema um pouco mais de destaque.É óbvio que não devemos esperar nada da UNE em tal sentido. Mas são tantas entidades estudantis de base, universidades e centros de documentação sérios que podem realizar trabalhos muito interessantes e importantes para reconstituir a história do movimento estudantil. E muitos estão fazendo.BIBLIOGRAFIAPOERNER, Arthur José. O poder jovem. História da participação política dos estudantes brasileiros. 4a ed. Ilustrada, revisada, ampliada e atualizada. São Paulo: Centro de Memória da Juventude, 1995.DULLES, John W. F. A Faculdade de Direito de São Paulo e a Resistência Anti-Vargas (1938-1945). Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1984.MEMOREX: elementos para uma história da UNE. São Paulo: Edições Guaraná e DCE-Livre USP ‘Alexandre Vanuchi Leme’, 1978.MULLER, Angélica. Os usos políticos do passado: a construção da história da União Nacional Dos Estudantes na sua reconstrução (1976-1979). Disponível em: http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Ang%E9lica%20M%FCller.pdf.SANFELICE, José Luís. Movimento Estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1986.PELLICCIOTTA, Mirza Maria Baffi. Uma aventura política. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.SANFELICE, José Luís. Movimento estudantil: A UNE na resistência ao golpe de 64. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1986.FÁVERO, Maria de Lourdes. Da universidade “modernizada” à universidade disciplinada: Atcon e Meira Mattos. São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1991.____. UNE em tempos de autoritarismo. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.MACHADO, Otávio Luiz. 70 anos da UNE: o que já sabemos? O que precisamos saber? Recife: Proenge, 2007.CD-ROM.____. Movimento Estudantil no Brasil: histórias e registros entre 1903 e 2007. Recife: Proenge, 2007.DVD-ROM.____. Juventude, Cidadania, Educação, Democracia e Movimentos Estudantis. Recife: Proenge, 2008. DVD-ROM.____. ZAIDAN, Michel. Movimento estudantil brasileiro e a educação superior. Recife: Editora Universitária UFPE, 2007.MONTEIRO, Marianna Francisca e PINTO, Ary Costa. REMEMOREX - Uma Rebeldia Necessária. Disponível em: http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/09/rememorex-uma-rebeldia-necessria-por_27.htmlROSAS, Clemente. Onde estão os cara-pintadas? Disponível em: http://hugocaldas.blogspot.com/2007/10/onde-esto-os-caras-pintadas.htmlANEXO:MEMOREX (PARTE 1)http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/10/blog-post_9041.htmlMEMOREX (PARTE 2)http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/10/blog-post_03.htmlMEMOREX (PARTE 3)http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/10/livro-memorex-parte-3.htmlMEMOREX (PARTE 4)http://sejarealistapecaoimpossivel.blogspot.com/2007/10/blog-post_09.html
CNBB diz que abertura dos arquivos da ditadura não pode ter restrições
26/09/2008 - 14h14
CNBB diz que abertura dos arquivos da ditadura não pode ter restrições
RENATA GIRALDIda Folha Online, em Brasília
O presidente da CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou nesta sexta-feira que é necessário abrir os arquivos da ditadura para que os fatos ocorridos no período militar não caiam no esquecimento. Segundo o bispo, a revelação das informações contidas nesses documentos representará o "perdão verdadeiro e a reconciliação autêntica".
Ao contrário do que defendem setores do governo federal, o religioso é favorável que a abertura seja total sem restrições.
"Não podemos construir história acobertando fatos que fazem parte desta história. É assim que se revive e purifica a memória. Nós precisamos purificar a memória. E por isso precisamos trazer à tona fatos que mancharam a história. Mas para purificá-la [a alma] é preciso trazer à tona esses fatos", disse
Nesta sexta-feira o ministro interino Luís Paulo Teles Barreto (Justiça) afirmou que em poucos dias serão definidos os critérios para a abertura dos arquivos da ditadura. Mas ele avisou que documentos apontados como secretos e ultra-secretos serão preservados da revelação pública.
"Para que haja o perdão verdadeiro e a reconciliação autêntica, é preciso também que os fatos venham à tona e muita coisa do que ocorreu nos bastidores cruéis da tortura. É preciso que [esses fatos] sejam recordados e não se apaguem da memória", disse dom Lyrio Rocha.
Em seguida, o presidente da CNBB afirmou: "Para que se percebam responsabilidades e que se chegue a uma clareza maior, sobretudo, sobre os que foram torturados, mortos e depois, totalmente desaparecidos. [Este] é um outro capítulo que é preciso ser considerado".
Para dom Lyrio Rocha, a abertura dos arquivos vai colaborar para construção da história brasileira apesar de episódios tristes e dolorosos. "A abertura dos arquivos vai ajudar a elucidar muitas questões e trazer à lume essa página dolorosa e triste da história", disse ele.
Comissão de Anistia aprova indenização para ex-ministro Nilmário Miranda e mais 11
26/09/2008 - 21h24
Comissão de Anistia aprova indenização para ex-ministro Nilmário Miranda e mais 11
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça, aprovou nesta sexta-feira o pagamento de indenização a 12 anistiados do período da ditadura militar, entre eles o ex-ministro Nilmário Miranda (Direitos Humanos).
O julgamento, que durou mais de oito horas, integra a chamada "Caravana da Anistia", uma espécie de "mutirão" para julgar processos de anistiados políticos.
Depois de um dia de trabalhos, os últimos quatro anistiados que tiveram os processos aprovados pela comissão foram Alípio de Freitas, Roberto Mendes, Ruy Frasão e Elia Meneses Rola. Freitas, ex-padre de nacionalidade portuguesa, foi preso em 1963 sob acusação de praticar atividades subversivas. Chegou a ser exilado no México depois de ser preso. O religioso vai receber o total de R$ 651 mil, retroativos a abril de 1997, além de remuneração mensal de R$ 4,3 mil.
Mendes, ex-militante do MEB (Movimento de Educação de Base), acabou dispensado de suas funções no movimento por suspeita de subversão. A comissão decidiu pagar o salário mensal de R$ 4,1 mil, além de R$ 613 mil retroativos. Elia Meneses, que foi atuante na política estudantil do Ceará na década de 60, presa e torturada na ditadura, conquistou o direito de substituir a aposentadoria especial pelo regime de prestação mensal dos anistiados, com a diferença mensal de R$ 277 --além do pagamento retroativo de R$ 72 mil.
Já Ruy Frasão, militante da Juventude Universitária Católica em 1961, foi preso e torturado em 1964, quando era estudante da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco. O estudante foi preso em 1974 em Petrolina (PE) e nunca mais localizado. O estudante teve sua condição de anistiado ratificada pela comissão.
Ex-ministro
A comissão decidiu pagar ao petista Nilmário Miranda o valor de R$ 99,6 mil em parcela única pelo reconhecimento do Estado como vítima da ditadura quando esteve preso, foi torturado e partiu para o exílio. Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Nilmário solicitou à comissão que seu processo fosse analisado depois de ele deixar o governo federal.
Nos anos de ditadura, o petista era militante na cidade de Teófilo Otoni (MG) e Juiz de Fora (MG), ligado à Igreja Católica, depois mudou-se para Belo Horizonte (MG), onde manteve a atuação política.
A comissão ainda julgou hoje outros oito casos de Marcelo Pinto Cavalheira, arcebispo emérito da Igreja Católica na Paraíba; de Eliana Bellini Rolemberg, diretora-executiva da Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço); de Frederick Morris, conhecido como pastor Fred; de Alanir Cardoso, que foi preso e torturado com o pastor Fred, militante ligado à AP (Ação Popular).
Já o processo de Maria Emília Lisboa Pacheco, assessora da Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), não obteve consenso e houve pedido de vista para que uma nova análise seja realizada.
Presentes na sessão, as freiras Helena Soares Melo e Helder Soares também tiveram seus processos aprovados e receberão indenizações. As religiosas foram presas, na região do Araguaia (PA), na companhia do padre Peter John Mc Carthy --que também teve o processo aprovado hoje.
A Caravana da Anistia já foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), em São Paulo (SP), em Curitiba (PR), em Goiânia (GO), em Caxias do Sul (RS), em Salvador (BA), em Maceió (AL) e em São Bernardo do Campo (SP).
Comissão anistia seis estudantes presos no Congresso da UNE de 1968
COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: O Estado age certo ao indenizar as pessoas que sofreram perseguições e perdas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-85). Agora, a indenização de dezenas de milhões de reais para a construção da sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) - que o Estado não pode ser indicado como autor daquele atentado e sim a sociedade civil organizada - será um tapa na cara daqueles e daquelas que lutam para que a memória do movimento estudantil venha a tona. Não há duplicidade quando se trata de recursos públicos. Só falta a entidade - comandada pelo PC do B a 21 e anos - pedir mais dinheiro para seu projeto pessoal, levando-se em consideração que os recursos bancados pela Petrobras para a reconstituição da história da UNE foi desviado para a propaganda do Partido Comunista do Brasil (PC do B), a União Juventude Socialista (UJS) e a propanda pessoal dos últimos presidentes da UNE vindos da UJS (De Lindberg Farias a Gustavo Petta). Utilizaremos todos os foruns de direitos humanos nacionais e internacionais para denunciar tal atentado ao INTERESSE PÚBLICO e o desserviço à memória do país caso o Governo Lula pague a conta do prédio de 13 andares para a União Juventude Socialista (UJS) do PC do B.
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u454881.shtml
10/10/2008 - 18h41
Comissão anistia seis estudantes presos no Congresso da UNE de 1968
CAMILA NEUMAMcolaboração para a Folha Online
A Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça, aprovou nesta sexta-feira o pagamento de indenização a seis estudantes perseguidos no período da ditadura militar. Os ex-estudantes Américo Antônio Flores Nicolatti, José Miguel Martins Veloso, Luiz Felipe Ratton Mascarenhas, Marcos de Aguiar e o casal Darci Gil de Oliveira Boschiero e João Mauro Boschiero foram anistiados após terem sido presos durante o congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), em Ibiúna (SP), em 1968, e terem seus direitos políticos cassados.
Durante o congresso de 1968, mais de 700 estudantes secundaristas e universitários foram presos, e muitos deles, depois da prisão, perderam o ano de estudos, o emprego, foram torturados e até mortos pelos órgãos repressores da época.
O evento contou com a presença dos ministros Tarso Genro (Justiça), Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Franklin Martins (Comunicação Social), além do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, do secretário adjunto da Cultura do Estado de São Paulo, Ronaldo Bianchi, e da presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
Segundo Tarso, o evento é um marco na história do país e é feito para dar dignidade aos ex-militantes políticos da época. O ministro recordou, que só não estava no congresso de Ibiúna que foi desmantelado pela polícia, pois já havia sido preso em um congresso anterior.
"Lembro como se fosse hoje porque eu ia nesse congresso. Mas não fui porque fui preso no congresso anterior, e eu já estava respondendo meu primeiro processo na Justiça Militar de Juiz de Fora (MG). Fiquei feliz por não ter ido e frustado porque o congresso caiu", assumiu.
Anistiados
Américo Antônio Flores Nicolatti, então aluno de direito da Universidade Mackenzie, foi preso durante o congresso de Ibiúna e teve sua matrícula suspensa, podendo retornar aos estudos apenas em 1988 com o nova Constituição. Nicolatti foi anistiado e recebeu hoje o direito a indenização de 150 salários mínimos, em prestação única, por cinco anos de perseguição política.
Luiz Felipe Ratton Mascarenhas pertenceu à Ordem dos Frades Dominicanos entre 1965 e 1972. Aluno de filosofia na USP (Universidade de São Paulo) à época, foi preso durante o congresso de Ibiúna e entrou para a clandestinidade, exilando-se no Chile. Para ele, a comissão decidiu pagar em prestação única o valor de R$ 100 mil. O valor bate com o teto de quem não tinha vínculo de trabalho na época.
A ex-militante Darci Gil de Oliveira Boschiero, que cursava psicologia e filosofia na USP, foi torturada em 1969 após ser presa pela polícia e levada para a OBAN (Operação Bandeirantes). Para fugir do regime militar, viveu na clandestinidade no Recife, se exilou na Argentina, no Peru, e na França, com status de refugiada. Teve sua prisão preventiva decretada no Brasil, mesmo após a promulgação da Lei de Anistia, em 1979, motivo pelo qual pôde retornar ao Brasil apenas em 1985, após quase 15 anos de exílio. De acordo com a decisão da Comissão de Anistia, Darci Gil receberá R$100 mil em prestação única.
Seu marido, João Mauro Boschiero, era estudante de Engenharia da USP e militante da ALN (Aliança Nacional Libertadora), quando foi preso e torturado pela polícia na OBAN. Viveu na clandestinidade no Recife e refugiou-se na Venezuela. Por ter conseguido comprovar vínculo de trabalho na época, Boschiero receberá pensão mensal de R$ 2.000, além de R$ 190.933,33 retroativos.
O estudante Marcos de Aguiar receberá indenização de R$ 2.000, mais R$ 428.533,33 retroativos.
O então estudante de Matemática da USP, José Miguel Martins Veloso, receberá indenização de 240 salários mínimos, devido sua prisão no Congresso de Ibiúna e exílio no Chile, onde concluiu sua graduação na Universidade Técnica do Estado, para fugir do regime.
Bolsa ditadura
O ministro Franklin Martins, o ex-ministro José Dirceu, o deputado federal, José Genoino (PT) e o ex-presidente da UNE, eleito no congresso de Ibiúna, Jean Marc von der Weid, também participaram do evento. Todos, exceto Genoino, estavam no congresso e foram presos. Ex-adversários políticos, Weid e Dirceu disputavam a cadeira de presidente da UNE no congresso --Weid venceu.
"Ibiúna foi para nós uma das demonstrações de democracia do movimento estudantil, mesmo durante a repressão", disse Weid. O candidato então derrotado, José Dirceu, também tem boas recordações da época."Tenho saudades dessa época", disse Dirceu.
Weid contestou o termo "bolsa ditadura" usado para criticar indenizações milionárias, como a do cartunista Ziraldo, que recebeu indenização de R$ 1 milhão.
"É um termo usado pela direita que não quer assumir o que fez e busca desmoralizar os combatentes daquela época", afirmou Weid.
Brizola deve ser declarado anistiado político pelo governo nesta segunda-feira
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u455533.shtml
13/10/2008 - 11h50
Brizola deve ser declarado anistiado político pelo governo nesta segunda-feira
RENATA GIRALDIGABRIELA GUERREIROda Folha Online, em Brasília
Após quatro anos de morte, o ex-governador Leonel Brizola deverá ser declarado anistiado político pelo governo federal. O pedido de declaração será analisado na tarde desta segunda-feira durante reunião da Comissão Nacional de Anistia, ligada ao Ministério da Justiça. No pedido, elaborado por Marília Guilhermina Martins Pinheiro, viúva de Brizola, ela não pede reparação política (pagamento de indenização à União).
No entanto, Marília Pinheiro pede que o tempo que ela acompanhou Brizola no exterior --cerca de 15 anos fora do Brasil-- seja considerado para efeitos de aposentadoria.
De acordo com assessores da comissão, o Estado do Rio é que deverá ter um ônus para o pagamento extra, uma vez que a viúva já é aposentada (do Estado) e recebe benefícios.
Segundo assessores, o processo da viúva de Brizola foi apreciado de forma bastante rápida, uma vez que ela deu entrada em dezembro do ano passado.
O processo de Brizola é relatado pela conselheira Roberta Baggio e está sendo tratado pela Comissão Nacional de Anistia como um caso simbólico. Tanto é que a cerimônia de anúncio da declaração dada ao ex-governador após sua morte será realizada em Porto Alegre (RS), na próxima sexta-feira, com a presença do ministro Tarso Genro (Justiça).
Em Porto Alegre, Tarso assinará a portaria em que o governo federal declara Brizola como anistiado político. A solenidade será uma homenagem ao ex-governador, que iniciou sua história política no Rio Grande do Sul.
De acordo com assessores da comissão, pedidos como o da viúva de Brizola são freqüentes e há jurisprudência. Segundo eles, o órgão deve reconhecer como contagem de tempo para efeitos de aposentadoria o período vivido pelo ex-governador e sua companheira.
CHAMADA DE ARTIGOS - DOSSIÊ “ESQUERDAS E CULTURA”
CHAMADA DE ARTIGOS - DOSSIÊ “ESQUERDAS E CULTURA”
As esquerdas como objeto de estudo e pesquisa têm sua relevância , sobretudo nas Ciências Sociais , Sociologia e História . A partir do enfoque da oposição política , da organização partidária ou da articulação de movimentos sociais , as esquerdas , de um modo geral , são representadas como agentes importantes na transformação do cenário político internacional durante todo século XX. Importância constatada tanto no seu protagonismo quanto no seu antagonismo , derivados dos conflitos de ordem ideológica que , via de regra , compuseram sua identidade social .
Entretanto , outras faces não menos importantes dessa representação , aos poucos , vêm ganhando contornos mais densos : a relação das organizações de esquerda com a cultura , e também a ação de artistas e intelectuais que têm afinidades com as esquerdas , sejam ou não militantes . Pesquisas que vêm se debruçando não apenas sobre a associação funcional entre cultura e política , mas que procuram entender a dinâmica da inserção nos espaços de produção cultural das esquerdas – e do seu temário correspondente –, bem como a atuação de intelectuais e artistas identificados com elas . Isto é, como determinadas organizações , instituições e entidades vinculadas às esquerdas políticas representam a si mesmas nos circuitos artísticos e culturais, e como se dá a identificação individual ou coletiva com elas .
Isso , evidentemente , implica na consideração detalhada de práticas , manifestos , obras , intervenções públicas de intelectuais e artistas que buscam representar seus ideais políticos por meio do vetor cultural ( mercado , mecenato , políticas culturais, instituições etc.) e que ao mesmo tempo modificam a própria estrutura de produção e circulação cultural.
A problemática da (des) organização e produção da cultura , além do papel de artistas e intelectuais de esquerda nos circuitos culturais, seja no exercício do poder ou na oposição , são temas centrais neste dossiê “ Esquerdas e cultura ”, com intuito de reunir contribuições de docentes e pesquisadores envolvidos com este tema .
A data limite para envio dos artigos é 20 de dezembro de 2008. Estes devem ser encaminhados a Rodrigo Czajka, através do e-mail rodrigoczajka@yahoo.com.br.
Rodrigo Czajka e Marcelo Ridenti ( organizadores )
Normas para Publicação – Revista Temáticas
A Revista Temáticas é uma publicação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). A Temáticas (ISSN 1413-2486) possui índice “B”, classificação QUALIS estabelecida pela CAPES. Prioritariamente, os trabalhos devem ser redigidos em português ou em espanhol . O Resumo e os Unitermos, que precedem o texto , escritos no idioma do artigo , os que sucedem o texto , em inglês (Abstract/Keywords).
É permitida a reprodução parcial ou total dos trabalhos da Revista TEMÁTICAS em outras publicações ou sua tradução para outro idioma , desde que citada a fonte original .
PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS
Apresentação: Os trabalhos devem ser apresentados em disquete e acompanhados dos printers (3 cópias impressas, fiéis do disquete , sendo 2 cópias sem nome do autor do texto ), em um dos seguintes programas : Word 6.0 ou superior , não devendo exceder 8.000 palavras . O Conselho Editorial se reserva o direito de não considerar a publicação de trabalhos que ultrapassem os limites estabelecidos. Sem a obediência das normas , o texto não será publicado.Estrutura do trabalho: Os trabalhos devem obedecer à seguinte seqüência : folha de rosto com Título ; Autor (es) ( por extenso e apenas o sobrenome em maiúscula ); programa e área aos quais está(ão) vinculado(s), vínculo docente , endereço residencial e telefone para contato ; no corpo do texto : Título , Resumo ( com máximo de 200 palavras ); Unitermos ( com até 7 palavras tiradas do Thesaurus da área , quando houver); Texto ; Abstract e Keywords ( versão para o inglês do Resumo e Unitermos); Referências Bibliográficas ( trabalhos citados no texto ), Bibliografia ( indicar obras consultadas ou recomendadas, não referenciadas no texto , se houver).
Referências Bibliográficas: Devem ser dispostas em ordem alfabética pelo sobrenome do primeiro autor e seguir a NBR 6023 da ABNT.
Abreviaturas: Os títulos de periódicos deverão ser abreviados conforme o Current Contents.Exemplos :
Livros e outras monografias:
FIGUEIREDO, A.C., FIGUEIREDO, M. O plebiscito e as formas de governo . 2. ed. São Paulo: Brasiliense , 1993, 98 p.
Capítulos de livros:
JOHNSON, W. Palavras e não palavras . In: STEINBERG, C.S. Meios de comunicação de massa . São Paulo: Cultrix, 1972, p.47-66.
Dissertações e teses:
BITENCOURT, C.M.F. Pátria , Civilização e Trabalho . O ensino nas escolas paulistas (1917-1939). São Paulo, 1988. Dissertação ( Mestrado em História ) - Faculdade de Filosofia , Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.
Artigos de periódicos:
LESSA, S. Lukács: Trabalho , objetivação , alienação . Trans/Form/ Ação , São Paulo, v.15, p.39-51, 1992.
Citação no texto: O autor deve ser citado entre parênteses pelo sobrenome , separado por vírgula da data de publicação, por exemplo , ( Torres , 1978). Se o nome do autor estiver citado no texto , indica-se apenas a data entre parênteses : “ Segundo Schaff (1992)...” Quando for necessário especificar página (s), esta(s) deverá(ão) seguir a data , separada(s) por vírgula e precedida(s) de p. (Delouya, 1994, p.54). As citações de diversas obras de um mesmo autor , publicadas no mesmo ano , devem ser discriminadas por letras minúsculas após a data , sem espacejamento (Marx, 1984a) (Marx, 1984b). Quando a obra tiver dois autores , ambos são indicados, ligados por & (Lamounier & Meneguello, 1986) e quando tiver três ou mais , indica-se o primeiro seguido de et al. (Weffort et al., 1988).
Notas: Devem ser reduzidas ao mínimo e colocadas no pé de página . As remissões para o rodapé devem ser feitas por números arábicos , na entrelinha superior .
As opiniões e conceitos emitidos nos trabalhos , bem como a exatidão das referências bibliográficas, são de inteira responsabilidade dos autores .
RESENHAS E TRADUÇÕESAs resenhas devem seguir o padrão de publicação de Temáticas contendo no máximo 3000 palavras .
Mensagem aos amigos(as), especialmente os(as) das comunidades universitária e científica:
FONTE: Mail do Prof. Lauro Morhy
Mensagem aos amigos(as), especialmente os(as) das comunidades universitária e científica:
1.)Na sexta-feira última (10/10/08) um jornal local publicou uma reportagem sobre a UnB-CESPE (conteúdo essencialmente já antes publicado), focalizando precipitadamente apurações em andamento ou sub-judice.
2.)Quanto à informação de que recebi R$28,9 mil “por serviços prestados ao CESPE” informo que é FALSA ! Essa importância foi recebida da CAPES (BOLSA BAP), que muito me ajudou em atividades de ensino/pesquisa, ao longo de pouco mais de dois anos (ca. de R$1.100,00/mês), a partir de 1996. Estas informações podem ser encontradas nos meus registros funcionais no SIAFI. A cópia desses registros está em meu poder e à disposição da Reitoria da UnB, às autoridades competentes, ao nosso sindicato e aos amigos(as) que desejarem vê-la.
3.)Quanto a outras denúncias volto a informar que ao longo da minha gestão como Reitor da UnB nunca recebí pagamentos do CESPE ou de Fundações de Apoio; nunca usei cartão corporativo; nunca morei em imóvel da FUB/UnB; nunca contratei parentes; não fui e nem sou membro de Fundação de Apoio; sempre cumpri com os meus deveres junto à Comissão de Ética Pública; não sou questionado por apropriação de dinheiro público; sempre recomendei e promovi a transparência (criamos o Portal da UnB, Anuário Estatístico, Planos Anual e Quinquenal, Plano de Desenvolvimento Institucional, Relatórios e o máximo de informações na INTERNET). Convênios e Contratos assinados tiveram normalmente recomendações jurídicas, principalmente das instituições financiadoras, foram e são auditados pelo TCU, respeitável instituição de controle de contas.
4.)Observo que, até antes da minha primeira gestão, o País trabalhava sob outros padrões de gestão e controle, razão pela qual os gestores e as instituições eram raramente questionados. As exigências aumentaram nos últimos anos do século passado, mas o apoio aos executivos não. Sempre houve carência de pessoal e de recursos em geral, obrigando os executivos a iniciativas de superação das dificuldades, buscando recursos em outras fontes públicas e privadas. As contas da instituição, entretanto, sempre estiveram abertas ao sistema de controle oficial. Trabalhamos sempre com grande dedicação e todo empenho, em favor da UnB, da educação superior, da pesquisa científica e buscando interagir e servir à sociedade. Descompassos em relação a Fundações de Apoio e ONGs em geral, resultantes, em grande parte, da falta de uma base legal regulamentadora, executora e controladora institucional mais afinada com a realidade, levaram a situações hoje questionadas pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle em geral. Questionamentos semelhantes atingiram e atingem numerosas instituições públicas, sobretudo as que tiveram mais iniciativas. É necessário distinguir e corrigir o que saiu do rigor da Lei, o que foi de boa fé e o que foi doloso. E isso não poderá ser feito em Tribunais de Exceção fora do âmbito da Justiça. O nosso período foi de grandes atividades e expansão da FUB/UnB em todos os sentidos. Não houve acomodação; a instituição esteve à frente (inclusive no Provão, nas atividades científicas, na extensão, nos serviços à sociedade), teve importantes resultados, mais do que seria de se esperar, levando-se em conta que pagou o preço do período da redução do Estado, das mudanças mundiais com o neoliberalismo, das políticas educacionais restritivas, com graves indefinições e adiamentos na educação superior.
5.)Não se deve aceitar a prática repressora de se colocar todos no mesmo caldeirão do crime que fervilha no país e em todo mundo. Pessoas que trabalham com seriedade e respeito devem ser preservadas, até porque tendem a ser poucas, e porque precisamos acreditar que ainda vale a pena ser honesto!!! Seria uma grande injustiça e decepção a comunidade aceitar que a UnB não teve resultados importantes nas nossas gestões, muito além dos que referem “notícias” claramente tendenciosas que estão escondendo e sonegando a VERDADE. É não querer ver a clara realidade, os próprios fatos e resultados alcançados, apesar de tantas dificuldades !
6.)Finalmente, quanto à notícia divulgada em 19/set/2008 por um jornal local, “Prejuízo de R$748mil em fraude”, sobre lamentáveis ações de servidores da SRH no período 1996-2000, devo lembrar que, em minha gestão, após sindicância que instauramos e os procedimentos legais subsequentes, com direito de defesa, esses servidores foram por mim demitidos. O que fiz com muito pesar, pelos fatos e pelas pessoas. Tudo com o conhecimento da comunidade e os devidos cuidados com a imagem da UnB.
Brasília, 13/10/2008
Lauro Morhy
No Rio, Gabeira assina carta contra a homofobia
13/10/2008 - 10h36
No Rio, Gabeira assina carta contra a homofobia
colaboração para a Folha, no Rio
O candidato do PV à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira, assinou ontem Carta Compromisso por um Rio sem Homofobia, elaborada pelos organizadores da 13ª Parada do Orgulho LGBT Rio (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). O evento foi realizado na tarde de ontem na avenida Atlântica, em Copacabana (zona sul).
Segundo o documento, o candidato se compromete, entre outras coisas, a criar, no primeiro ano de governo, uma Coordenadoria de Defesa, Promoção e Garantia de Direitos LGBT e uma unidade de execução de políticas públicas específicas para a comunidade.
Gabeira disse ainda que "a prefeitura reconhecerá a união civil de pessoas do mesmo sexo para efeitos de pagamento de pensão e benefícios decorrentes" aos servidores do município. Prometeu também dar prosseguimento ao projeto Damas, de apoio à inserção de travestis no mercado de trabalho. Gabeira assinou o documento, mas não participou da parada.
Já Eduardo Paes, candidato do PMDB, foi representado por Carlos Alberto Muniz, vice de sua chapa. Paes disse que passaria o dia se preparando para o debate que aconteceria na noite de ontem. Muniz também assinou a carta-compromisso.
No evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, evitou falar sobre o segundo turno carioca. Minutos depois, o governador Sérgio Cabral (PMDB) declarou: "Aguardem amanhã no horário nobre", dando a entender que Minc deve declarar apoio a Paes.
Manifestantes fizeram discurso saudando os cariocas por terem rejeitado a homofobia, menção velada ao senador Marcelo Crivella (PRB), derrotado na eleição, que se manifestou contra a lei que criminaliza a discriminação.
Juiz Baltasar Garzón hoje no Roda Viva
COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: O Juiz poderá esclarecer muitas farsas visando celebrar o esquecimento das ditaduras na América Latina.
FONTE: TV CULTURA
Roda Viva - segunda-feira, 13 de outubro de 2008 às 22h10
Baltasar Garzón
juiz espanhol
Desde 1988, Baltasar Garzón é um dos seis juízes da Audiência Nacional da Espanha que investigam crimes internacionais, inclusive os ocorridos fora do território espanhol, baseado no princípio de Justiça Penal Universal. Ele atua no combate ao narcotráfico, terrorismo, lavagem de dinheiro e delinqüência econômica organizada.O convida do dessa semana do programa Roda Viva ficou conhecido no mundo como o juiz que mandou prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, mas Baltasar Garzón também investigou a participação de militares argentinos no desaparecimento de cidadãos espanhóis durante a ditadura no país e coleciona inimigos, que renderam a ele inúmeras ameaças de morte. Na Espanha, ele mandou prender terroristas do ETA e perseguidores do grupo separatista basco. Em 2001, Baltasar Garzón envolveu-se eu outro caso polêmico ao pedir permissão ao Conselho da Europa para processar o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Em janeiro de 2003, ele declarou-se contra a Guerra do Iraque e criticou o governo dos Estados Unidos de violação dos direitos humanos pela detenção ilegal de suspeitos de pertencerem ao grupo terrorista Al Qaeda na Base de Guantánamo, em Cuba.Participam como convidados entrevistadores: Cláudia Antunes, editora do caderno Mundo, do jornal Folha de S. Pau lo; Wálter Maierovitch, desembargador aposentado, presidente do Instituto Giovanni Falcone; Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S. Paulo; Jan Rocha, jornalista, ex-correspondente da BBC e do jornal inglês The Guardian no Brasil, e uma das fundadoras do Grupo de Direitos Humanos Clamor.Apresentação: Lillian Witte Fibe
Transmissão especial pela internet, a partir das 22:00.
Ainda as melhores universidades do mundo

Jacques Marcovitch foi conferir, e viu que eu tinha usado os dados de 2007, e não de 2008, na nota sobre o ranking do THES (era o que aparecia no site do THES). A posição das quatro principais universidades latinoamericanas - USP, Unicamp, Universidade de Buenos Aires e Universidade Nacional do México - de 2006 a 2008 é a do quadro abaixo. A UNICAMP aparecia perto da USP em 2007, mas está fora da lista de 200 em 2008, e a Universidade de Buenos Aires, que aparece em 2008, estava até então fora da lista das 200 mais.
Estas enormes variações mostram que algo está errado - as universidades não mudam tanto de ano para ano. Marcovitch acredita que possa haver um problema com a amostra, mas me parece que a principal explicação metodológica é que as diferenças entre as instituições devem ser pequenas, elas devem estar agrupadas em grandes blocos, mas se distanciam quando são ordenadas sequencialmente, perdendo a informação sobre as distâncias (um erro clássico de má transformação de diferentes níveis de medida).
Além disto, claro, estão os critérios utilizados, e os pesos que são dados a cada um dos fatores, que podem ser questionados. Não dá para tomar estes números a ferro e fogo, mas eles confirmam que mesmo as melhores universidades da região estão longe de participar do clube seleto das universidades de padrão internacional.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Diferença entre prefeito mais jovem eleito e o mais velho é de 70 anos, diz TSE
7/10/2008 - 19h13
Diferença entre prefeito mais jovem eleito e o mais velho é de 70 anos, diz TSE
da Folha Online
Eleito prefeito de Faina (GO) aos 20 anos, Caio Vellasco de Castro Curado (PMDB) é o candidato mais jovem a vencer as eleições municipais deste ano, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No outro extremo, está o prefeito de Uraí (PR), Susumo Itimura (PSDB), reeleito no último domingo (5) no auge dos seus 90 anos de idade.
Ao todo, 70 anos, cerca de 1.080 km, e quase 14 horas de viagem de carro separam o mais jovem e o mais idoso prefeito eleito. Enquanto Itimura foi eleito com 2.222 votos --ou 49,29% dos votos válidos no município--, o prefeito eleito de Faina teve 1.881 votos, ou o equivalente a 37,04% do total de votos válidos.
Reprodução
70 anos separam Itimura, 90, do mais jovem prefeito eleito do Brasil
Apesar da conquista, por pouco o jovem Curado perde o direito de exercer o mandato. Isso porque, a idade mínima para exercer o cargo de prefeito é de 21 anos, segundo prevê a Constituição Federal. Por sorte, o novo prefeito faz aniversário no dia 25 de dezembro, ou seja, terá idade suficiente antes da data da posse, conforme prevê a Lei das Eleições.
De acordo com o TSE, dos 783 candidatos com idade superior a 65 anos, 205 foram eleitos em todo o país. Já entre os 122 candidatos com idade inferior a 25 anos, 31 foram escolhidos pela maioria dos eleitores. Porém, mais de 70% dos candidatos eleitos têm entre 36 e 55 anos de idade.
Vereador
Aos 17 anos de idade, Renan Medeiro Venceslau (PT), de Aspácia (SP), é o mais jovem vereador eleito no Brasil. Assim como Curado, Venceslau completa 18 anos antes do dia da posse, idade mínima exigida para assumir a vaga de vereador.
Já Antônio Ferreira da Silva (PSDB), 89, é o vereador mais idoso entre os eleitos em 2008, e assumirá uma vaga na Câmara Municipal de Cedro (CE). Segundo o TSE, 791 vereadores eleitos no país tem idade superior a 65 anos, o equivalente a 1,52% do total.
Oscar Niemeyer declara apoio a Gabeira e diz que Lula fará o mesmo
09/10/2008 - 18h23
Oscar Niemeyer declara apoio a Gabeira e diz que Lula fará o mesmo
ANDRÉ ZAHAR
colaboração para a Folha Online, no Rio
O arquiteto Oscar Niemeyer, 100, manifestou nesta quinta-feira apoio ao candidato a prefeito do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (PV), que disputa o cargo com Eduardo Paes (PMDB). Os dois se reuniram na residência de Niemeyer, na avenida Atlântica. O arquiteto arriscou dizer que que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiará o candidato do PV, embora o PT tenha fechado aliança com Paes.
"O Gabeira é mais coerente e mais sensível aos problemas do Rio de Janeiro. Ele sempre lutou a vida dele ao lado do povo, e é essa gente que interessa. Ele ganha facilmente esta eleição", disse Niemeyer, que no primeiro turno gravou declaração de apoio para Jandira Feghali (PC do B).
O arquiteto disse que Lula "está ao lado do povo" e vai apoiar o candidato "porque o Gabeira sempre lutou por isso [pelo povo]". Niemeyer também minimizou à oposição de Gabeira ao presidente e sua aliança com o PSDB. "Ele explicou muito bem. Não se aliou aos partidos, procurou o caminho certo e necessário para levar esse país para frente neste período tão difícil".
Os dois tiveram uma reunião reservada por cerca de 20 minutos. Após o encontro, Niemeyer disse que apenas "queria ouvir Gabeira falar". O candidato, porém, narrou conversas sobre a avenida Perimetral, no centro do Rio, e disse contar com Niemeyer para fazer o projeto de um centro para idosos em Copacabana.
"Niemeyer é um dos maiores arquitetos do mundo e sem dúvida o maior da história do Brasil. Quando você trata de uma grande cidade, um grande arquiteto conhece o coração da metrópole. É uma pessoa que nos entusiasma com o apoio e uma pessoa que podemos consultar em caso de dificuldade na cidade", disse Gabeira.
O candidato do PV também brincou com o fato de exercer o mandato de deputado federal em um prédio desenhado pelo arquiteto. "Eu não consigo me separar dele. Há 14 anos trabalho num lugar que ele construiu", afirmou.
Justiça de São Paulo declara ex-comandante do DOI-Codi responsável por tortura
09/10/2008 - 16h59
Justiça de São Paulo declara ex-comandante do DOI-Codi responsável por tortura
da Folha Online
A Justiça de São Paulo declarou o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra responsável pela prática de tortura em três pessoas durante o regime militar. Ustra comandou o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) de São Paulo na época da ditadura.
A decisão é do juiz Gustavo Santini Teodoro, 23ª Vara Cível de São Paulo, que julgou procedente ação declaratória apresentada por César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida.
"Julgo procedente o pedido formulado pelos autores César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida, para declarar que entre eles e o réu Carlos Alberto Brilhante Ustra existe relação jurídica de responsabilidade civil, nascida da prática de ato ilícito, gerador de danos morais", diz Teodoro na sentença.
A ação não julga crime nem indenização, mas uma declaração sobre a participação do coronel na prática de tortura.
Ao contestar a ação, o coronel negou a prática de tortura e pediu a extinção do processo ou a improcedência da ação. Ressaltou ainda a falta de interesse processual, uma vez que foi beneficiado pela Leia da Anistia.
A reportagem não localizou os advogados de Ustra para comentar a decisão, que ainda cabe recurso.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
OCUPAÇÃO DA REITORIA - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
FONTE:lista de e-mails
Coordenador de política eleito no XII-ENNECE
Elielson Lima Aquino -UFRB
Car@s coleg@s moradores de casas nos moradores participante da Ocupação da Reitoria da UFRB gostaríamos de contar com moções de apoio a nossas pautas em anexo para fortalecer mais nosso movimento reivindicativo, aguardo a posição de vocês.
OCUPAÇÃO DA REITORIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
À REITORIA
Nós, estudantes da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA dos Centros de Cachoeira e Cruz das Almas ocupamos desde a tarde do dia 26 de setembro a reitoria da UNIVERSIDADE e temos na pauta, as seguintes reivindicações.
1) ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL E POLÍTICAS DE PERMANÊNCIA;
a) Residências provisórias imediatas, com prazo determinado de entrega das residências definitivas em todos os centros;
b) Restaurantes Universitários (R.U.) provisórios imediatos em todos os campi que ainda não os têm, abertos a toda comunidade acadêmica, com preço popular e gratuito para os estudantes contemplados com o auxílio pecuniário, para os residentes e para os assistidos pela modalidade “Auxílio Alimentação”. Construção dos restaurantes nos centros com prazo determinado;
c) Ampliação e reestruturação do restaurante de Cruz das Almas para que atenda a toda comunidade acadêmica nos mesmos moldes dos R.U.s que serão criados nos demais centros.
d) Assistência médica especializada, apoio psicológico e odontológico para TODOS os estudantes e construção do Hospital Universitário;
e) Aumento de 33% do valor de todas as modalidades de bolsa de assistência, exceto da modalidade “Auxílio Pecuniário”. Aumento da quantidade de todas as bolsas; E que a distribuição dessas bolsas seja proporcional ao número de alunos em cada centro e que as bolsas que sobrarem (não preenchidas) sejam redistribuídas, também de forma proporcional, entre os outros centros;
f) Fechar convênio com as Prefeituras onde existe campus para ter suporte de Creche para estudantes e funcionários, até que a creche da UFRB seja construída;
g) Ampliação da circulação do ônibus do campus de Cruz das Almas para o centro da cidade abrangendo todos os horários de aula;
h) Que se prorroguem os prazos de inscrição para o processo de seleção dos bolsistas e para trancamento de matrícula, que devido à ocupação foram prejudicados;
i) Aumento do número de isentos da taxa de inscrição para o vestibular e que não seja cobrado nenhum valor pela solicitação da isenção da taxa supracitada.
j) Discutir com a PROPAAE o processo de seleção dos bolsistas
.
2) ADMINISTRAÇÃO POLÍTICA E FINANCEIRA;
a) Descentralizaçã o e transparência financeira, técnica, administrativa da Universidade, com prestação de contas, orçamento participativo detalhado e histórico do uso do dinheiro público pela UFRB;
b) De acordo com deliberação em Conselho de Entidade de Base (CEB), ter direito a voto no Conselho Universitário (CONSUNI) apenas detentores de cargos eletivos;
c) Os estudantes de todos os Centros deverão ter poder de voto no orçamento da PROPAAE, sendo ele participativo.
d) Audiências públicas sobre a avaliação e classificação da UFRB pelo MEC - 2008;
e) Eleição direta dos diretores de centro com eleições com paridade de votos (professor, estudantes e técnicos), respeitando a autonomia dos centros e que os estudantes possam avaliar as pró-reitorias, mudando-as de acordo com a avaliação.
f) Contratação de nutricionista para os RU’s, imediato para Cruz das Almas;
g) Aumento de Pesquisa e Extensão nos Campi, criando convênios com instituições, prioritariamente estatais e movimentos sociais, levando em consideração a autonomia da Universidade pública no direcionamento das pesquisas;
h) Abertura de licitações pelos centros, para outras empresas de fotocópia, sendo o dinheiro do aluguel destinado aos diretórios acadêmicos. Criar auxílio xérox, podendo participar qualquer estudante, bolsistas ou não;
i) A Universidade deverá ser responsável pela diária dos motoristas e combustível para as aulas de campo e eventos acadêmicos independente do dia em que ocorra;
j) Rediscutir o método de realização do vestibular com os corpos discente, docente e técnicos administrativos, com garantia de deliberação;
l) Que o ônibus para os eventos da UNE não seja prioridade;
m) Que a Universidade garanta a logística para a discussão do REUNI, dentro e fora da Universidade, e o ônibus com todos os custos pagos, para estar em Brasília no dia 12 de novembro, na Caravana de Revogação do REUNI.
n) Garantia de logística para atividades acadêmicas, culturais e políticas entre os campi, sempre quando for solicitado.
3) ESTRUTURAÇÃO DOS CAMPI;
a) Estrutura física adequada e de qualidade para o desenvolvimento das aulas práticas, como: Laboratórios de conservação, restauração, TV e rádio, microfilmagem, fotografia, Informática, anatomia, bioquímica, física, biologia, pedagogia, química, laboratório de reprodução, inseminação artificial, melhoramento genético, embriologia, biofísica e equipamentos (câmeras de vídeo, câmeras fotográficas, microscópio dentre outros);
b) Revitalização e expansão das estruturas físicas já existentes no CCAAB (granja, aviário, aprisco, eqüino, bovino e ovino) e compra de animais. Abastecer os RU’s estabelecendo convênio através do Programa de Aquisição de Alimentos da Conab e, posteriormente, com a produção do campus de Cruz das Almas com a sua revitalização e expansão das estruturas físicas, proporcionando condições de interação entre agricultores familiares da região e aulas práticas;
c) Mais livros, estantes e funcionários para as bibliotecas, que deverão funcionar das 8h às 23h nos centros que têm cursos noturnos. Autonomia para todas as bibliotecas e acesso garantido aos estudantes da UFRB independente do campus no qual estuda. Além da assinatura de periódicos e garantia de participação dos Diretórios Acadêmicos (D.A.) e Centros Acadêmicos (C.A.) na compra de livros, inclusive sugerindo títulos; Além da informatização das bibliotecas;
d) Planos de compensação realizado com os estudantes, para as disciplinas que não puderam ser realizadas por conta de déficits de equipamentos e/ou professores;
e) Criação de bolsas de monitoria e extensão, e aumento do número de bolsas de pesquisa;
f) Contratação de mais professores, técnicos e servidores, através de concurso, podendo ser contratados professores substitutos;
g) Transporte inter-campi para a execução de atividades acadêmicas adaptados para portadores de deficiência física;
h) Ampliação da segurança nos Centros, com a criação da Guarda Universitária da UFRB;
i) Acréscimo da Licenciatura para o curso de Ciências Sociais;
j) Construção imediata de ginásios poliesportivos em todos os centros;
k) Exoneração de Júlio César do cargo de Coordenador de Assuntos estudantis da PROPAAE;
l) Construção de um curso de línguas em TODOS os campi da UFRB;
m) Implantação imediata do Centro Pesqueiro em Valença, da Unidade Pesqueira Continental em Cruz das Almas para o desempenho pleno das atividades do curso de Engenharia de Pesca e aquisição do Barco Escola;
n) Que o jornal impresso das disciplinas Jornalismo Impresso I e II tenha o processo licitatório de impressão feito por, no mínimo, um ano.
o) Cumprimento da legislação ambiental no cuidado dos recursos naturais, e campanhas de conscientizaçã o ecológica nos campi da UFRB, Ex: Coleta Seletiva, Consumo Consciente, Reduzir os desperdícios.
p) Abertura imediata de licitação para construção do hospital veterinário juntamente com o canil e gatil assim como contratação dos técnicos específicos para os laboratórios;
q) Ampliação de centros informatizados com computadores para o uso dos estudantes nos centros;
r) Implantação do curso de Letras e de Artes no campus de Cachoeira;
s) Construção de laboratórios integrados com os gabinetes dos professores para os cursos;
t) Agilidade nos processos de construção dos prédios;
u) Implantação e expansão de telefonia pública nos Centros;
v) Criação do arquivo público de Cachoeira, em parceria com a Prefeitura;
w) Replanejamento do calendário acadêmico após o término da paralisação estudantil.
x) Implantação de chuveiros nos banheiros de todos os Centros;
y) Cobrar do corpo docente a atualização pedagógica através de cursos, bianualmente, com acompanhamento avaliativo por parte da PROGRAD.
z) Criação de um curso de nivelamento, optativo aos alunos, anterior ao início do primeiro semestre, para os cursos que apresentarem necessidade.
www.ocupacaoreitori aufrb.blogspot. com
Contatos: unidadecruz@ hotmail.com/ unidadedecachoei ra@hotmail. com
Doações: Maurício Quadros da Mota, Banco do Brasil, C/C 15.053-3, Ag. 3449-5.
lIVRO A invenção da adolescência no discurso psicopedagógico

Editora UNESP
Einstein para leigos no Ibirapuera
FONTE: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=5040&bd=2&pg=1&lg=
Einstein para leigos no Ibirapuera
Mesa-redonda e palestra no próximo fim de semana marcam início da programação cultural da exposição científica
Edição Online - 06/10/2008
Pesquisa FAPESP -
A exemplo do que ocorreu durante a exposição Revolução Genômica, a revista Pesquisa FAPESP e o Instituto Sangari organizam agora uma série de palestras e debates complementares à mostra científica Einstein, que está em cartaz até 14 de dezembro no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antiga sede do Prodam), em frente ao planetário, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em linguagem simples, acessível a um público amplo, físicos e especialistas de outras áreas – cinema, sociologia, filosofia, neurologia e história da ciência, entre outras – vão falar sobre as idéias de Albert Einstein e suas implicações em outros campos do saber.
Nas tardes de sábados, haverá mesas-redondas sobre o tema "O tempo em dois tempos". Nelas, um físico e um pesquisador das ciências humanas falam e conversarão sobre a noção do tempo e do espaço em suas especialidades. Nas manhãs de domingo, na série "Muito além da relatividade", físicos e escritores especializados em física do Brasil e do exterior abordarão aspectos pouco conhecidos da vida, do contexto histórico e da obra de Einstein. A entrada para as atividades da programação cultural, que ocorrem no auditório do pavilhão da exposição, é gratuita. A revista Pesquisa FAPESP e seu site farão cobertura intensiva das palestras.
Os primeiros eventos da programação cultural ocorrem no próximo fim de semana. Às 15h do sábado (11/10), há uma mesa-redonda que contará com a presença de Carlos Escobar e Peter Schulz, ambos físicos e professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Escobar falará sobre "O Difícil Legado de Einstein" e Schultz abordará o tema "Mudando o modo de ver o mundo: indivíduos e 'Zeitkontext' ou como o movimento Browniano modificou o modo de fazer ciência". A mesa-redonda será mediada por Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de S.Paulo, que lançará seu livro mais recente, "Ciência: use com cuidado" (Editora da Unicamp), após o evento. Às 11h do domingo (12/10), é a vez de Nelson Studart, físico e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), dar sua palestra, sobre "Einstein Inventor". Em apresentação, Carlos Escobar mostrará que Einstein, além de um trabalho que guia a física ainda hoje, deixou desafios científicos enormes: a idéia de um espaço/tempo dinâmico e a de que teorias podem ser formuladas por meio de argumentos de consistência interna, muitas vezes sem ser necessário que resultados experimentais sugiram caminhos específicos para sua formulação. Outro legado de Einstein diz respeito ao papel do cientista na sociedade. "Einstein nos deixou um padrão muito elevado de compromisso social, humanismo e espírito crítico que faz com que os cientistas hoje pareçam apenas pequenas peças numa grande máquina", diz Escobar. "Quem tem a grandeza intelectual e moral para rebelar-se contra isso?"
Autodenominado historiador totalmente amador, Peter Schulz contará como Einstein explicou um fenômeno observado 80 anos antes – o movimento browniano –, fundamental na verificação experimental da existência dos átomos, que ainda não era totalmente aceito no início do século XX. Schulz mostrará também como o contexto da época – o "Zeitkontext" do título da palestra – pode atrasar o desenvolvimento científico em geral e especificamente uma atividade ligada ao estudo do movimento browniano que amadureceu 80 anos mais tarde – a nanotecnologia. Nelson Studart mostrará que, além de inventor, Einstein foi engenheiro e consultor. Aos 15 anos já se envolvia na solução de problemas técnicos com engenheiros. Depois criou a "Maquininha" como ele chamava sua primeira e única tentativa de projetar um equipamento para testar sua teoria sobre o movimento browniano. Como consultor de uma empresa aeronáutica, a LGV, projetou uma asa para avião militar na Primeira Guerra Mundial. Para evitar o vazamento de gases tóxicos e reduzir o barulho dos refrigeradores da época, colaborou no desenvolvimento de um protótipo que foi construído em 1931 pela empresa AEG, mas a máquina nunca foi comercializada. Studart também apresentará as patentes requeridas por Einstein em colaboração com outros inventores de 1928 a 1936 – a última foi uma câmara fotográfica com intensidade de luz auto-ajustável.
Próximas palestras da programação cultural
Segue abaixo a lista provisória, que ainda pode sofrer alterações, das atividades culturais:
Sábados – O tempo em dois tempos
11/10
"O Difícil Legado de Einstein", com Carlos Escobar, físico e professor da Unicamp
"Mudando o modo de ver o mundo: indivíduos e ‘Zeitkontext’ ou como o movimento Browniano modificou o modo de fazer ciência", com Peter Schulz, físico e professor da Unicamp
Mediador: Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de S.Paulo
18/10
“O tempo do universo” - Roberto Martins, físico e professor da Unicamp
“O tempo no cinema”, Rubens Machado (a ser confirmado)
25/10
“O tempo nas sociedades humanas”, com Mauro Almeida, professor da Unicamp, e Olival Freire, professor da UFBA
01/11
“De Galileu a Einstein: do tempo da física ao tempo vivido” - Pablo Mariconda, filósofo e professor da USP.
“O tempo na filosofia” - Antônio Augusto Videira, professor da UERJ
8/11
“As contribuições e críticas de Einstein à física quântica” - Silvio Chibeni, físico e professor de filosofia da Unicamp.
“O tempo no teatro” - Sérgio de Carvalho, diretor teatral e professor da USP
15/11
“O tempo e a memória” - Martín Cammarota, biólogo e professor da PUC-RS
“Impactos da obra de Einstein no campo da Física Médica" - Roberto Covolan, físico e professor da Unicamp
22/11
“O tempo na educação” - Lino de Macedo, professor da Faculdade de Educação da USP, e Carmem Prado, física e professora da USP
29/11
Atividade a ser definida.
06/12
Tema em aberto - Yurij Castelfranchi, físico e pesquisador da Unicamp
13/12
Atividade a ser definida.
Domingos - Muito além da relatividade
12/10
“Einstein Inventor” - Nelson Studart, físico e professor da UFSCar
19/10
Tema em aberto - Carlos Alberto Santos, físico e professor da UFRGS
02/11
Em aberto.
09/11
“Einstein no Brasil” - Alfredo Tomalsquim, fisico e diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) do Rio de Janeiro
16/11
Tema em aberto - Gary Steigman, professor da Ohio State University, Estados Unidos
23/11
“Buracos Negros: rompendo os limtes da ficção” - George Matsas, físico e professor da Unesp
30/11
Como Einstein e Picasso inventaram o século XX - Arthur Miller, professor Emérito de história e filosofia da ciência do University College, Londres, autor de Einstein, Picasso: Space, Time, and the Beauty That Causes Havoc
07/12
“Einstein e a matéria” - Luiz Davidovich, físico e professor da UFRJ
14/12
Tema em aberto - Michel Paty, diretor de pesquisa emérito no Centre National de la Recherche Scientifique, França, e autor de A filosofia de Einstein
Ronald Rocha revela o PCdoB na UNE dos anos de Chumbo
24 DE SETEMBRO DE 2008 - 20h15
Ronald Rocha revela o PCdoB na UNE dos anos de Chumbo
O ano de 1968 entrou para história mundial como o ano da contestação juvenil. No Brasil as coisas não foram diferentes. Mas, quando se conta a história deste ano memorável e de suas lutas, geralmente esquecemos o papel desempenhado por inúmeras organizações revolucionárias, entre elas o PCdoB. Em entrevista ao historiador Augusto Buonicore, o vice-presidente da UNE entre 1969-1972, Ronald Rocha, conta as lacunas dessa historiografia.
Em qual escola você estudava e quando começou sua militância no movimento estudantil da Guanabara?
Ronald: Comecei a militar em Belo Horizonte, aos 19 anos, na Faculdade de Engenharia da atual UFMG, participando do processo eleitoral para o Diretório Acadêmico (DA) em 1962. Um ano depois, por motivos familiares, transferi-me para a então Escola Nacional de Engenharia (ENE), no Estado da Guanabara, onde me reintegrei ao movimento estudantil. Naquela época, ainda não era membro de nenhum partido. Em 1966 entrei na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI). Prossegui cursando, ao mesmo tempo, a especialização em Engenharia Econômica, que funcionava no Largo de São Francisco. Aconteceu nesse ano o meu engajamento definitivo na esquerda organizada, que nunca mais cessou.
Quais foram as razões que o levaram a ingressar no PCdoB e não em outra organização de esquerda? Sua entrada teve alguma relação com a incorporação da maioria revolucionária do Comitê Regional do PCB em 1968?
Ronald - Minha primeira militância partidariamente organizada começou, na verdade, no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1966. Nesse ano fui membro da primeira diretoria da União Metropolitana dos Estudantes (UME), recentemente reorganizada, e secretário de massas na organização de base da FNFI. Em 1967, a luta interna no PCB precipitou-se pelo choque de posições diferentes diante do processo eleitoral. O Comitê Regional apoiou Negrão de Lima, do MDB, e o Comitê Universitário optou pela campanha do voto nulo, sendo destituído por negar-se a aplicar a orientação superior. O setor universitário permaneceu unido e decidido a organizar uma frente de protesto contra a farsa eleitoral com a Ação Popular (AP) e a Política Operária (Polop). Dessa crise originou-se a Dissidência Estudantil da Guanabara, que passou a ser conhecida, simplesmente, como Dissidência. No final de 1967 sua direção buscou contatos com novos setores que, recém rompidos com o PCB, depois organizariam o PCBR. Reunimo-nos algumas vezes com Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender e Mário Alves, debatendo uma possível unificação. As divergências sobre os rumos e métodos do combate ao regime militar impossibilitaram a fusão orgânica. No mesmo ano, estabelecemos contatos com a maioria do Comitê Regional (Guanabara) do PCB – que acabara de realizar uma crítica e uma ruptura com a matriz reformista de origem – e, também conversamos com o pessoal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que no Rio de Janeiro era uma agremiação pequena. Em 1968, essas três correntes – Dissidência, Maioria do CR do PCB e PCdoB – fundiram-se e reorganizaram o PCdoB no Rio de Janeiro.
Qual era a força do PCdoB no Rio de Janeiro, especialmente no movimento estudantil, e quais eram as outras lideranças estudantis estaduais desse Partido?
Ronald - Antes da fusão orgânica, a presença do PCdoB no movimento estudantil carioca era reduzida. Depois cresceu rapidamente, reforçado pelos militantes da Dissidência e o retraimento das outras organizações no movimento de massas. Naquele momento eu fazia parte do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFRJ), que funcionava no “Pentágono”, assim apelidado, em contraponto jocoso com o equivalente estadunidense, por ser um aglomerado de cinco faculdades nas proximidades da Praia Vermelha. Um episódio marcou a correlação de forças em gestação no movimento estudantil carioca no início de 1968: o fim da FNFI. Todavia, os estudantes mantiveram a iniciativa e fundaram Centros Acadêmicos (CA) nas novas unidades. O mais forte, combativo e organizado foi o CA Edson Luís (CAEL) do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFICS). Fui presidente da primeira diretoria eleita: uma composição do PCdoB com a AP. Com o tempo, o PCdoB passou a ter vários militantes de maior ou menor expressão, como Bira, David, Kleber, Lincoln, Lúcio e Myriam no IFICS, Mauro e Noronha na medicina, José Roberto na Química, Criméia na Enfermagem, Rangel na Faculdade de Direito, Ciro Flávio, Antônio de Pádua (Piauí) e Arildo Valadão em faculdades já deslocadas para o Fundão como Arquitetura e Física. Esses são apenas alguns camaradas entre muitos outros, destaco, como exemplo, Adriano Fonseca, combatente morto no Araguaia, com quem morei um tempo na clandestinidade e de quem me orgulho ter sido amigo. Em suma, tratava-se de uma militância coletiva. Nos preparativos para o 30º Congresso da UNE foi possível organizar, pela primeira vez, uma bancada do Rio de Janeiro em torno da política do PCdoB.
Pelo que tenho estudado, houve um aumento expressivo na participação do PCdoB no movimento estudantil nacional entre 1967 e 1968.
Ronald - Houve um forte crescimento do PCdoB entre 1967 e 1971, especialmente no Rio de Janeiro, com a sua reorganização, no Ceará, com a emergência de um reconhecido e amplo trabalho de massas, e na Bahia. Em outros estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a construção orgânica na área estudantil ainda dava os primeiros passos em 1968. No Congresso de Ibiúna havia uma boa delegação do PCdoB, embora a AP e o bloco dos demais grupos estivessem com muito mais delegados. A correlação de forças ficou clara nas únicas votações havidas na plenária de abertura, em torno de questões de encaminhamento. Antes da irrupção das forças repressivas havia uma pequena maioria para a chapa AP-PCdoB, encabeçada por Jean-Marc.
Fale um pouco sobre a decisão de se realizar um congresso da UNE clandestinamente em Ibiúna? Qual foi a posição das correntes estudantis?
Ronald: No segundo semestre de 1968, a AP (Ação Popular) e o PCdoB (Partido Comunista do Brasil) propuseram um congresso sustentado e protegido pela mobilização de massas. O PCdoB defendia o Crusp (Conjunto Residencial dos Estudantes da USP) como o melhor local. Lá, a repressão ao Congresso significaria a quebra da autonomia universitária. Todavia, o Conselho Nacional da UNE aprovou a proposta de realizar o congresso clandestinamente por exígua maioria de votos, o que esteve na origem da queda de Ibiúna, que quase desorganizou completamente o movimento. Tal assunto foi discutido dentro do presídio Tiradentes, com críticas à diretriz e às ilusões que facilitaram a ação ditatorial. Em votação realizada cela por cela, os delegados apontaram os erros de orientação que conduziram à derrota e aprovaram a proposta da aliança PCdoB-AP, que colocava em pauta a remontagem do 30º Congresso no início de 1969 como tarefa principal. Dessa decisão saiu a indicação de uma comissão organizadora para garantir a aplicação da proposta e inclusive garantir fugas. Houve uma tentativa fracassada no Centro de São Paulo, porque alguns delegados, desinformados, não se integraram ao plano e também porque a porta de emergência do ônibus, enferrujada, não abriu. Fomos, então, levados ao Dops. Pela foto recuperada no Arquivo Público do Rio de Janeiro, era 12 de outubro de 1968. Eu e Jean-Marc demos informações falsas no interrogatório e evitamos a identificação. Assim fomos remetidos, respectivamente, para Minas Gerais e Paraná, onde éramos desconhecidos. Nos beneficiamos das deficiências no sistema de informação, hoje impensáveis por causa da informática.
Fale um pouco sobre esse processo de remontagem do congresso da UNE?
Ronald: Imediatamente, reencontrei-me com Jean-Marc e reiniciamos a remontagem do 30º Congresso. O cearense João de Paula também começou a desenvolver o mesmo esforço, com um périplo pelo país. No processo refeito, o cômputo dos votos foi realizado em sessões estaduais, pois, naquela conjuntura um encontro nacional com tantos delegados seria uma aventura e levaria a uma nova queda. A Plenária Nacional foi remontada no Rio de Janeiro em abril de 1969 – na região da Barra da Tijuca, perto da Lagoa de Jacarepaguá – em outros moldes, com um número mais reduzido de presentes. Os militantes do PCdoB que compuseram essa diretoria foram quatro: eu do Rio de Janeiro, Genoíno do Ceará, Helenira de São Paulo e Aurélio da Bahia. Só não lembro se esse último camarada foi eleito na Plenária Nacional ou se entrou depois, no início de 1970, como suplente substituto de Genoíno ou Helenira, que se deslocaram para o Araguaia no meio do mandato. Dois anos depois, em dezembro de 1971, realizou-se o 31º Congresso. Uma carta aos estudantes – escrita por mim e aprovada em reunião da diretoria – foi divulgada em todo o país. Os delegados foram eleitos em reuniões limitadas convocadas pelos DAs, que eram as únicas instâncias autorizadas a fazê-lo. Embora fossem as mais amplas possíveis, naquelas circunstâncias, quando já imperava o terrorismo de Estado, deveriam observar critérios de segurança mais rígidos. Portanto, foram eleitos em fóruns semi-fechados e não mais em assembléias abertamente convocadas. Os representantes à instância nacional, por sua vez, surgiram em Encontros descentralizados regionalmente, formados com delegados de um estado apenas ou aglutinando os vizinhos.
Como foi a participação das correntes políticas estudantis neste congresso clandestino?
Ronald - A correlação de forças entre o PCdoB e a AP ficou muito equilibrada. O PCB e as organizações vinculadas à guerrilha urbana não participaram. A Plenária Nacional ocorreu no Rio de Janeiro, numa casa de subúrbio. Foram eleitos onze diretores, a partir das sessões regionais: cinco da AP e seis do PCdoB. Fui indicado para a presidência. No final das contas, a AP ficou com o cargo, pleiteando a continuidade de Honestino Guimarães, que havia substituído Jean-Marc após sua segunda prisão, e o PCdoB ficou com a maioria dos onze diretores, sendo que dez na época denominados vice-presidentes e com responsabilidades regionais. Esses diretores eram eu do Rio de Janeiro, Marco Aurélio de Minas Gerais, Rufino do Ceará, Maria Emília da Bahia, Jorge Paiva de São Paulo e Luis Oscar do Rio Grande do Sul. Os da AP eram Honestino Guimarães, Humberto Câmara, Neuton Miranda e mais dois companheiros cujo nome não recordo. Com a prisão e assassinato de Honestino e Humberto, os militantes do PCdoB, já na clandestinidade, mantiveram a UNE funcionando, com a importante ajuda de remanescentes da AP e muitos companheiros independentes. Todavia, os vínculos da entidade com a ampla maioria dos estudantes já estavam sendo cortados pela repressão, sobretudo após o início das operações militares no Araguaia e a caçada aos militantes comunistas em todo o país.
O que diferenciava o PCdoB das demais correntes?
Ronald - Apesar das diferenças havia um senso de unidade diante do regime militar. Na chamada Sexta-Feira Sangrenta, que aconteceu na semana anterior à “Passeata dos Cem Mil” e na qual foram assassinados cerca de dez populares e feridos centenas, o comando da manifestação de três militantes tinha a seguinte composição: eu (do CAEL e membro do DCE-UFRJ), Marcos Medeiros (do PCBR e membro do DCE-UFRJ) e Cid (do recém fundado MR-8). As opiniões e polêmicas se manifestavam, obviamente, nas políticas, propostas, posturas e métodos de trabalho. Contudo, as guerras de palavras de ordem eram quase sempre obra de uns poucos militantes envolvidos em querelas sectárias, jargões forçados e demarcações ininteligíveis pelos estudantes e populares. As diferenças eram, esquematicamente, as que seguem. O bloco PCdoB-AP investia na luta de massas, inclusive por reivindicações específicas, centrava o ataque no regime militar, tratava a resistência armada como expressão da luta popular e defendia uma aliança democrática, progressista e antiimperialista ampla. As correntes políticas que caminhavam para a auto-militarização procuravam cingir o movimento estudantil à luta contra a política educacional do governo, mostravam-se muito divididas na questão de como tratar o regime militar, passavam a defender a realização imediata de iniciativas armadas por pequenas células e tratavam as alianças, exclusivamente, como acordos entre organizações revolucionárias unidas com base na “prática” das ações militares. Depois, aos poucos, começaram a abandonar as mobilizações de massas. Ao fim e ao cabo, passaram a encarar o movimento estudantil como ambiente destinado a gerar quadros para a revolução social, retirando-lhe o papel que desempenhava na luta pelas reivindicações específicas das forças vivas da universidade e no combate político contra o regime militar. O PCB, cada vez mais enfraquecido desde 64, via as mobilizações de massas como aventura, era contra o lema “pela derrubada do regime militar”, tratava a luta democrática como o simples aproveitamento dos espaços legais extremamente exíguos, rechaçava terminantemente a perspectiva da resistência armada e centrava suas alianças nos entendimentos com os setores liberais. Essa linha deixou seus militantes à margem do movimento real e fora do 30º e 31º Congressos.
Qual a importância e qual a autoria do documento sobre o movimento estudantil lançado pela direção nacional do PCdoB em junho de 1968?
Ronald: Em minha opinião, esse documento teve pouca incidência. O trabalho estudantil do PCdoB crescia rapidamente em 1968, mas ainda não havia uma fração que organizasse e centralizasse sua política em todo o país. Só no segundo semestre, portanto alguns meses antes do Congresso de Ibiúna, houve uma articulação nacional. Isso aconteceu a partir de uma reunião em São Paulo, com a assistência de Diógenes Arruda Câmara, na qual camaradas com funções dirigentes no movimento estudantil de Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará se encontraram pela primeira vez. Esse encontro discutiu a resolução estudantil que já estava aprovada. Provavelmente, o texto foi redigido pelo próprio Arruda que o apresentou na ocasião em nome do Comitê Central. Ali também foi pautado outro texto, de autoria da Comissão Executiva, deve ter sido redigido igualmente por Arruda, que gerou algumas polêmicas. Com algumas modificações, a “Contribuição ao 30º Congresso da UNE” acabou sendo impressa em São Paulo e assinada por mim, identificado como “presidente do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais”, João de Paula Monteiro, nomeado como “ex-presidente do DCE da UFC” e “presidente do DA da Faculdade de medicina da UFC”, e Nair Y. Kobashi, apresentada como “Secretária de Intercâmbio da AURK” que, se não me falha a memória, era a entidade representativa dos estudantes do CRUSP.
Como se deu a elaboração da tese ao 30º Congresso da UNE e qual sua repercussão no movimento estudantil brasileiro?
Ronald: A “Contribuição” não era uma proposta ao Congresso, com pretensões de ser submetido à aprovação, mas um instrumento para unir e mobilizar a militância do PCdoB e seus aliados. A AP também fez o mesmo. Portanto, não houve uma tese nacional do PCdoB ao 30º Congresso de Ibiúna. Também não houve uma tese na remontagem do 30º Congresso, que foi encarado, claramente, como conclusão do processo interrompido em Ibiúna. A Plenária Nacional, em abril de 1969, recebeu por consenso, entre as diversas entidades e correntes, a incumbência de analisar a nova situação política, definir as tarefas do movimento estudantil, balancear o resultado das votações nas sessões estaduais, homologar o resultado totalizado e empossar os novos diretores. A chapa PCdoB-AP foi eleita, com Jean-Marc na presidência, contra a coalizão dos demais grupos, que indicavam a candidatura de Muniz, do MR-8 no Rio de Janeiro. O certo é que, depois de Ibiúna, os textos nacionais para o movimento estudantil de caráter externo e em nome da UNE, sempre conjuntos – aliança PCdoB-AP –, eram redigidos por mim e Jean-Marc. A partir da prisão de Jean-Marc, por mim e Honestino, que assumiu a Presidência por decisão da diretoria. Os documentos de caráter interno, por Ozeas Duarte e, às vezes, por mim.
Parece que diante das ameaças reais de divisão do movimento estudantil, os militantes do PCdoB constituíram, em 1968, o chamado Movimento de Unidade e Ação (MUA). Esta foi uma ação regional (CE) ou teve caráter nacional?
Ronald - O MUA, apesar de o nome assim o indicar, não era um movimento organizado propriamente dito, mas uma política e uma forma de abordagem pautada pela proposta de unidade diante das divergências, da escalada do sectarismo e da ameaça de divisão em 1968, especialmente nas entidades estudantis paulistas. Dessa maneira o PCdoB ganhou alguma autoridade, estabeleceu novos contatos e acumulou força. De fato, foi uma política nacional, expressa num texto redigido pela Comissão Executiva do Comitê Central, mas assinado por militantes cearenses. Durou, porém, pouco tempo, pois a centralidade da disputa se deslocou para a preparação do 30º Congresso. Com certeza, não houve a organização de um movimento estável com esse nome no Rio de Janeiro e nem no Ceará, onde o PCdoB trabalhava diretamente com as entidades estudantis e não com tendências ou correntes. Nesses Estados predominava a política de construir a unidade nos DAs, DCEs e UEEs. Aliás, o clima de repressão desaconselhava métodos que expusessem demasiadamente os militantes, embora nem todas as organizações políticas levassem em conta tal situação.
Você conheceu Helenira Resende? Fale um pouco sobre ela.
Ronald - Com Helenira, mantive contatos permanentes desde que passou a integrar a fração estudantil do PCdoB e a diretoria da UNE, a partir do 30º Congresso remontado em 1969. Militamos juntos por muito tempo e na clandestinidade. Havia afinidade e confiança mútua entre nós. Helenira foi uma revolucionária dedicada, corajosa e serena, pela qual todos os diretores da UNE tinham grande carinho e respeito. Quando nos encontramos pela última vez antes de deslocar-se para o Araguaia, percebi que deixaria um vazio. O nome de minha primeira filha, Elena, foi escolhido em sua homenagem. Assim, com essa grafia parcialmente misteriosa e cúmplice, assinava os bilhetes que me enviava.
Buonicore - Como era o trabalho clandestino da UNE após o AI-5?
Ronald - Mesmo depois do AI-5 havia mobilizações de massas e reuniões relativamente amplas. Lembro-me, por exemplo, de quando fizemos, no centro do Rio de Janeiro, um ato público contra a invasão do Camboja por tropas estadunidenses. Considerando uma foto na qual eu estava discursando, recuperada no Arquivo Público do Rio de Janeiro, a manifestação foi no dia 5 de junho de 1970. Em outra ocasião, quando o regime militar ordenou que o IFICS fosse fechado, realizamos assembléias gerais nas instalações físicas de outras faculdades durante meses, especialmente no “Pentágono”. Todavia, as manifestações de rua começaram a ser reprimidas à bala. Passamos, então, a realizar comícios relâmpagos, mas a divulgação tinha que ser reservada e dirigida apenas aos estudantes organizados em núcleos dentro das salas de aula. Ainda assim continuamos a manter ativa, no Rio de Janeiro, cerca de mil pessoas, a grande maioria de independentes, sem que a repressão pudesse evitar. Logo depois de iniciadas as ações estudantis, porém, os locais escolhidos eram transformados em verdadeiras praças de guerra, que resultavam, invariavelmente, em prisões, ferimentos e mortes. O próprio ingresso nas faculdades tinha que ser breve, o que dificultava o contato com a maioria dos estudantes. Em setembro de 1970 tive que sair do país para participar de um congresso internacional de jovens a ser realizado na Albânia, por ocasião dos festejos comemorativos de uma importante vitória guerrilheira contra as tropas alemãs estacionadas nos Balcãs. Retornei ao Brasil sem ser detectado. Aliás, esse fato nunca ficou conhecido pelos órgãos repressivos. A partir de 1970, a diretoria da UNE, mesmo reunindo-se periodicamente, teve que limitar seus contatos com os estudantes a incursões de surpresa, a reuniões com entidades intermediárias e à divulgação do jornal “Movimento”, editado em mimeógrafo até meados de 1972. Em face das dificuldades crescentes, decidimos realizar iniciativas ainda mais amplas, como a comemoração do cinqüentenário da Semana de Arte Moderna, que reuniu milhares de estudantes em várias capitais e nos deu oxigênio numa época de asfixia. No entanto, a arrecadação de finanças para ajudar a garantir a vida dos dirigentes, as viagens e a comunicação impressa foi se estrangulando, até se limitar à profissionalização de alguns pelas suas organizações, à solidariedade de amigos ou familiares e à importante ajuda de artistas de esquerda. Faço, aqui, um agradecimento público a Maria Bethânia e João do Vale, que ajudaram as entidades até quando foi possível continuar resistindo. Com o tempo, os diretores tiveram que abandonar os estudos para evitar a prisão ou, como no meu caso, foram expulsos de suas universidades com base no famigerado decreto 477. Nunca, porém, tomamos a decisão de cerrar as portas da entidade ou renunciar aos mandatos. Estou convencido de que essa atitude de resistência, sem capitulação e sem derrota definitiva, facilitou a reorganização da entidade alguns anos depois, sem uma lacuna abissal que liquidasse a tradição e a memória coletivas.
Por fim, você chegou a integrar a União da Juventude Patriótica? Ela era regional ou nacional? Qual era o seu objetivo naquele momento?
Ronald - Acompanhei a UJP desde o início, mas nunca me integrei à sua estrutura, pois, como diretor da UNE e membro do Comitê Central, seguia a orientação expressa de manter uma relação organicamente estanque. Esse movimento só existiu no Rio de Janeiro. Foi criado como projeto piloto, que mais tarde, a depender da experiência, poderia ser estendido a todo o país. O seu objetivo era, no momento em que as entidades de massa legais ou semi-legais estavam sendo duramente reprimidas e dispersadas, organizar os jovens combatentes – trabalhadores, estudantes e de outras camadas populares –, majoritariamente sem partido, mas que concordavam com um programa popular, democrático e antiimperialista, em uma frente única clandestina sob a direção do PCdoB. Reuniu, assim, cerca de 600 participantes. A Comissão Executiva Estadual foi composta por três militantes do PCdoB: o Lincoln (Secretário Político), a minha companheira Myriam (Secretária de Organização e responsável pela imprensa) e mais um quadro, cujo nome legal eu desconhecia. Depois ouvi comentários de que se era filho de Mário Alves, embora não possa confirmar com certeza essa informação. Desses, apenas Myriam sobreviveu, uma vez que, após minha prisão, conseguiu manter-se segura em nossa residência clandestina, no Grajaú, que não foi detectada pelos órgãos repressores, para depois abandonar seu trabalho e deslocar-se para o interior do estado, onde se alojou em casa de conhecidos até reencontrar-se comigo anos depois.

