quarta-feira, 25 de junho de 2008

Assembleia Geral dos Estudantes da UEL


FONTE: LISTA DE E-MAILS

Assembleia Geral dos Estudantes da UEL

Pauta: Informes
Informes Sede do DCE do Centro
Prestação de Contas
Congresso do DCE
Dossiê Marçal (Denuncias apresentadas contra a REI-tor)



Data: Quinta Feira 26/06
Local? Sala 103 do CCH
Horário? 17h00mim


Fabiano
DCE UEL - Gestão Cala Boca Já Morreu!!!
Telefone:99502839

Memória: http://www.mme.org.br/main.asp?View=%7BC51AB71B%2D5D57%2D4C4E%2D8549%2D737E58A4D906%7D&Team=¶ms=itemID=%7BABA91232%2D50EC%2D4955%2D8033%2

FONTE: http://www.mme.org.br/main.asp?View=%7BC51AB71B%2D5D57%2D4C4E%2D8549%2D737E58A4D906%7D&Team=&params=itemID=%7BABA91232%2D50EC%2D4955%2D8033%2D6A03F5D7C269%7D%3B&UIPartUID=%7BD90F22DB%2D05D4%2D4644%2DA8F2%2DFAD4803C8898%7D

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: UJS/PC do B, devolvam os nossos documentos do movimento estudantil.




06/09/05 Olinda recebe projeto MME

Da esquerda para a direita, Mônica Silveira, Genival Barbosa, Luciana Santos,
Júlio Oliveira, Renildo Calheiros e Luciano Moura


No dia 06 de setembro de 2005, o ato de doação de documentos realizado em Olinda reuniu diversos ex-militantes de grande importância na história do movimento estudantil. Para o evento, o projeto Memória do Movimento Estudantil preparou um debate com ex-líderes estudantis, como a prefeita Luciana Santos, ex-diretora da UNE; Genival Barbosa Guimarães, presidente da UNE em 1948; Luciano Siqueira, vice-prefeito de Olinda; Luciano Moura, secretário de governo da prefeitura de Olinda; e o deputado federal Renildo Calheiros, presidente da UNE em 1984.

Na ocasião, foram feitas doações de documentos (como fotos e jornais, entre outras coisas) para o futuro Centro de Memória do Movimento Estudantil, a ser construído pela União Nacional dos Estudantes (UNE), e foram exibidos trechos de depoimentos de ex-militantes gravados pelo projeto Memória do Movimento Estudantil. Ao fim do evento, houve a posse do novo presidente da União de Estudantes de Pernambuco, Geraldo Vilar.




Luciana Santos, prefeita de Olinda, entrega a Gustavo Petta, atual presidente da UNE,
sua doação ao projeto Memória do Movimento Estudantil


Campanha
Dúvidas: (21) 2502.3233
Envio de material: Caixa Postal 35304 – Rio de Janeiro – Cep 21073-970

Paulo Egydio 3

E quanto ao tal impasse com Roberto Gusmão no tempo da
une, como terminou?


Não aceitei a indicação dele, nem aceitei ser candidato a
presidente da une.Vou explicar por que eu não quis aceitar,
além do lado ideológico. É que eu sabia que, naquele congresso,
Minas decidiria a eleição. E mineiro é muito mineiro,
mineiro vota em mineiro. Como eu sabia que o congresso
estava dividido, e que a bancada de Minas tampouco
estava unida, disse: “Não vou ser candidato porque, se for,
eu mantenho a bancada de Minas desunida e não vou ganhar.
Mas, se eu fizer um candidato de Minas, eu uno a bancada
e nós ganhamos”. No congresso – que naquele ano foi
feito em São Paulo – não havia nenhum nome mineiro mais
expressivo, mas alguém lembrou de um ex-presidente do
Diretório Central dos Estudantes de uma universidade em
Minas, chamado Olavo Jardim Campos. Mesmo sem estar
no congresso, Olavo foi eleito presidente da une. Ninguém
o conhecia, mas Minas votou unida... Eu podia ter tido a
vaidade de querer ser presidente da une, se tivesse aceito a
proposta do Roberto Gusmão de ter um deles na diretoria,
mas achei que era mais importante dar consistência ideológica
ao nosso movimento.


O senhor fez campanha para Olavo Jardim Campos?


Claro. Eu era o líder do nosso grupo. Fui eu que quis unir a
bancada mineira, que não aceitei a negociação com Roberto
Gusmão. Depois de tomada a decisão, e achado o Olavo, foi
simples. Olavo é um ótimo rapaz, diga-se de passagem,muito
simpático. Nunca se integrou no nosso grupo porque não participou
dos movimentos anteriores, mas foi na presidência
dele que eu fui secretário internacional da une. Foi ele, por
exemplo, que achou que eu devia ir ao Congresso Internacional
de Estudantes, depois que nós decidimos fazer uma coisa
muito importante: a desfiliação da une da União Internacional
dos Estudantes, que tinha sede em Praga, na Tchecoslováquia.
contatos internacionais


Como foi tomada essa decisão de desligar a une da União Internacional
dos Estudantes?


Isso foi decidido por voto direto em congresso realizado no
Rio de Janeiro, na presença do presidente da uie, Giovanni
Berlinguer. Deve ter sido no final de 1950, porque em janeiro
de 1951 eu fui representar o Brasil no Congresso Internacional
de Estudantes em Edinbourgh, na Escócia, junto com
mais dois companheiros: o Souzinha, José Augusto Amaral
de Souza, que depois foi vice-governador do Rio Grande do
Sul, e Salvador A. Xavier, representante de Minas, de quem,
com muita pena, nunca mais ouvi falar.
Por que Giovanni Berlinguer estava no Brasil na ocasião?
Porque eu o convidei. Comuniquei que nós tínhamos deliberado
nos desligar da uie, porque a uie era um instrumento a
serviço do Politburo, e não achávamos que isso devesse ocorrer
no meio estudantil. Eles estavam formando lideranças, inclusive
aqui no Brasil. E então nós fomos às últimas conseqüências.
A última coisa que faltava, depois de termos tomado
a une, era nos desligarmos da uie. É a tal história, ou se faz
ou não se faz, ou se é ou não se é. O meio-termo, não. Comuniquei
nossa intenção ao Berlinguer, mas disse que a decisão
seria tomada não pela diretoria, e sim por um congresso nacional
de estudantes, para o qual ele estava convidado e onde
poderia defender o ponto de vista que quisesse. Ele aceitou
vir ao Brasil, e nós tivemos um congresso na une com estudantes
de todo o Brasil, que, se não me falha a memória, levou
de três a cinco dias.Todo mundo se expressou à vontade.
Indivíduos que não eram nem estudantes, mas que nós recebemos,
também se manifestaram. Não me lembro agora dos
nomes, a não ser de um: Carlos Lacerda, que foi defender o
desligamento. Outros falaram contra. Sei que nesse clima de
plena liberdade de manifestação, com todo mundo podendo
se expressar, nós vencemos.
A democracia não é perfeita. Como a verdade não existe.
Você se aproxima da verdade o mais que pode.Você se aproxima
da democracia o mais que pode. Para obtermos a perfeição
absoluta, necessariamente teríamos um sistema totalitário ou
fundamentalista, e mesmo assim não chegaríamos lá. Hoje estou
convencido de que a democracia tem falhas enormes
como sistema de governo, mas ainda não se descobriu um sistema
melhor para substituí-la. É que a imperfeição não é do
sistema, é do ser humano. Naquela época, sem ter a maturidade
que tenho hoje, eu já sintonizava isso. E num congresso
realizado dessa forma, debaixo de debates intensíssimos, com
manifestações de estudantes e de indivíduos de expressão nacional
de fora do meio estudantil, o desligamento foi aprovado
pela maioria.


Giovanni Berlinguer se manifestou durante o congresso?


Várias vezes! Era brilhante, diga-se de passagem, um grande
orador. Falava em italiano, alguém traduzia, e às vezes ele
próprio misturava com português. Sei que houve uma comunicação.
Ele era irmão do Enrico Berlinguer, que foi presidente
do Partido Comunista Italiano depois do Togliatti,
me parece.32 Foi o Enrico que iniciou a primeira dissidência
da linha de Moscou. Não me lembro se isso foi antes ou depois
do xx Congresso do pcus, que foi um ponto crítico em
todo esse processo político, com as denúncias do Kruschev,
mas sei que ele iniciou o eurocomunismo, uma linha de
maior independência dos partidos comunistas europeus em
relação a Moscou. No fim de tudo, sabendo que eu iria ao
congresso na Escócia, Giovanni me convidou para passar em
Roma na volta, para termos uma discussão lá também. Fui
para o congresso de Edinbourgh, mas achei que os estudantes
ditos contra a União Internacional dos Estudantes eram
muito fracos, com uma tendência de querer aparecer. Foi
um fracasso absoluto esse tal congresso.


Esse congresso da Escócia era da União Internacional dos Estudantes?


Não, era contra a União Internacional dos Estudantes. Era para
criar uma União Democrática dos Estudantes, mas foi um fracasso.
Eu me lembro, por exemplo, de que a delegação americana foi uma calamidade. Eles não tinham representatividade.
Tive a oportunidade, antes inclusive de assumir a diretoria
internacional da une, de fazer uma conferência em Vassar,
que é um dos mais tradicionais colleges femininos americanos.
Fica numa cidade chamada Poughkeepsie, no estado de Nova
York. Era o primeiro ou segundo college feminino, top de linha,
disputava com Radcliffe, em Boston, ao lado de Harvard.
Depois de Vassar, falei para um grupo de Harvard, e percebi
que eles não entendiam nada de política estudantil. Existia
uma União Nacional dos Estudantes lá, mas totalmente desconhecida,
sem organização estatutária, sem aquela estrutura
de ter uma constituição, um tribunal eleitoral. Era um negócio
muito bagunçado, cá entre nós.
Só houve um fator positivo nessa reunião: é que um dos
estudantes perguntou qual era o meu esporte, respondi que
era o remo, e ele disse que remava no oito de Harvard. O
oito de Harvard disputa com o oito de Yale no Charles River,
da mesma maneira que Oxford e Cambridge, na Inglaterra,
disputam aquela famosa regata no Tâmisa. Esse rapaz perguntou
se eu não gostaria de fazer uma experiência de remar
com ele no dia seguinte, e eu fui. O treinador deles me colocou
num barco em seco – é um oito que fica enterrado no
chão e tem duas canaletas de água do lado para o remo passar,
e o treinador poder ver os defeitos do remador. Eu remava
aqui no número seis, que é o contra-voga, e ele me botou
no número seis – não sei se conhecem remo, mas num
oito cada um dos remadores tem uma função a desempenhar;
o seis é aquele que alivia o oitavo, ou seja, o voga, cujo
papel é manter o ritmo e só entrar pesado no final. Bom,
quando o treinador me viu remar com a técnica do Keller,
disse: “O senhor quer vir amanhã aqui às seis horas para nós
sairmos?” No dia seguinte eu estava lá. Remei no oito de
Harvard, no Charles River, e não destoei! Foi uma experiência
muito mais interessante do que falar sobre política estudantil,
porque não achei ambiente.

Depoimento de Paulo Egydio ao CPDOC Parte 1(UNE e Movimento estudantil nos anos 1950)

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: inseri alguns trechos, lembrando que o livro pode ser baixado no "site"www.cpdoc.fgv.br.

Estante virtual: Paulo Egydio conta: depoimento ao CPDOC/FGV
Mais um livro encontra-se disponível para download na estante virtual.
Lançado recentemente, em 2007, com apoio do Banco Itaú, Paulo Egydio conta traz a trajetória pessoal e política de Paulo Egydio Martins, governador do Estado de São Paulo de 1975 a 1979.
O início de seu mandato - marcado por forte turbulência, o que fez com que em âmbito nacional a sociedade civil pressionasse cada vez mais sistematicamente pela abertura política - é evidenciado pelo nítido e firme posicionamento de diversas instituições contra a tortura, pela campanha para a revogação do AI-5, bem como pelo surgimento e organização do novo sindicalismo. Logo nos primeiros dias do governo Paulo Egydio, ocorreu o assassinato de Vladimir Herzog, em outubro de 1975 e, meses depois, em janeiro de 1976, de Manuel Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI, que causaram grande indignação e comoção no País.
Paulo Egydio Martins conta neste livro sua participação ou visão dos acontecimentos que lhe foram dados viver ou testemunhar. Expõe valores que o nortearam na vida pública e privada. Descreve as realizações de seu governo, como as ações na área da Saúde, a criação do Instituto do Coração, a criação da Unesp - Universidade Estadual Paulista, a construção da rodovia dos Bandeirantes e a criação do Seade - Sistema Estadual de Análise de Dados. Narra sua origem e extensa ramificação familiar, dramas e sonhos, viagens, missões diplomáticas e comerciais, apresenta amigos, personalidades políticas e empresariais. Conta a sua versão da polêmica invasão da PUC, interpreta a história a partir de documentos que guardou ciosamente e com os instrumentos que a memória lhe permite. No tempo presente, acerta suas contas com o passado.
(Trecho extraído da Apresentação). Acesse: www.cpdoc.fgv.br/producao_intelectual



Depoimento de Paulo Egydio
Sobre o movimento estudantil nos anos 1950 – A “direita” na UNE
In:
Paulo
Egydio
conta depoimento ao cpdoc – fgv
Organizadoras
Verena alberti
Ignez cordeiro de farias
Dora rocha




2 O líder estudantil

do remo ao movimento estudantil


O senhor mencionou que seu interesse por política começou
quando entrou para a universidade. Como foi isso?


Começou quando entrei para a ume. E minha participação
nesse movimento se deveu a um único fato: eu era um esportista.
Fui ser esportista porque, quando eu tinha 16 anos, um
amigo me convidou para remar no Flamengo. Remamos no
Flamengo, na lagoa Rodrigo de Freitas, e depois no Botafogo.


E o que isso tem a ver com a ume?


Vocês vão ver. Como já contei, no primeiro ano da Escola de
Engenharia estudei muito cálculo. Já no segundo ano, fui
convidado a participar da Federação Esportiva Acadêmica,
fea, que abrangia toda a Universidade do Brasil. Eles sabiam
que eu remava, porque eu tinha ganhado alguns campeonatos,
e resolveram me convidar. Passei então a ser diretor de
remo da Escola. Já que a Escola não tinha uma representação
nos campeonatos universitários de remo, que fiz eu? Reuni
vários companheiros que se interessaram e levei para o Flamengo.
No Flamengo, nós tínhamos um técnico sensacional,
Rudolf Keller, que tinha sido o técnico de remo da equipe
alemã na Olimpíada de 1936, na Alemanha. Era um homem
fantástico, porque, além de ser uma sumidade no esporte,
era também um formador de caráter. Era um coach amigo.
Nós nos relacionávamos com ele fora do Flamengo também.
Por exemplo, no fim de semana, um chope com o Keller era
absolutamente necessário, rotina. No bate-papo, ele nos transmitia
a formação do espírito esportivo, a visão ética do esporte,
que é muito importante. Keller me marcou muito,
pois era um homem extraordinário.
Nessa época, nós almoçávamos em leiterias, porque a
nossa mania era beber um ou dois litros de leite por refeição
e comer três ou quatro pãezinhos cortados ao meio com
manteiga, ligeiramente esquentados na chapa – chamava-se
canoinha. Um dia, estávamos eu, Alberto Caruso e mais uns
dois ou três num bar chamado Gibi, no largo de São Francisco,
ao lado da Escola, tomando leite e comendo canoa, quando
entrou um colega com uma lista perguntando se queríamos
assinar.Vi que era um manifesto: “Nós, estudantes da
67
Escola Nacional de Engenharia, protestamos contra...”Tinha
a ver com a Lei Malaia, do Agamenon Magalhães.17 Eu disse:
“Espera um pouquinho, por que ‘nós’? Eu não li.Você não
pode usar o meu nome”. Ele: “Vai haver uma assembléia
amanhã para decidir sobre isso, então você compareça à assembléia”.
Eu nunca tinha ouvido falar em assembléia, não
sabia o que era. Sabia o que era Diretório Acadêmico, só por
causa de uma coisa: apostila. Era lá que se comprava. Diretório
Acadêmico era símbolo de apostila, e não só para mim
como para a grande maioria.
Fui então com o meu grupo à tal assembléia. No meio
da discussão, eu disse: “Presidente...” Perguntaram: “O senhor
está inscrito para falar? Não? Então, se inscreva.Vá ali
com o secretário”. Fui me inscrever e vi que a lista tinha 100
inscritos. Pensei: poxa, como é que eu vou falar? Cada um
tinha direito a dez minutos, mas percebi que quando terminava
o tempo do orador que estava falando, o seguinte dizia
assim: “Sr. Presidente, quero comunicar que cedo o meu
tempo ao colega”. E o sujeito continuava a falar. E assim sucessivamente.
Aí eu disse: “Espera aí, Presidente! Isso não
pode! Desse jeito só esse cara vai ficar falando! Nós não estamos
de acordo com isso!” Ele: “Ah, mas o regimento é assim”.
Eu disse: “Ah, é!?” Fechamos a assembléia. Éramos esportistas,
fortes...Viramos a mesa, viramos aquilo de pernas
para o ar. Quem eram os que estavam falando, o que estavam
dizendo, nós não sabíamos.


Quando o senhor se inscreveu para falar, queria expressar alguma
opinião?


Eu queria entender melhor o que era a tal da Lei Malaia, que
eu ignorava o que fosse. Minha reação foi a do esportista,
primeiro, contra o sujeito que estava querendo usar o meu
nome indevidamente, e depois, contra o fato de não me deixarem
falar. Foi uma reação contra a intimidação, que acabou
provocando uma verdadeira comoção na Escola. Havia
uns 100 que tomavam parte nas assembléias, e o resto não
dava a menor bola para aquilo. Mas, com aquele episódio, a
Escola pegou fogo. “O que houve?” “Ah, houve isso, não me
deixaram falar!” “Quem quer falar tem o direito de falar!” Ia
haver uma eleição para o Diretório Acadêmico, e nós dissemos: “Não podemos ficar assim, vamos fazer alguma coisa!” Tudo por causa do jeito totalitário como nos trataram na assembléia. Criamos um partido chamado up, União Politécnica,
e fomos disputar o Diretório. Ganhamos! Melhoramos
o serviço de apostila, e aí começamos a tomar conhecimento
de que existia uma outra coisa, chamada União Metropolitana
dos Estudantes, a ume.


Quem era esse “nós” a que o senhor se refere?


Eu diria, para não errar, que eram 80% dos estudantes da
Escola. Arrisco até a dizer 90%. Até então era uma minoria
que atuava. O presidente da ume na ocasião era um aluno da
Escola chamado Bento Ribeiro. Bento veio nos dizer que ia
haver o Congresso Metropolitano dos Estudantes, e que a
Escola teria que mandar cinco representantes. Escolhemos
os cinco representantes e fomos para o congresso, no prédio
da une, na Praia do Flamengo, onde ficava também a sala da
ume. Foi a primeira vez que botei o pé no prédio da une. O
que era a União Nacional dos Estudantes, eu não sabia muito
bem. Sabia que era uma entidade acima da ume.
Nesse congresso, encontramos com os representantes
das faculdades da Universidade Católica. Havia dois rapazes
de direito que eram brilhantes: Álvaro Americano e José Bonifácio.
Ambos tiveram depois atividade política no Rio de
Janeiro.18 Eram dois oradores primorosos, e para nós, naquela
época, pareceram figuras fulgurantes. Álvaro, udenista,
e José Bonifácio, pessedista, começaram a nos esclarecer
qual era a política da une e da ume. Foi aí que nós tomamos
conhecimento de que aquele movimento esquerdista dos estudantes
derivava do fato de que o presidente Dutra – nós
desconhecíamos isso completamente – tinha posto o Partido
Comunista na ilegalidade e em seguida tinha rompido relações
diplomáticas com a União Soviética.19 A cúpula do pc
entrou então para a Faculdade Nacional de Filosofia, e da Filosofia
eles tomaram a une, para torná-la a porta-voz do
partido, que estava ilegal. Eu não tinha a menor noção disso.
No desenrolar do congresso da ume, o mesmo sistema
de repressão que tínhamos conhecido na assembléia na Escola
continuou. Lá pelas tantas, José Bonifácio e Álvaro Americano
chegaram para mim e disseram: “Olha, nós vamos embora, porque não adianta, estamos perdendo tempo, eles já
têm uma posição fechada e não há o que fazer”. Eu me virei
para os dois e disse: “Se vocês querem sair, saiam. Nós não
vamos sair. Quero saber como é isso, e como vai acabar.Vamos
ficar até o fim”. E ficamos sozinhos até o fim, sem poder
nos manifestar. Quando acabou, voltamos para a Escola bravos,
porque estávamos sentindo na pele que havia uma atuação
realmente totalitária e discriminatória. O conceito de
democracia de que ouvíamos falar, também de uma maneira
muito ampla, era o de que todo mundo tinha direito de falar,
a maioria decidia, esse tipo de coisa.
Logo em seguida a esse congresso, houve a eleição para a
diretoria da ume, que, no Distrito Federal, era a única eleição
direta – não era feita em congresso, era cada estudante de
cada escola que votava. O pessoal veio me procurar: “Sabe de
uma coisa? Já que nós estamos nesse rolo, vamos criar uma
uu, União Universitária, e você vai ser o nosso candidato”.O
que foi que eu fiz, já que ia ser candidato? Fiz um programa e
passei a ir a todas as escolas, a todas as salas de aula, de manhã,
de tarde e de noite. Pedia ao professor três minutos para fazer
uma exposição, chegava para o pessoal e dizia: “Olha, vai haver
eleição para a ume, e o que acontece é que eles não estão
nos dando liberdade de expressão”. Não usava a palavra “comunistas”,
por um motivo que vocês já vão ver. Sei que com
isso houve um comparecimento recorde à votação. Não tenho
certo de cabeça, mas acho que votaram oito mil estudantes, e
eu ganhei por uns 20 votos apenas.
Foi então que tomei conhecimento de que existia uma
coisa chamada teme,Tribunal Eleitoral Metropolitano de Estudantes,
cujo presidente era Celso Passos, uma grande figura,
um indivíduo fora de série, cujo pai, Gabriel Passos, tinha
sido procurador-geral da República no tempo do Getúlio.20
Vieram me dizer: “O teme vai se reunir para discutir o que
vai fazer”. A tese que o outro lado apresentava ao teme era a
de que, ao contrário do que determinava a constituição da
une, tinha sido politizada uma disputa estudantil. O problema
era que na Universidade Católica tinham posto um cartaz
que dizia o seguinte: “Não votem nos amigos urssos.Votem
na uu”. Diziam eles: “Todo mundo sabe que urss é uma
referência à União Soviética, portanto, ao comunismo! Então, houve interferência política no movimento estudantil! A eleição tem que ser anulada!” A cena da reunião do teme está viva na minha memória.
A reunião foi feita na une, numa sala grande, que ficou apinhada.
Havia três janelões enormes que davam para a Praia
do Flamengo, e havia gente no peitoril das janelas. Não dava
para uma pulga entrar. O orador do outro lado, Odilair Ambrósio,
estudante de medicina, brilhante, começou a defender
a tese da anulação. Atrás dele ficou um companheiro
nosso, um mineirinho, desses vivíssimos, safos. Odilair falava
com um vozeirão que deixava todo mundo extasiado:
“Houve interferência política! A eleição tem que ser anulada!
Imagine, uma Faculdade de Direito de uma Universidade
Católica não saber que urso não se escreve com dois esses!”
Aí esse companheiro que estava atrás dele soprou: “Se escreve
com cê-cedilha!” Ele: “Urso se escreve com cê-cedilha!”
Quando ele soltou essa, a sala se esvaziou! Foi gente pulando
para todo lado. Ele ficou passado, sem jeito, mas o impacto
do discurso foi-se embora. Celso Passos, que era uma pessoa
de muita personalidade, restabeleceu a ordem, pôs a
questão em votação, e a eleição foi mesmo anulada. Foi feita
uma segunda eleição, e ganhei por uns 300 votos de diferença.
Aí foi consagrador, e eu me tornei presidente da ume.
Quem veio me dar a notícia foi o Célio Borja.21 Nós estávamos
reunidos num bar na Praia do Flamengo, bem próximo
à une, esperando a conclusão da apuração – a última faculdade
que faltava era a do Catete –, Célio Borja veio nos encontrar
e disse: “Paulo, demos uma lavada!” Estavam comigo
nessa época o Célio, o Hélio Bais Martins, o José Augusto
Mac Dowell Leite de Castro... Havia outros companheiros
de cujos nomes não me lembro.


presidente da ume


Quando ganhei a eleição para presidente da ume, Rogê Ferreira
era o presidente da une, e José Frejat era o vice-presidente.
Rogê vinha de São Paulo, onde havia sido presidente do
Diretório Acadêmico xi de Agosto, da Faculdade de Direito
do largo de São Francisco, que desde o Brasil Império tinha
uma importância enorme. Eu já trabalhava nessa época, e às
seis e meia, sete horas, saía do trabalho e ia para a ume. Um
dia eu estava entrando – tinha combinado um encontro com
um pessoal de remo –, e estava o Rogê com um grupo razoavelmente
grande, de umas dez pessoas, no pé da escadaria.
Vira-se ele para mim e diz: “Paulo, estou aqui para lhe dizer
que este prédio é da une, e que de hoje em diante você está
proibido de entrar nele”. Eu disse: “Rogê, sou presidente da
ume, e você não pode me proibir de entrar, porque a minha
sala é aqui”. Ele respondeu: “Você não insista, porque, se tentar
entrar, eu vou pôr você para fora. Eu ou os meus companheiros”.
Nesse instante preciso, os companheiros de remo
que iam se reunir comigo entraram e ouviram esse fim de diálogo.
Um deles, de cujo nome me esqueço agora, virou-se e
disse: “Se isso é um problema entre o Rogê e o Paulo, vocês
deixem os dois se entenderem no meio do salão, mas não interfiram!
Se interferirem, nós também vamos interferir”. Isso
foi improvisado na hora. Quando o Rogê viu aquele impacto,
subiu a escadaria da une, entrou na sala dele e renunciou. Aí
assumiu o José Frejat. Parte do meu período na ume foi com
o José Frejat na presidência da une.22
O curioso é que muito tempo depois, há cerca de uns
cinco anos, uma secretária do sindicato de jornalistas do
Rio fez uma entrevista longa sobre a une, comigo e com o
José Frejat, e publicou uma ao lado da outra. Não fiquei
com esse jornal, mas precisava encontrá-lo, porque é impressionante
como, com o passar dos anos, a minha visão e
a do José Frejat eram a mesma. Nós dois reconhecíamos a
lisura da luta, cada um pelo seu ideal, mas sem baixarias,
sem apelos. Até liguei depois para o José Frejat, falamos
um tempo ao telefone, e perguntei se ele tinha guardado
cópia da entrevista. Como eu, ele tinha perdido, e não se
lembrava do nome da jornalista. Na minha casa, em São
Paulo, existe um tal de Triângulo das Bermudas onde de
vez em quando as coisas somem...


Houve invasões do prédio da une na sua época?


Não. Nós é que uma vez fizemos um bloqueio em frente à
une por causa do aumento do preço do bonde. E depois bloqueamos
a Praia do Flamengo uma segunda vez, por causa de atropelamentos. Não havia um sinal ali, e dois estudantes que
estavam indo para a une almoçar foram atropelados. Antigamente
o restaurante dos estudantes era na une, e havia gente
que dependia daquela refeição.Vários colegas, meus amigos,
para poderem estudar e comer, iam trabalhar no Cais do Porto
como “bagrinhos”, ou seja, como estivadores, carregando
saco de café nas costas. Era um grupo grande, não era meia
dúzia de estudantes. Quando eu resolvi construir o restaurante
do Calabouço, foi por causa dessa situação calamitosa.


Como foi essa iniciativa de construir o restaurante do Calabouço?


O prédio da une, como contei, tinha as salas da ume, no primeiro
andar, e da une, no segundo; tinha o Teatro do Estudante,
do Paschoal Carlos Magno, e tinha um restaurante para
estudantes, com refeição subsidiada, mas muito pequeno. O
prédio tinha sido sede do antigo Clube Germânia, e durante a
guerra Getúlio o desapropriou e o entregou aos estudantes.
Era um prédio muito bom, mas a minha sala, por exemplo,
não tinha nada. Apenas uma cadeira com pé quebrado. Eu era
estagiário numa firma que possuía uma fábrica de móveis de
aço, a peb, Produtos Elétricos Brasileiros, e consegui com o
dono – que depois viria a ser meu sogro – que me doasse
umas mesas e umas cadeiras que ele fabricava. Ele se entusiasmou
com o fato de eu ser um rapaz que estava entrando no
movimento estudantil e por isso me doou os móveis.A sala ficou
caprichada, com mesa de reunião, dava até um certo destaque
ao prédio da une. Mas o restaurante era uma coisa terrível,
porque, além atender a um terço das pessoas que
queriam comer lá, era muito mal instalado.
Ao assumir a presidência da ume, comecei a tomar conhecimento
de algo de que eu realmente não tinha me dado
conta na Escola de Engenharia: de que havia estudantes de
várias outras escolas que tinham uma situação social extremamente
precária.Vendo aquele contraste social intenso, eu
disse: “Temos que criar um restaurante muito maior”. Era a
época do ministro Clemente Mariani,23 cujo chefe de gabinete,
não hei de esquecer nunca, chamava-se Prisco Paraíso.
Tive um entendimento muito bom com o ministro e com
Prisco Paraíso, e consegui uma verba. Havia também outra
coisa: é que um dos meus companheiros de chapa, Hélio Bais
Martins, do Mato Grosso, era filho do senador Vespasiano
Martins, e o senador também aprovava verbas para a ume
no Senado. Clemente Mariani – ou não me lembro agora se
o Senado, ou alguém mais – nos fez uma doação para a construção
do restaurante do Calabouço e deixou a administração
inteiramente entregue a nós. Pudemos fazer um restaurante
amplo, grande, que atendia a praticamente todo
mundo, e mantivemos o mesmo preço, que era bastante
acessível. E a refeição também era feita por um pessoal que
sabia balancear, nutricionistas mesmo.


Como foi feita a escolha do local do restaurante?


O terreno da ponta do Calabouço era o que havia de disponível
na época, o que podia ser cedido a nós. Não me lembro
de qual foi a repartição pública que nos cedeu, mas sei
que ali foi possível realizar o sonho do restaurante dos estudantes.
Era um terreno grande, com um barracão enorme.
O barracão foi aproveitado, reformado, adaptado, mobiliado,
e entregue a nós. O restaurante funcionava perfeitamente
bem e atendia a todos os estudantes, de qualquer faculdade,
mesmo particulares.


A ume comandou alguma greve na sua época?


Sim. Havia uma famosa faculdade particular de Ciências Médicas,
num subúrbio do Rio, e eu me lembro de que, ainda
comigo na presidência da ume, nós fizemos uma greve contra
o dono – se não me falha a memória, chamava-se Rolando
Monteiro.Acabou virando uma greve nacional. O pessoal
veio me procurar dizendo que tinha havido, nessa faculdade,
um aumento de mensalidade escorchante, que eles não estavam
conseguindo pagar, e que o tal Rolando Monteiro não
dava matrícula sem o pagamento. Muitos estavam no meio
do curso, ameaçados de ficar com a carreira interrompida.
Olhei, verifiquei, medi, remedi e resolvi fazer uma greve local.
Foi feita então uma greve na área do Distrito Federal.
Mas aí verificamos que aquilo não estava tendo suficiente repercussão.
Atuando na une através do José Frejat, estendemos
a greve para o Brasil inteiro.


Em que consistia a greve? Os estudantes não iam assistir às
aulas? Faziam manifestações?


Não íamos à aula, fazíamos passeatas, colocávamos faixas nas
principais avenidas, principalmente na Praia do Flamengo.
Esse era o protesto no Rio. Aos outros estados chegamos
através da une, que, ao tomar conhecimento da razão do
movimento no Distrito Federal, se solidarizou com a ume.A
partir daí, as uniões estaduais, as uees, decretaram greves
por todo o país em solidariedade à “greve da Ciências Médicas”.
Foi como ela ficou conhecida. Foi, na época, uma das
maiores greves estudantis do Brasil.
Naquela ocasião, o ministro da Educação já não era mais
Clemente Mariani, era Simões Filho,25 dono do jornal A Tarde,
em Salvador, um senhor baixinho que tinha um cavanhaque
pontudo e andava sempre com uma bengala. Primeiro
ele me chamou ao ministério, dando ordens para suspender
a greve. Eu disse a ele que aquilo era a decisão de uma assembléia,
e que não cabia a mim suspender. Expliquei que a
greve não era da esfera federal, era contra o diretor de uma
escola particular local. Repercutiu porque houve a solidariedade,
primeiro, do Distrito Federal, e depois, de outros estados.
Simões Filho virou-se para mim e disse: “Menino, fique
sabendo que, lá na minha terra, pessoas que não
atendem ao que eu peço, que são mal-criadas como você
está sendo, eu trato a bengaladas” – e levantou um pouco a
bengala. Respondi: “O senhor me permita, respeito a sua
idade, mas se essa bengala resvalar em mim, garanto que ela
será quebrada. Depois, o que vai acontecer eu não sei”.Algo
nesse gênero. Ele ficou profundamente irritado comigo, e
houve um rompimento, ao contrário do Clemente Mariani,
que sempre nos tratou muito bem, com respeito, e, através
do seu chefe de gabinete Prisco Paraíso, sempre nos atendeu
em praticamente tudo o que pedimos. E o fato é que a greve
continuou.Acho que durou mais de um mês.
Um belo dia, recebo um telefonema dizendo que o presidente
Getúlio Vargas pedia que eu comparecesse ao Catete.
Estranhei aquilo, mas fui. Getúlio estava me esperando e
me recebeu na sala dele, extremamente atencioso. Estava
com um daqueles charutões grandes na boca, deu uma senhora
baforada e perguntou: “O senhor é que está liderando
essa greve?” Respondi que sim, e ele continuou: “Estou querendo
um entendimento com o senhor. Diga ao ministro o
que pretende e, seja o que for, garanto que será atendido,
desde que, ao ser atendido, suspenda a greve”. Eu disse:
“Presidente, se formos atendidos, a greve será suspensa. A
assembléia aprovará a suspensão quando vir que os senhores
tomaram providências”. Ele: “Então, o senhor se dirija ao
meu ministro da Educação”. Eu disse: “Ah, não, esse não!
Esse não dá...” Ele deu uma sonora gargalhada! “Então, o senhor
escolha qual é o ministro com quem quer despachar,
porque eu darei ordens a ele para o senhor ser atendido”. Escolhi
o ministro das Relações Exteriores, João Neves da Fontoura,
o homem do Acuso.26 Fui a ele, expus o problema, e
ele disse: “Fique tranqüilo. O presidente mandou atender,
será atendido”. Não sei qual foi o entendimento do governo
com o dono da escola, mas sei que, para os alunos, as mensalidades
ficaram como eram antes do aumento extorsivo, e
a greve terminou.


comunistas X anticomunistas


O senhor mencionou a presença, naquele primeiro congresso
da ume a que assistiu, de dois estudantes da puc, Álvaro
Americano e Jose Bonifácio, o primeiro, udenista, e o segundo,
pessedista. Na época o senhor já tinha ouvido falar em
udn e psd, nos partidos criados no fim do Estado Novo?


Não. O que aconteceu foi que, quando fui eleito presidente
da ume, houve repercussão no Rio. O primeiro indício disso
foi que Paulo Bittencourt mandou me chamar, querendo me
conhecer. Perguntei: “Quem é Paulo Bittencourt? Não estou
sabendo”. Paulo Bittencourt era o dono do Correio da Manhã.
Havia três ou quatro grandes jornais no Rio: o Correio da Manhã;
o Diário Carioca, que era o jornal do José Eduardo de
Macedo Soares; e o Diário de Notícias, que se especializou em
dar informações sobre escolas, exames etc. Quem era estudante
lia o Diário de Notícias por causa disso. Evidentemente,
depois que Paulo Bittencourt mandou me chamar, passei a
ler o Correio da Manhã. E foi aí que comecei a me politizar.



Quer dizer que quando disputou o Diretório Acadêmico da
Escola de Engenharia, e depois a presidência da ume, o senhor
e seu grupo não tinham uma posição política definida?


Não.Tenho até vergonha de contar, mas vou contar, porque
não estou aqui só para falar das coisas boas. Naquela primeira
eleição para o Diretório Acadêmico, ninguém estava com
idéia do que dizer no nosso manifesto. Um colega sugeriu
um trecho, achamos lindíssimo e colocamos lá. Depois ficamos
sabendo que o trecho era do Plínio Salgado! É óbvio
que, pelo meu posicionamento contra os comunistas, tendo
usado o Plínio Salgado, eu era um fascista... Mas nós não sabíamos
que aquilo era do Plínio Salgado. Usamos porque
achamos bonito e ponto. Como já disse aqui, só comecei minha
politização realmente depois que assumi a presidência da
ume. Até então eu não tinha formação política, não estava
interessado no assunto. É incrível, mas não estava. Aí comecei
a ler no Correio da Manhã os artigos de um homem que
passou a ser muito importante para mim: Carlos Lacerda.
Lacerda tinha uma coluna que passei a ler com assiduidade e
que me impressionou muito.27 Procurei saber quem era ele,
comecei a me interessar. Depois de ter entrado na ume é
que fui tomar conhecimento da cúpula do pcb, de quem era
quem, qual era a visão soviética, o que era stalinismo. Comprei
a autobiografia do Trotski, um livro volumoso, que li
todo. Comecei então a me educar, e me auto-eduquei, não
tive um mestre, não tive um guru. O mais próximo de um
guru que eu posso chamar era o Lacerda.
Esse seu despertar para a política não foi discutido em sua
casa? O senhor costumava conversar com seu avô. Conversava
também com seu pai?
Meu avô àquela altura já tinha morrido. Meu pai conversava
comigo e me dava orientações gerais. Era um democrata, mas
não tinha partido.Tinha inclusive um problema delicado, porque
foi diretor-técnico da csn – foi ele quem acendeu o altoforno
de Volta Redonda –, depois se tornou diretor industrial,
quando a empresa entrou em funcionamento, e depois foi
vice-presidente muitos anos. Substituiu várias vezes Raulino
de Oliveira ou Macedo Soares, que se revezaram na presidência.
O problema dele era que quem elegia a diretoria da csn
77
era o Getúlio, era uma decisão do Getúlio. Meu pai não tinha
apoio político, e por isso tinha receio de que uma hora qualquer
não fosse reeleito. Não sendo reeleito, e não tendo recursos,
o que lhe restaria? Voltar para Santos, porque o emprego
fixo dele era o de engenheiro da Repartição de Saneamento do
Estado de São Paulo. Isso provocava um pavor em minha mãe.
Voltar para Santos e tirar dos filhos a oportunidade de estudar
no Rio de Janeiro... Minhas irmãs, quando acabaram o Sacré-
Coeur, começaram a estudar direito na Universidade Católica,
mas no fim do primeiro ano se casaram.
O senhor começou a participar da política estudantil por ímpeto,
por vontade de se opor àquela assembléia em que não
pôde falar. Mas podia não ter continuado, podia ter parado por
ali. O que o levou a ler a biografia do Trotski, por exemplo?
É que eu comecei a tomar conhecimento do problema do totalitarismo,
e a me aproximar mais dos ideais democratas, inclusive
os norte-americanos. Houve um período em que fui fã de
carteirinha dos Estados Unidos, do American way of life.Viajei
pela primeira vez para os Estados Unidos em 1950, e em 1951
viajei para Edinbourgh, Escócia, para o Congresso Internacional
de Estudantes. Minha visão começou a se fixar, sob o ponto
de vista, vamos chamar de político-ideológico, dessa época em
diante. Aí os embates passaram a ser político-ideológicos, porque
havia no meio estudantil uma clara divisão entre comunistas
e anticomunistas. E como o problema era sempre o domínio
pelas minorias, com a minha vitória na ume, no Rio, nós
estendemos o nosso movimento para o resto do Brasil, porque
começamos a ver que nos estados a apatia também era absolutamente
geral.Através de Carlos Lacerda, fiquei conhecendo o
brigadeiro Eduardo Gomes, que me cedia lugar no Correio Aéreo
Nacional para percorrer o Brasil. Eu ia para as capitais para
saber o que existia. Um detalhe: quando fui a São Luís do Maranhão,
não existia uma União Metropolitana dos Estudantes.
Fundei a ume lá, sabem com quem? Com José Sarney.


O que é interessante é que o senhor começou a se politizar
dentro do contexto da Guerra Fria.


Exatamente. Naquela época, um fato muito importante foi a
invasão da Coréia do Sul pela Coréia do Norte.28 Quando
ouvi a notícia pelo rádio, me lembrei da Pax Romana e redigi,
de próprio punho, um manifesto de protesto contra a invasão,
que chamei de “Pax Soviética”. Quando acabei, entreguei
aquilo ao Diário de Notícias. Não é que, no dia seguinte,
o manifesto foi manchete em todos os jornais? Isso causou o
maior rebuliço no meio estudantil. Fui obrigado a convocar
um Conselho Estadual de Estudantes, que ficou cheiíssimo.
No fim apoiaram o meu manifesto e não me deram voto de
desconfiança. Mas também ganhei um apelido: Paulinho da
Coréia. O pessoal da época se lembra disso.
a une muda de mãos


O senhor foi presidente da ume de quando até quando, exatamente?


Fui eleito uma primeira vez e fui reeleito para um outro período,
portanto, fiquei dois anos: de meados de 1949 a meados de
1950, e daí até meados de 1951. Quando terminei o segundo
mandato, até recebi uma homenagem que me foi muito grata:
o título de presidente emérito da ume, concedido pela primeira
vez. No último ano, já acumulei o cargo de presidente da
ume com o de secretário internacional da une. Foi quando, na
une, nós derrotamos o candidato da situação e elegemos um
desconhecido no nosso meio, Olavo Jardim Campos.29 Foi a
vitória do nosso movimento no Brasil inteiro.
Houve até um episódio muito interessante nessa eleição
da une. Quem estava representando a situação era Roberto
Gusmão, e quem estava representando a oposição era eu. Roberto
teve uma negociação comigo que começou às oito horas
da noite e foi terminar às dez horas da manhã do dia seguinte.
No princípio, ele queria fazer uma chapa única meio a
meio: ele indicaria a metade da diretoria, e eu indicaria a outra
metade.A conversa foi evoluindo, e quando chegou às dez
da manhã, eu seria o presidente e ele indicaria um único
membro da diretoria. Mesmo assim eu disse: “Não posso aceitar
isso, porque o nosso movimento tem um conteúdo ideológico
diferente do seu”. Como já disse aqui, quando entrei,
eu era totalmente despolitizado. Eu me politizei rapidamente,
não só pelo embate, mas porque nós estávamos em plena
79
Guerra Fria, numa fase de bipolarização mundial. Ou você estava
de um lado, ou estava do outro: o meio-termo não tinha
lugar. Eu não quis aceitar a indicação do Roberto, porque seria
aceitar ter na minha diretoria um membro com idéias totalmente
divergentes das nossas, naquela polarização entre
uma visão democrática e uma visão comunista.


Isso que o senhor está chamando de “nosso movimento” tinha
um nome? Tinha metas definidas?


O nosso movimento era a União Universitária, a famosa uu a
que já me referi. E as metas eram atender às necessidades dos
estudantes e não permitir a penetração comunista no movimento
estudantil. É preciso ver que, naquela ocasião, a doutrinação
comunista não era própria de todos os estudantes comunistas,
mas sim da parcela que acatava as orientações da cúpula
do Partido Comunista, que tinha sido posto na ilegalidade.


Quem eram essas pessoas?


Branca Fialho, Jacob Gorender, Salomão Malina... Esses são
os nomes de que me lembro, mas havia muitos mais. Salomão
Malina era aluno da Escola de Engenharia, tinha sido
herói da feb, era uma pessoa muito carismática. Era o que
nós chamávamos de estudante profissional, ou seja, o sujeito
que ficava estudando anos e anos sem a intenção de se formar,
apenas para fazer política estudantil. Havia vários outros
nomes, do Nordeste inclusive, de que, para ser sincero,
não me lembro. Muitos já tinham se formado, eram mais velhos
que nós. Sei que eles foram para a Faculdade de Filosofia
e, de lá, tomaram o movimento estudantil e a une. Eram
a linha stalinista, baseada no centralismo democrático: o Komintern
decidia e o pessoal de baixo cumpria sem discussão.
Era o que o Kruschev veio denunciar no xx Congresso do
Partido Comunista da União Soviética, em 1956, juntamente
com uma série de crimes cometidos. Nesse momento, o
mundo inteiro e os próprios comunistas ficaram aturdidos
com o que Stalin tinha feito. Mas se esquecem do que Lenin
fez, e que foi denunciado por quem? Por Trotski.
Acabei de contar que, na minha fase de politização intensa,
li a autobiografia do Trotski.Tenho uma característica
na minha vida: minha mãe costumava dizer que ela não sabia por quê, mas eu andava melhor quando tinha uma pedra no
sapato. Quando enfrento uma dificuldade, eu cresço. E
quando faço uma coisa, sou radical, no sentido de me aprofundar
até onde puder. Não fico no meio-termo. Nesse ponto
sigo o que está escrito na Bíblia: “Conheço as tuas obras:
não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Mas,
como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te”.30
Nessa fase de politização fui fundo, fui ler, entender, fui ver
o que era a democracia, quem eram os Founding Fathers dos
Estados Unidos, quais eram as idéias de Andrew Jackson e de
George Washington. Fui ler La Fayette, na França. Fui me
atualizar, porque eu não tinha essa formação. Passei a ter.
Mas eu estava contando da minha discussão com Roberto
Gusmão, que hoje é um grande e querido amigo meu. Uma
pessoa que, inclusive, tive a oportunidade de ajudar. Embora
eu vá dar um pulo, se me permitirem, há outra história que
quero contar. Quando eu era ministro do governo Castello,
recebi um pedido de audiência do Roberto Gusmão. Como
sempre tínhamos nos respeitado muito, mesmo sendo adversários
no movimento estudantil, atendi-o imediatamente. Eu
sabia que ele era um socialista, mas não um comunista. Havia
uma distinção. Entendo e aplaudo, inclusive, a visão utópica
do jovem que quer ver a transformação do mundo. É lógico
que isso é apreciável, é desejável, mas não do jeito que Stalin
fez, e Mao Tsé-tung repetiu, pior ainda. Enfim, quando recebi
o Roberto, ele me disse: “Paulo, abriram um ipm contra
mim, porque tenho um irmão que, em tempos idos, andou lidando
com o pcb.Você me conhece, sabe que eu sou socialista,
mas nunca pertenci ao pcb. E agora estou sendo processado.
Você poderia me dar uma declaração atestando que não
sou comunista?” Respondi: “Roberto, eu quero dar essa declaração,
mas tenho que consultar o presidente, porque sou um
ministro de Estado.Vou redigir o documento e vou consultálo”.
Redigi a declaração, Castello pegou o papel, leu e perguntou:
“Ministro, o senhor sabe o que significa isto?” Respondi:
“Significa a verdade”. Ele: “Não, estou falando do que
isto significa legalmente. Isto encerra o ipm. O senhor ainda
quer mandar esta declaração?” Eu disse que sim, e ele concluiu:
“Então, mande”. E o ipm foi encerrado. Depois o Roberto
foi ministro da Indústria e Comércio,31 como eu tinha
sido. Pude brincar com ele, porque eu conhecia muito bem a
política do ministério e dizia: “Roberto, agora você está mais
à direita do que eu, viu?”A vida é uma roda-gigante: vai lá em
cima e vem aqui embaixo. É muito difícil as pessoas permanecerem
em pontos fixos. Graças a Deus, as pessoas mudam e,
com boa fé, tentam se aprimorar.

A UJS do PC do B é realmente maior que a UNE?

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO:a UNE conseguiu reunir apenas 300 lideranças, enquanto a União Juventude Socialista (UJS) do PC do B) reuniu cerca de 1300 delegados. Perguntar não ofende: A UJS do PC do B é realmente maior que a UNE? É sabido que o pessoal da UNE dá tudo pela UJS, enquanto a UNE é apenas usada como sua correia de transmissão de recursos, prestígio (pouco mas existe) e outras coisas mais.

FONTE:http://blogdopetta.blig.ig.com.br/
Congresso da UJS pauta mudanças e mobiliza lideranças

Foi um sucesso o 14º Congresso Nacional da UJS (União da Juventude Socialista), realizado entre 12 e 15 de junho, em São Paulo, no Parque da Juventude. O evento contou com a presença de lideranças políticas renomadas, além de intervenções culturais, muitos debates e a eleição da nova direção nacional. Aproximadamente 1.300 delegados do 14º congresso escolheram 69 líderes, vindos de diversos estados e movimentos juvenis, que irão compor a nova diretoria da entidade. Marcelo Brito (Gavião) foi reeleito presidente nacional e acredita que os próximos desafios serão enormes. Segundo ele, a UJS lutará com toda força para construir o socialismo. O Congresso foi abrilhantado com a presença de membros antigos da UJS e que hoje são políticos renomados. O deputado federal Aldo Rebelo, o presidente do PCdoB Renato Rabelo e a presidente da UNE Lúcia Stumpf foram alguns dos nomes que estiveram no evento e prestigiaram o ato político em homenagem a Ernesto Che Guevara, que faria 80 anos no último sábado. O vice-presidente da República José de Alencar apareceu por lá no último dia e parabenizou a juventude, ressaltando a força política da entidade representa. Ele também discorreu sobre a importância da presença dos jovens na construção do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Durante o evento, foram aprovadas a Resolução Política do Congresso e as mudanças no Estatuto e Manifesto. O plenário ainda oficializou uma moção de repúdio ao governo gaúcho de Yeda Crusius (PSDB) e a Carta Che Guevara, que encerrou o encontro sob abraços emocionados da juventude presente ao som do hino nacional.

Deu no blog do Senhor Gustavo Petta:

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: Petta, poderia nos repassar os nomes das 300 "lideranças" que estiveram no 56º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG)? Quais Faculdades ou Universidades eles representam?

FONTE: http://blogdopetta.blig.ig.com.br/

Repensar a Universidade para mudar o Brasil foi o tema do 56º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) da UNE, que aconteceu na Universidade de Brasília entre os 20 e 22 de junho.

Cerca de trezentas lideranças estudantis estiveram presentes da 56ª edição do evento debatendo e trocando idéias com o objetivo de traçar metas e definir novas linhas de atuação da UNE. Como não podia deixar de ser, a Reforma Universitária foi a pauta principal. Foi lançada também a Caravana da UNE, que percorrerá o país durante três meses e irá promover discussões sobre políticas públicas para a saúde, educação e cultura, tudo sob a ótica da juventude brasileira. A nova plataforma eleitoral da UNE e a resolução educacional, base do processo de construção do projeto de Reforma Universitária da entidade, foram aprovadas no último dia do evento. Além disso, definiu-se as campanhas referentes à educação, tal como o fim da DRU com 10% do PIB para a educação, contra a desnacionalização do ensino e pela proibição do capital estrangeiro nas universidades brasileiras, uniformidade nas eleições para reitor e conselho, a extinção das fundações de apoio nas instituições públicas, democratização das universidades com aprovação do PL de reserva de vagas, a aprovação do Projeto de Lei de mensalidades, aumento de vagas nas federais e mais verbas para assistência estudantil. Protesto - Um dia antes do inicio do CONEG, cerca de três mil pessoas, entre estudantes e trabalhadores, realizaram uma manifestação em frente ao prédio do Banco Central, em Brasília, para reivindicar a redução na taxa de juros e a demissão de Henrique Meirelles (presidente do BC). Jovens pintaram a fachada do prédio com tinta verde e amarela.

Memória: UNE, Petta e o blá blá blá sobre o Banco Central

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: toda vez que a UJS/PC do B/UNE passa por uma crise de imagem em relação a sua posição de chapa-branca, o Presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) tem o seu prédio cercado por meia dúzia de "militantes" e uma assessoria de comunicação da UNE pronta para registrar o "grande protesto", que é mais uma manipulação de tal grupo

FONTE: http://www.contee.org.br/2mandato06/m13.htm


MUDANÇA ECONÔMICA

UNE deflagra campanha sob o lema ‘Fora Meirelles’Roberto Fleury/UnB Agência/Folha Online - Blogs - Josias de SouzaA União Nacional dos Estudantes inicia nesta segunda [veja nota atualizada na página Asuntos Educacionais, neste portal] uma campanha por mudanças na política econômica. O mote do movimento é “Fora Meirelles!” Uma referência ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, transformado pela entidade estudantil em ícone da ortodoxia econômica. Para marcar o início de sua cruzada, a UNE reunirá num ato público, entre outras personalidades, os economistas Carlos Lessa, Luiz Gonzaga Beluzzo e Paulo Nogueira Batista, além do sociólogo Emir Sader. Será às 10h desta segunda, na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco. Do encontro, resultará um manifesto, a ser entregue a Lula no próximo dia 13. Ouvido pelo blog, o presidente da UNE, Gustavo Petta (PC do B), 25 anos, disse que o ato desta segunda “é o embrião de uma mobilização nacional.” Estudante do último ano de jornalismo na PUC de Campinas, Petta afirma que, se Lula não mudar o modelo econômico, “isso será considerado como uma traição”. Abaixo, a entrevista:
- Por que a UNE quer mudar a política econômica?A insatisfação existe desde o primeiro mandato do Lula. O ato desta segunda-feira é o embrião de uma mobilização nacional, reunindo entidades do movimento sociais como UNE, MST, CUT e várias outros. O sentido é pressionar o governo para que seja mais ousado no segundo mandato.
- Por que o lema ‘Fora Meirelles’?A troca do Henrique Meirelles é emblemática. Se, na hora da mudança de ministros, o Lula colocasse no Banco Central uma nova diretoria, outro presidente, daria uma sinalização de que o segundo mandato vai ser diferente. Lula fala em investimentos na infra-estrutura, na educação, na saúde. Como fazer isso mantendo a atual política, que impede o crescimento e impõe o superávit fiscal de 4,25% do PIB?
- O patrono dessa política é Lula, não o Meirelles. Não seria o caso de um Fora Lula?Nossa pressão é direcionada ao presidente. O Lula está falando muito em mudança, em desenvolvimento, em ousadia. Para que isso se concretize, ele teria que mudar as pessoas que dirigem o Banco Central. O Henrique Meirelles personifica o conservadorismo, a subordinação ao sistema financeiro. Mas pode tirar o Meirelles e colocar no lugar dele outra pessoa também identificada com a mesma política ortodoxa. Então, na verdade, nossa pressão é dirigida ao Lula.
- Qual é o plano econômico da UNE?Nesta segunda, vamos divulgar um manifesto. Está sendo construído e aponta alguns caminhos. Para dar mais consistência às nossas propostas, vamos fazer, no início do ano que vem, um seminário. É uma iniciativa conjunta da UNE e da Faculdade de Ciências Humanas da USP. Discutiremos alternativas para o desenvolvimento, ouvindo intelectuais e economistas que estão incomodados com o atual rumo. Com isso, teremos mais base de sustentação para nossas propostas. Não queremos ficar só no chavão. Vamos propor caminhos.
- Mas que pontos da atual política incomodam a UNE?Percebe-se claramente que é necessário mudar. Neste ano, a economia vai crescer menos de 3% do PIB. Países da América Latina e outras nações emergentes crescem muito mais. A atual política monetária, extremamente ortodoxa, é incompatível com a política de desenvolvimento. E a economia condiciona todas as outra áreas –educação, saúde, reforma agrária. Com um superávit fiscal de 4,25% do PIB não sobra nada para o governo investir. (Continua no texto abaixo...)(Escrito por Josias de Souza às 20h40, 3/12/2006)
‘Se mudanças não vierem, será considerado traição’
- A manutenção do modelo abalaria o apoio da UNE a Lula? Se Lula não sinalizar mudanças claras, haverá um aumento da tensão. No primeiro mandato, quando se falou na possibilidade de impeachment, pautado pela direita, os movimentos sociais perceberam que seria pior a volta de setores conservadores. E nos posicionamos contra o impeachment. Agora, com a perspectiva de impeachment totalmente afastada, a cobrança vai ser muito maior. Não há mais o argumento da herança maldita do governo anterior. Se as mudanças não vierem, isso será considerado como uma traição.
- A UNE ajudou a derrubar Collor. Sob Lula, pôs a ética em segundo plano. Foi um acerto?Avaliamos que a UNE não poderia se tornar, junto com outros movimentos, uma tropa de choque da direita, que tentou se tornar porta-voz da ética na política. Sabíamos que isso era um jogo. E tomamos cuidado para não fazer o jogo da direita. Ao mesmo tempo, nunca deixamos de exigir a punição dos os envolvidos, até para evitar que a contaminação de toda a esquerda brasileira.
- As punições ocorreram a contento?Acho que não, a coisa ainda está em processo. Há o caso das sanguessugas, ainda inconcluso. No caso do dossiê também as pessoas ainda não foram punidas. Todos os envolvidos precisam ser punidos. Muitos políticos foram punidos pelo povo. Outros, que foram reeleitos, talvez não sejam punidos porque, neste caso das sanguessugas, a própria CPI parece estar em crise na reta final.
- A sensação de impunidade não o incomoda como presidente da UNE?Incomoda. Mas também incomoda o fato de que esses casos que ocorreram agora não são novos. Ocorrem há muito tempo. Várias CPIs foram engavetadas no período Fernando Henrique. Tudo isso incomoda. Boa parte da imprensa teve agora um comportamento bem diferente de períodos anteriores.
- As perversões da era FHC –da compra de votos da reeleição aos problemas nas privatizações– são conhecidas porque a imprensa noticiou, não?Lógico. Mas não foi no mesmo tom. Nesse caso do dossiê, alguns veículos cobriram de forma equivocada. De todo modo, causa incômodo ver, no Brasil, tantos casos de corrupção, novos e velhos, sem resolução.
- A insatisfação coma economia vai desaguar nas ruas?Essa é a idéia. Já existe unidade entre os movimentos –UNE, MST, CUT e outros. Se o governo não for ousado nas mudanças, o tensionamento vai ser muito maior. Começa no início do ano que vem. E haverá manifestações de rua.
- Sob Collor, havia o mote ético. A troca do modelo econômico animaria os estudantes a encher as ruas?Não. Essa é uma dificuldade. A bandeira da ética representava um apelo muito maior na época do Collor. Mas vamos fazer a ligação da economia com temas que envolvem a vida das pessoas. No caso da UNE, mostraremos que essa política econômica impede os investimentos em educação pública. O pessoal do MST vai falar da reforma agrária. A turma da CUT falará de emprego, de salário mínimo. Se dissemos apenas ‘vamos mudar a política econômica’, não mobilizaremos milhares de pessoas. Mas se mostramos que, sem mudanças, o país fica estagnado em todas as áreas, conseguiremos sensibilizar as nossas bases.(Folha Online - Blogs - Josias de Souza – 3/12/2006)

Memória: UNE, Petta e o blá blá blá sobre o Banco Central

Centro de Estudos e Memória da Juventude X UNE: privado X privado

O Centro de Estudos e Memória da Juventude, que tem a participação de Gustavo Petta na sua composição, também tem sido uma entidade que busca recursos públicos para tratar da história do movimento estudantil. O projeto Memória do Movimento Estudantil - que na Gestão de Gustavo Petta na UNE consumiu cerca de 2,2 milhões de Reais - (ver em http://www.mme.org.br/) depois de consumir dinheiro público que beneficiou apenas a Rede Globo e a União Juventude Socialista (UJS) do Partido Comunista do Brasil (PC do B),tem agora na entidade Centro de Estudos e Memória da Juventude um novo vazamento de recursos públicos, sobretudo vindo de emendas parlamentares.

Vejam abaixo:

1) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=054147


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
054147
Projeto do Centro de Documentação da Juventude - CEDOJ
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Humanidades
Arquivo
SP
FNC
Síntese do Projeto
Criar o acervo existente na história da participação da juventude brasileira. Promover o protagonismo e resgatar a memória da juventude brasileira, recolhendo por todo o Brasil, materiais relativos á participação sócio-cultural e política dos jovens, contribuindo para o conhecimento da participação juvenil em momentos da vida nacional. Emenda Parlamentar. Funcional Programática n.º 13.392.1142.4796.0318 DEPUTADO: Jamil Murad valor R$150.000,00 Funcional Programática n.º 13.392.1142.4796.0314 DEPUTADO: Jandira Feghali valor R$100.000,00
Solicitado R$
Aprovado R$
Liberado R$
250.000,00
172.143,03
215.178,78
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
25/09/2007
Analisando prestação de contas - convênio
Apresentou Prestação de Contas, em análise na CPCON.

2) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=075605


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
075605
Projeto de Equipagem e Relançamento do Centro de Documentação da Juventude (CEDOJ)
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Audiovisual
Infra-estrutura Audiovisual
SP
Mecenato
Síntese do Projeto
Aquisição de equipamentos de informática e móveis de acondicionamento visando a equipar o CEDOJ em São Paulo, uma entidade que atua para promover o protagonismo e a memória da juventude brasileira, e realização de exposições de fotos da juventude.
Solicitado R$
Aprovado R$
Captado R$
159.999,03
0,00
0,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
13/07/2007
Projeto fora da pauta - Proponente Inabilitado
Projeto retirado de pauta - proponente inabilitado
3) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=065650


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
065650
Manutenção e ampliação do Centro de Documentação da Juventude - CEDOJ
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Humanidades
Acervo Bibliográfico
SP
FNC
Síntese do Projeto
Manutenção, ampliação e informatização do Centro de Ducumentação da Juventude - CEDOJ
Solicitado R$
Aprovado R$
Liberado R$
340.000,00
0,00
0,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
28/12/2006
Em Andamento
Projeto encaminhado á CGOFC/DGI para cancelamento da NE.

4) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=075603


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
075603
Protagonismo da Juventude Brasileira São Paulo Salvador e Rio de Janeiro
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Audiovisual
Difusão
SP
Mecenato
Síntese do Projeto
Democratização do acesso não apenas ao material, mas também à reflexão e à interlocução sobre o tema A participação da Juventude na ampliação da democracia e das conquistas sociais em nosso país, por meio de exposição que mostrará ao público um conjunto de materiais relacionados com a história da participação da juventude e do movimento juvenil organizado.
Solicitado R$
Aprovado R$
Captado R$
241.955,00
0,00
0,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
03/06/2008
Parecer Técnico Emitido
Recebido da unidade de análise. Encaminhado para CAPC para providências. Em 04/06/2008.

5) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=045151

Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
045151
A participação Cultural e política da Juventude Brasileira nos últimos 20 anos
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Audiovisual
Eventos
SP
FNC
Síntese do Projeto
Objetivo geral de promover a historia recente do protagonismo na vida política e cultural do nosso país.
Solicitado R$
Aprovado R$
Liberado R$
200.000,00
200.000,00
200.000,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
13/03/2008
P.C. desaprovada com tomada de contas especial
Tomada de Contas Especial instaurada. Encaminhado para CCONT.

6) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=077622


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
077622
Projeto Memória do Protagonismo da Juventude Brasileira.
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Audiovisual
Eventos
SP
Recurso do Tesouro
Síntese do Projeto
O presenre projeto tem como objetivo geral promover o resgate da história do protagonismo da juventude brasileira, em particular e na cultura, esferas nas quais é mais visível a marca indelével da juventude brasileira.
Solicitado R$
Aprovado R$
Captado R$
250.000,00
0,00
0,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
26/12/2007
Projeto Arquivado
ARQUIVADO POR ESTAR INADIMPLENTE NOS SISTEMAS

7) http://www.cultura.gov.br/salic4/index.php?pronac=072646


Dados do Projeto
Número do Projeto (PRONAC)
Nome do Projeto
072646
Projeto de Manutenção e ampliação do Centro de Documentação da Juventude - CEDOJ
Nome do ProponenteE-mail Proponente
Telefone Proponente
-->
Outros Projetos
Centro de Estudos e Memória da Juventude cemj@cemj.org.br
11-32620023
-->
O Protagonismo Juvenil e as Po... A participação Cultural e polí... CD Revolução com a Nossa Cara Caravana da Juventude Maranhen... Projeto do Centro de Documenta... Manutenção e ampliação do Cent... Projeto de Manutenção e amplia... Protagonismo da Juventude Bras... Projeto Coisas Nossas 2007 Rem... Projeto de Equipagem e Relança... Projeto Castro Alves 160 Anos Projeto Memória do Protagonism...
Todos os Projetos
Área Cultural
Segmento
UF
Mecanismo
Patrimônio Cultural
Acervo
SP
FNC
Síntese do Projeto
Promover o resgate da memória da juventude brasileira através da manutenção, ampliação, informatização e divulgação do acervo do CEDOJ (Centro de Documentação da Juventude). Pretende-se atingir público estimado de 300 visitas anuais. Período de execução: 01/06/2007 á 01/06/2008
Documentos Pendentes
Data de realização do evento
Enquadramento do projeto preenchido no formulário padrão
Orçamento analítico, contendo especificações de todos os custos
Solicitado R$
Aprovado R$
Liberado R$
289.132,04
0,00
0,00
Data Último Movimento
Último Movimentover todos os movimentos
Providência tomada
03/10/2007
Projeto Arquivado
Arquivado em conformidade ao disposto na alínea h, art. 49 da Portaria MinC n.º 46/1998, tendo em vista o não atendimento à diligência documental em sua totalidade, inviabilizando, portanto, seu prosseguimento, face a insuficiência de informações.

Velório de Ruth Cardoso é aberto para visitação pública; FHC chega ao local

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: Muitos discordavam da Professora Ruth Cardoso, levados na maior parte pelo partidarismo e pela cegueira intelectual. Mas Dona Ruth, como muitos se dirigiam a ela, contribuiu muito no campo do debate sobre o Brasil e para a efetivação de diversas políticas públicas na área social. Ela só não mereceu ao final de sua vida ser exposta da forma como foi no chamado "banco de dados" (Dossiê) dos gastos da presidência de FHC.


FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u416008.shtml
25/06/2008 - 12h18
Velório de Ruth Cardoso é aberto para visitação pública; FHC chega ao local

THIAGO FARIAda Folha Online
O velório da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi aberto para visitação pública por volta das 11h45 desta quarta-feira na Sala São Paulo, região central da capital paulista.
FHC já chegou ao local e está numa sala reservada. Também estão no velório o ministro Orlando Silva (Esporte), o senador Romeu Tuma (PTB-SP), o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, e o líder tucano na Câmara dos Vereadores, Gilberto Natalini, entre outros.
O caixão está aberto e sobre o corpo de Ruth Cardoso tem uma bandeira do Brasil e uma bandeira dobrada de Araraquara, cidade onde nasceu a ex-primeira-dama. Ao lado do corpo estão dois lanceiros do regimento Nove de Julho da Polícia Militar.
O local ficará aberto para visitação pública até as 21h de hoje. O enterro está previsto para a manhã desta quinta-feira, no cemitério da Consolação, no centro de São Paulo.
Ruth Cardoso morreu às 20h40 desta terça-feira, em sua casa, no bairro de Higienópolis (SP). Segundo nota médica divulgada na noite de ontem, a ex-primeira-dama foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana.
Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique, quando passou mal. FHC não estava em casa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua agenda desta quarta-feira à tarde, quando virá a São Paulo participar do velório da ex-primeira-dama.
Com a morte de Ruth Cardoso, o comando nacional do PSDB cancelou as comemorações que faria hoje em Brasília pelos 20 anos de fundação do partido.
Política
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decretou luto de três dias no Estado. Após a confirmação da morte, o tucano foi até o apartamento de FHC, em Higienópolis, para prestar solidariedade ao ex-presidente.
"A Ruth era uma pessoa muito especial, para sua família, para seus amigos, para nosso país. Um exemplo de dignidade, delicadeza, inteligência e carinho pelas pessoas. É uma dor imensa a que sinto nesse momento", disse o governador, durante visita ao apartamento da família.
Com a morte da ex-primeira-dama, o PSDB cancelou a sessão solene que estava marcada para hoje, às 11h, no Senado, para marcar os 20 anos de fundação do partido. "Cancelamos o compromisso", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Para ele, "os brasileiros ficaram sem a presença de uma mulher generosa, forte e combativa, que sempre sonhou com um país mais solidário, rico e justo". "A Ruth Cardoso fará muita falta. Ela era muito querida e presente no partido", disse.
O presidente Lula também divulgou nota lamentando a morte da ex-primeira-dama. Ele disse que recebeu a notícia "com surpresa", além de afirmar que a morte de Ruth Cardoso representa uma "grande perda" para o país.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) também decretou luto oficial de três dias no município.
Carreira
Nascida em 19 de setembro de 1930 na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso foi professora de Antropologia e Ciência Política na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em São Paulo.
Bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a ex-primeira-dama se casou em 1953 com Fernando Henrique, com quem teve três filhos.
Em 1972, recebeu o título de doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Anos depois, concluiu pós-doutorado na Universidade de Columbia em Nova York e também foi professora em universidades americanas e inglesas.
Durante o mandato de FHC (1995-2002), dona Ruth fundou o projeto Comunidade Solidária em 1995, uma ação de combate a pobreza e a exclusão social. Atualmente, fazia parte do conselho diretor da Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) Comunitas, criada para para dar continuidade aos projetos do Comunidade Solidária.
Entre seus cargos de destaque, presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre Mulher e Desenvolvimento, foi membro da junta diretiva da UN Foundation e da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização.
Tornou-se uma das das principais referências sobre antropologia no país, tendo escrito diversos livros sobre temas relacionados, como juventude, violência e cidadania.

56º CONEG: estudantes aprovam novo projeto de Reforma Universitária da UNE

COMENTÁRIO DE OTÁVIO LUIZ MACHADO: Resta saber quais entidades assinaram um "novo projeto de Reforma Universitária da UNE", pois a UNE nunca teve nos últimos projeto sobre a Reforma Universitária. Para se dizer "novo" não é preciso saber qual é o velho?
O que foi modificado? A UJS/PC do B/UNE deixou de assinar o projeto do Governo Lula. Pelo menos numa mesa do CONEG para debater a educação superior só vimos o Secretário de Ensino Superior (Ronaldo Mota) e o capacho dos capachos do Governo Federal, o Reitor da UFBA, o Doutor Naomar de Almeida Filho.

FONTE: http://www.une.org.br/


25 de junho de 2008
56º CONEG: estudantes aprovam novo projeto de Reforma Universitária da UNE
Durante a plenária final do encontro, jovens de todo o País votaram também a plataforma eleitoral da entidade, doze moções, a convocação para a Jornada de Lutas pela Educação de agosto e para o Fórum Social Mundial, a resolução sobre o REUNI e a carta de Brasília, documento que resume o que foi discutido durantes os três dias de CONEG
A 56ª edição do Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (CONEG) reuniu cerca de trezentas lideranças estudantis na Universidade de Brasília, com o objetivo de definir as linhas de atuação da UNE para o próximo período.
Depois de três dias de intensa troca de idéias, o domingo foi reservado a plenária final, momento em que todos se reuniram para votar propostas, resoluções e moções sobre o que foi discutido durante o encontro.
Os estudantes aprovaram o novo projeto de Reforma Universitária da UNE. Um trecho do documento, redigido "a trezentas mãos", afirma que "é preciso criar marcos regulatórios e políticas de Estado que sempre reivindicamos colocando assim, a universidade brasileira a serviço de sua missão enquanto elemento estruturante de projeto de desenvolvimento econômico-social soberano através da produção científica e tecnológica e elemento gerador de uma sociedade mais justa".
O novo projeto pontua dez eixos fundamentais para a consolidação de uma universidade que atenda as demandas dos estudantes e para o desenvolvimento do País como a autonomia universitária, que inclui entre outros pontos, a indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão; financimanto com 10% do PIB para educação e o fim da DRU; democracia, com eleição direta para reitor nas universidades com eleição paritária e pelo fim da lista tríplice; acesso, pela implementação imediata do PL 73/99 que garante Reserva de Vagas para estudantes de escola pública, e cotas e assistência estudantil que contemple alimentação, transporte e moradia estudantil.
A regulamentação do Ensino Privado, contra a mercantilização e desnacionalização da educação; a reestruturação acadêmica e curricular, rompendo com a antiga fórmula da unilateralidade na relação professor-aluno; ensino profissional e tecnológico, que vise a criação bolsas de pesquisa e extensão para ensino tecnológico e cefets; pesquisa, pela ampliação e aperfeiçoamento do sistema de pós-graduação e extensão que garanta carga horária mínima de atividades de extensão nas grades curriculares dos cursos de graduação completam a lista.
Convocatórias O 56º CONEG também convocou os participantes a mobilizarem jovens em seus estados para a Jornada de Lutas em defesa da Educação que acontecerá em agosto. A UNE lançou neste CONEG a campanha "UNE em sala de aula", que norteará as atividades da Jornada de Lutas.
A campanha consiste em um abaixo-assinado que contemple os seguintes pontos: fim da DRU e a destinação de 10% do PIB para a educação, contra a desnacionalização da educação, mais democracia nas universidades com paridade nas eleições, contra o aumento abusivo de mensalidades; livre organização estudantil nas universidades; regulamentação do ensino privado, fim das Fundações privadas nas Universidades Públicas e a democratização da Universidade: mais vagas nas Universidades Federais; aprovação do PL de reserva de vagas; mais verbas para a assistência estudantil.
Esta edição do encontro também convocou estudantes para participarem do Fórum Social Mundial que ocorrerá entre os dias 27 de janeiro a 1 de fevereiro em Belém (PA) e para aderirem a campanha "A Amazônia é do Brasil – Preservar sem entregar", no sentido de denunciar a ação dos países ricos que escondem no discurso de preservação do meio ambiente o interesse econômico na Floresta que abriga a maior biodiversidade do mundo, constantemente explorada.
Resoluções Entre as resoluções aprovadas está a que definiu a data e local do próximo Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB) da UNE: 18 a 20 de janeiro de 2009, em Salvador, na Bahia.
O incentivo a participação política da juventude também está em as resoluções aprovadas neste CONEG. "O voto é a manifestação de uma opinião, é o manifesto de concordância com um projeto, com propostas e idéias. Nas próximas eleições, convocamos a juventude a participar ativamente, com propostas e mobilização, entendendo que os rumos do país estarão em disputa", pontua um trecho do documento.
Outra explica a posição da UNE em relação ao Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). "É um passo importante para o desenvolvimento e a democratização do acesso à universidade pública no Brasil, mas apesar desse avanço, precisamos entender que o REUNI é um programa de governo, e não atende a demanda da população brasileira de políticas de Estado, que ampliem cada vez mais o acesso com investimentos constantes e crescentes na instituição universidade pública".
Moções Também foram aprovadas moções em relação a diversos temas alinhados a realidade atual. São elas: apoio a auto suficiência de petróleo ("O Petróleo é Nosso!"), apoio aos estudantes chilenos que repudiam a Lei Geral de Educação, a luta dos estudantes de Fonoaudiologia, que reivindicam nenhum corte de verbas para a educação e saúde, à luta dos estudantes da Educação Física que dizem não à fragmentação da formação, ao movimento de estudantes que pedem o "Fora Yeda" no Rio Grande do Sul, apoio aos estudantes da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e pela qualidade de ensino na Unemat Alto Araguaia.
As moções de repúdio se referem ao empréstimo do BNDES aos grandes tubarões de ensino, ao sucateamento dos cursos de licenciatura, principalmente a ação empregada pela reitoria da Unichapecó, à prefeitura de Montes Claros (MG) que usou de força policial contra os estudantes, às repressões contra os líderes estudantis e a moção que reivindica o fim do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (PROER) para as universidades privadas.
Carta de Brasília O documento resume o que foi discutido nos três dias de CONEG. "Debatemos exaustivamente nossas pautas, atualizamos opinião política e unificamos o calendário de nossas próximas batalhas", resume um trecho da carta.Leia aqui a documetação aprovada no 56º CONEG da UNE

Senadores recebem denúncias de violência policial no RS

FONTE:LISTA DE E-MAILS
Repercussao na imprensa Porto alegre 24 de junho de 2008.
Senadores recebem denúncias de violência policial no RS
Em anexo: documento do MP que prega o fim do MST
A violência de Estado contra os movimentos sociais foi tema da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, nesta terça-feira (24). No encontro, os senadores, os deputados federais e estaduais assistiram ao vídeo com treze atos de violência, agressão e repressão aos movimentos sociais. O deputado Dionilso Marcon (PT) relatou a violência e a brutalidade utilizada pelo comando da BM contra os manifestantes no dia 11 de junho, no Parque da Harmonia e em mais 12 eventos recentes. No relato, o comandante da BM declarou publicamente que os manifestantes eram baderneiros e o comando da BM impediu que prosseguissem até o Palácio Piratini, aonde ocorria uma grande manifestação contra a corrupção no governo Yeda.
O ponto alto da audiência foi a divulgação da ata do Conselho Superior do Ministério Público que deliberou a formulação de uma política de intervenção do MP pelo fim do MST, de suas escolas, pela investigação do Incra, da Conab e da Via Campesina. Em determinado trecho o MP indica a investigação e a criminalização do MST. O documento de três páginas sugere o impedimento de marchas, de deslocamentos dos agricultores, assim como a desativação de acampamentos. Também sugere o cancelamento do alistamento eleitoral dos agricultores sem terra nas regiões em conflito e a formulação de uma política oficial do MP com a finalidade de "proteção da legalidade no campo".

Segundo o deputado Marcon a divulgação do documento do MP e as ações da BM comprovam que a Constituição Federal está sendo violada. Segundo ele, o documento descoberto pelos movimentos sociais aponta vários níveis gradativos de repressão: O primeiro, segundo a denúncia dos movimentos, seria a identificação, grampeamento telefônico e de mails de manifestantes, lideranças e de parlamentares; o segundo, com a prática de violência com o uso de gás e balas de borracha, tropas de choque, prisão de manifestantes; num terceiro e último estágio seria a proibição de existência legal de associações e a mudança na legislação penal.
Presente na audiência, o bispo de Santa Cruz do Sul , Don Sinésio Bohn afirmou que a Igreja está ao lado dos pobres, assim como Jesus Cristo o fez e que por isso estava ali junto dos trabalhadores. Os senadores receberam o documento com as denuncias e ficaram perplexos com as imagens de violência e com as declarações do comando da BM e da governadora sobre a operação no Harmonia.
A deputada Federal Maria do Rosário (PT) afirmou que o documento do MP sugere a suspensão da Constituição e de direitos fundamentais da cidadania e dos direitos Humanos. "O MP deveria investigar os R$ 650 mil desviados pela Confederação Nacional da Agricultura que utilizou os recursos na campanha dos ruralistas da senadora Kátia Abreu", destaca Rosário. Outro absurdo do documento do MP , segundo Rosário, é a sugestão de cancelamentos do direito de voto dos eleitores do MST nas áreas de acampamento. A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Rio Grande do Sul divulgou nota oficial, na semana passada, denunciando as recentes ações da Brigada Militar e os argumentos utilizados pelo Ministério Público gaúcho para a execução do despejo de dois acampamentos no interior do Estado. Segundo a nota, "os métodos e argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitaram a ditadura militar no Rio Grande do Sul".
Fizeram parte da diligência o presidente da CDH, senador Paulo Paim, o senador José Nery, senador Flávio Arns, membros da CDH da Assembléia Legislativa do Estado e da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. A programação será a seguinte:9h- audiência com representantes dos movimentos sociais na Assembléia Legislativa do Estado; 13h - audiência com o comandante da Brigada Militar, Coronel Paulo Roberto Mendes; 14h – audiência com o secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, José Francisco Mallmann.

Solidariedade ao MST

Solidariedade ao MST

FONTE: LISTA DE E-MAILS

Estimados amigos e amigas do MST
Entidades de direitos humanos,
Parlamentares, cidadãos do mundo!

Vimos a vossa presença para lhes pedir solidariedade. Nosso movimento está sofrendo uma verdadeira ofensiva de forças conservadores no Rio Grande do sul, que não só não querem ver a terra dividida, como manda a constituição, mas querem criminalizar os que lutam pela reforma agraria e impedir a continuidade do MST.
Para tanto essas forças politicas que defendem na verdade poderosos interesses dos grupos economicos de empresas transnacionais que estão se instalando no estado para controlar a agricultura e os latifundiários, estão representadas hoje no governo da sra. Yeda Crusius, na Brigada Militar, no poder judiciário local e no poder do monopolio da midia.
Abaixo estamos enviando varios documentos ilustrativos, que, apesar de exigir um pouco de paciencia podem explicar melhor a gravidade da situação.
Hoje, dia 24 de junho, apresentamos a denuncia formal, junto a comissão de direitos humanos do Senado Federal que se deslocou até Porto alegre, especialmente para acompanhar a situação.
Segue o documento-denuncia do Dr. Leandro Scalabrini, nosso advogado. Segue a ata da reunião do Ministerio publico, e cobertura da imprensa local.

O que pedimos a voces?
a)Que enviem cartas de protesto para a Governadora Yeda Crusius, e ao procurador geral de Justiça, que é nomeado pela governadora e coordena o Ministério Publico Estadual.
Há em anexo um modelo de carta. Mas se preferirem, usem de vossa criatividade.

b) Que todas as mensagens enviadas a autoridades, nos enviem copias para
setor de direitos humanos do MST nacional
dhmst@uol.com.br
e para setor de imprensa imprensa@mst.org.br


Muito obrigado, por tudo

Juvelino Strozake
Setor de direitos humanos
MST/ nacional





DENUNCIA APRESENTADA PELO ADVOGADO LEANDRO SCALABRIN PARA A COMISSAO DE DIREITOS HUMANOS DO SENADO FEDERAL


Porto alegre, 24 de junho de 2008.

Excelentíssimos Senhores Senadores e parlamentares presentes,.

Senhores e senhoras presentes nesta audiência pública

Sou advogado, presidente da comissão de direitos humanos da OAB de Passo Fundo, defensor dois oito supostos líderes do MST acusados da prática de crimes contra a segurança nacional, e não poderia me omitir, diante do maior esquema repressivo, da maior conspiração CIVIL-MILITAR realizada para aniquilar um movimento social desde o final da ditadura militar brasileira.
Conspiração que inicia com o coronel da Brigada Militar Waldir João Reis Cerutti, então comandante do CRPO Planalto, dois meses antes deste se licenciar para concorrer a deputado estadual pelo Partido Progressista – PP – em maio de 2006, quando formulou o dossiê intitulado ¨Situação do MST na região norte do RS¨. Este dossiê é uma sistematização de uma investigação por ele comandada e que teve por investigados o INCRA, a CONAB, o MST, MAB, MPA e a Via Campesina.
As conclusões da investigação são de que existe vinculação do governo federal ao MST; do MST com o PCC; e do MST com as Farc. O relatório informa que os acampados são massa de manobra de líderes da via campesina e que haveria a presença de estrangeiros junto aos acampados para dar treinamento militar em guerrilha rural, com o objeto de criar uma Zona de domínio, de controle através do domínio territorial, onde o MST substituiria o Estado (tal como ocorre com o tráfico nas favelas do rio de janeiro). A zona de controle territorial branco compreenderia a área abrangida pela Fazenda Anoni e Fazenda Guerra (16000 hectares), face a sua localização estratégica (acesso a todo estado, argentina, etc...) e por ser uma das mais ricas e produtivas regiões do estado. O documento propõe à justiça as seguintes medidas:
- reconhecimento de que as lideranças promovem ações criminosas;
- fixação de prazo para desativação dos 4 acampamentos existentes na região (Nonoai, Sarandi e Coqueiros);
- intervir nas propriedades arrendadas, onde existem acampamentos do MST;
- concessão de interdito proibitório de instalação de qualquer novo acampamento na comarca de carazinho num raio de 50 km da fazenda coqueiros.
Este documento foi entregue em "caráter confidencial" aos juízes e juízas que concederam ordens de busca e apreensão, interdito proibitório, ordens de prisão e reintegração de posse contra integrantes do MST na comarca de Carazinho, que o remeteram a Superintendência de Polícia Federal e a Promotoria de Justiça Especializada Criminal do MPE.
As teses e informações constantes do documento foram utilizadas em 1º de junho de 2006, pelo proprietário da Fazenda, integrante da FARSUL, para formular representação contra o MST junto ao MPE.
O coronel comandou a operação de despejo da fazenda guerra em 2006, onde a atuação da Brigada Militar assumiu todos os contornos de tortura em caráter coletivo, tendo atingido também crianças e adolescentes de forma generalizada, segundo as conclusões do relatório do caso 01-2006 do Comitê Estadual contra a Tortura, composto pela .
O Coronel Ceruti, quando de sua aposentadoria em 2007, em entrevista ao jornal Periódico Central de Passo Fundo, informou que durante a ditadura militar brasileira, esteve infiltrado no Acampamento da Encruzilhada Natalino, durante dois anos, usava o nome de Toninho, e sua missão era convencer acampados a aceitar as terras oferecidas pelo governo em Lucas do Rio Verde no MT e abandonar o acampamento, e ainda repassar informações aos exército, operando um rádio amador que possuía instalado num local da região.
Este dossiê resultou em três ações articuladas contra o MST:
- pelo Estado Maior da Brigada Militar,
- pelo Conselho Superior do Ministério Público do RS;
- pelo Ministério Público Federal de Carazinho.

O Estado Maior da Brigada Militar do RS, a pedido do então Subcomandante Geral da BM Cel. QOEM – Paulo Roberto Mendes Rodrigues, atual comandante geral da corporação, determinou a realização de investigações sobre as ações desenvolvidas pelo MST e aliados, em relação as ações praticadas contra a Fazenda Guerra (Coqueiros do Sul), Fazenda Palma (Pedro Osório), Fazenda Nene (Nova Santa Rita) e Fazenda Southal (São Gabriel).
No dia 20 de setembro de 2007 o relatório n. 1124-100-PM2-2007 foi encaminhado ao comandante geral da BM, onde emite parecer sugerindo sejam tomadas todas as medidas possíveis para impedir que as três colunas do MST que rumavam ao Município de Coqueiros do Sul, fossem impedidas de se encontrar. No relatório houve uma investigação secreta sobre o MST, seus líderes, número de integrantes e atuação no RS.
O relatório da força militar do RS caracteriza o MST e a Via Campesina como movimentos que deixaram de realizar atos típicos de reivindicação social mas sim atos típicos e orquestrados de ações criminosas, taticamente organizadas como se fossem operações paramilitares. Na conclusão do relatório é condenada a "corrente que defende a idéia de que as ações praticadas pelos movimentos sociais não deveriam ser consideradas crimes, mas sim uma forma legítima de manifestação". As investigações também foram dirigidas sobre a atuação de deputados estaduais, prefeitos, cidadãos que cederam ou arrendaram áreas para os acampados, integrantes do INCRA e supostos estrangeiros.
O comandante Mendes sugeriu a remessa do relatório ao Ministério Público do Estado do RS e ao Ministério Público Federal.
Provavelmente, este documento foi repassado a juíza que apreciou o pedido de interdito proibitório da comarca de carazinho em 2007. Naquele processo está certificado nos autos que o MPE repassou documento de caráter sigiloso à magistrada, que teve vistas do mesmo e o devolveu ao MP. Os advogados solicitaram acesso e vistas dos documentos e não obtiveram.
Em função desta ação da Brigada Militar, o MPE ingressou com ACP impedindo as colunas do MST de entrarem nos quatro municípios da comarca de carazinho no RS, e foram ingressadas com várias ações para impedir que as crianças que acompanhavam suas famílias permanecessem nas marchas.
Desde a formulação destes relatórios, perceberam-se mudanças nas ações da polícia civil e brigada militar, em relação a protestos realizados por professores, pequenos agricultores, sindicalistas, trabalhadores, acusados de delitos, pessoas pobres e principalmente contra os integrantes da via campesina.
A partir destes documentos a Brigada Militar passou a adotar aquilo que o Centro de contatos de movimentos sociais da fração Die Linke no Parlamento Alemão, chama de ¨práticas rígidas em reuniões¨.
Esta menção é importante porque o que vem acontecendo nos últimos dois anos do RS, aconteceu na Alemanha (ocidental) nos anos 80 e (unificada) nos anos 90, quando a polícia alemã adotou a chamada "Estratégia preventiva da polícia" em relação aos movimentos sociais.
Esta estratégia contempla dois níveis de repressão:
Nível inicial:
1 – amplo registro de dados (com a identificação massiva de participantes de protestos, grampos telefônicos e de email, uso de GPS, busca e apreensão de documentos de manifestantes e em sedes de entidades);
2 – práticas rígidas da polícia em reuniões (uso de gás, balas de borracha, tropas de choque, prisão de manifestantes, táticas anti-motim);
Num segundo nível, dirigido contra as organizações que não foram dizimadas com as práticas anteriores, a estratégia envolveu:
– proibição de existência legal de associações;
– mudanças na legislação penal.
A execução desta estratégia, na Alemanha, ocorreu por uma unidade especial ou uma espécie de autoridade especial, chamada KAVALA, criada na polícia, na qual todas as autoridades governamentais (em um intercambio intensivo) cooperam e que recebem tarefas da polícia. A KAVALA se transformou numa autoridade superior com atuação autônoma, na qual a separação entre a polícia civil e a militar, entre as unidades federais e estaduais e entre o serviço secreto e a polícia desapareceu. Todas as exigências de separação e principio de separação de poderes que segundo a constituição alemã serviriam para evitar medidas excessivas do executivo ou da polícia, foram desrespeitadas. Estes princípios haviam sido inseridos na constituição alemã devido às experiências do fascismo, justamente para evitar a formação de um aparato policial descontrolado. A kavala assumiu a liderança, não só no planejamento, mas também nas medidas operacionais. Assim ela se tornou destinatário do reconhecimento ou não do direito de manifestação, agindo sempre conforme sua previsão própria do risco de conflitos. Quem quisesse permanecer nas áreas definidas como de risco de conflitos, interferia na concepção de segurança da polícia, tornando-se criminoso ou terrorista em potencial. A kavala não só suspendeu a separação entre polícia e jurisdição, mas também passou a descrever em seus "relatórios de situação" a verdade para juízes e juíza – com todas as conseqüências que isso acarreta para a liberdade de reunião, a proteção legal de medidas da polícia e a ações do processo penal. Outra novidade foi o fato da Kavala preparar e publicar autonomamente comunicados de imprensa ofensivas, caracterizados por mensagens incorretas e previsões de risco enganosas, dirigidas á mídia e a opinião publica. Disso resultou a criação de "zonas especiais" onde estão suspensos o direito de reunião e manifestação e na identificação de centenas de líderes e mais de 1000 pessoas em processos judiciais.
No RS, nos últimos dois anos, ocorreu a KAVALIZAÇÃO da Brigada Militar. A execução desta estratégia, ocorreu inicialmente pelo BOE – Batalhão de Operações Especiais e agora, diretamente pelo comandante geral da Brigada. Ocorre um intercâmbio intensivo, entre MPE, Brigada, MPF, PF e Poder Judiciário, que cooperam e que recebem tarefas da BM. O BOE se transformou numa autoridade superior com atuação autônoma, na qual a separação entre a polícia civil e a militar, entre as unidades federais e estaduais e entre o serviço secreto e a polícia desapareceu. Exemplo disso foi o despejo dos dois acampamentos do MST em áreas arrendadas, próximas a fazenda coqueiros na semana passada, onde promotor, juiz, procuradora federal, auditoria militar e comando militar, polícia civil estavam presentes. Todavia, o direito dos acampados de terem um advogado não foi garantido. É prática do BOE, congelar a área, impedindo os advogados dos acampados acompanhar as operações. Todas as exigências de separação de poderes que segundo a constituição brasileira serviriam para evitar medidas excessivas do executivo ou da polícia, estão sendo desrespeitadas. A constituição federal de 1988 proíbe as policias militares de atuarem na investigação de infrações penais e de movimentos sociais ou partidos políticos. O art. 144 da constituição federal estabelece que às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. A brigada militar invadiu a competência da policial civil e da polícia federal. Estes princípios haviam sido inseridos na constituição devido às experiências da ditadura militar brasileira, justamente para evitar a formação de um aparato policial descontrolado. O BOE-EMBM assumiu a liderança, não só no planejamento, mas também nas medidas operacionais. Assim ela se tornou destinatário do reconhecimento ou não do direito de manifestação, agindo sempre conforme sua previsão própria do risco de conflitos. Quem quisesse permanecer nas áreas definidas como de risco de conflitos, interferia na concepção de segurança da polícia, tornando-se criminoso ou terrorista em potencial. Isto foi visto claramente quando os manifestantes foram impedidos de chegar ao palácio Piratini, e com as marchas do MST que foram impedidas de chegar a Carazinho. A Brigada não só suspendeu a separação entre polícia e jurisdição, mas também passou a descrever em seus "relatórios de situação" a verdade para juízes e promotores – com todas as conseqüências que isso acarreta para a liberdade de reunião, a proteção legal de medidas da polícia e a ações do processo penal. A brigada também prepara e publicar autonomamente comunicados de imprensa ofensivas, caracterizados por mensagens incorretas e previsões de risco enganosas, dirigidas á mídia e a opinião publica. Disso resulta a criação de "zonas especiais" onde estão suspensos o direito de reunião e manifestação, e no RS, hoje existem quatro zonas especiais, ao redor das fazendas Southal, Palma, Nene e Guerra, criadas por decisão judicial em ACP proposta pelo MPE, onde num raio de dois quilômetros destas fazendas, está proibido o direito de reunião e manifestação do MST. No ano passado toda a comarca de Carazinho era uma zona especial por determinação da justiça. Deste processo todo está decorrendo na identificação de milhares de pessoas em manifestações, para que posteriormente respondam processos judiciais. Nos últimos anos tem ocorrido o cumprimento de mandados de busca e apreensão na sede do Movimento de Mulheres Camponesas, durante o Encontro Estadual do MST na COANOL – onde o congresso foi desbarato; e nos acampamentos do MST na Southal e em Coqueiros do Sul. Também ocorreu a decretação da prisão de dois supostos líderes, que foi revogada pelo STF. Ocorreram também apreensões ilegais de agendas e documentos dos acampados, que são utilizados nos informes secretos. Existem fortes indícios de grampos telefônicos ilegais e monitoramento de pessoas. A brigada continua infiltrando agentes nos acampamentos que são expulsos quando descobertos e aí dão declarações fantasiosas sobre o movimento. Os que não são descobertos apresentam-se nos batalhões da brigada e prestam depoimentos contra o movimento. Existem pelo menos dois casos documentados desta situação embora não se possa provar que recebem dinheiro da força militar do RS.
Mas isto não é tudo e não é pior. Como a repressão policial com uso de força não conseguiu extinguir o movimento e os acampados, o processo de kavalização foi para seu segundo estágio que é a tentativa de decretar-se a proibição legal e da dissolução do MST.
Depois de seis meses de investigações levadas a cabo por dois promotores de justiça, no dia 3/12/07 o Conselho Superior do Ministério Público do RS aprovou POR UNANIMIDADE o voto-relatório elaborado pelo procurador de justiça Gilberto Thums, nos autos do processo nº 16315-09-00/07-9, onde foram aprovadas quatro constatações e uma série de encaminhamentos contra o MST:

"A primeira constatação é inarredável. É preciso desmascarar o MST como movimento que luta pela reforma agrária. A forma como agem os integranes do MST é clara no sentido de tratar-se de uma organização criminosa, à semelhança de outras que existem no mundo, e que objetiva conquistas territoriais para a instalação de um "Estado-paralelo", com nítida inspiração leninista, e não um movimento que luta pela terá em prol de seus filiados. O MST hoje é uma organização criminosa que utiliza táticas de "guerrilha rural" para tomada de território estrategicamente escolhidos por seus líderes." – fls. 96
"...conflitos agrários que se avizinham face da complacência do poder público, notadamente dos governos de esquerda, com a questão agrária e o tratamento dispensado aos sedizentes "sem-terra". No caso, o governo federal tem-se mostrado completamente omisso para solucionar o problema, limitando-se a fornecer cestas básicas, lonas para as barracas, chachaça, treinamento em escolas para conhecer a cartilha de Lenin, etc., menos a identificação de terrfas não produtivas e que poderiam ser destinadas para a reforma agrária.
Uma pergunta que não quer calar: porque se invade uma fazenda-empresa, que é altamente produtiva? O que representaria para a economia do país destruir fazendas produtivas e entregá-las a vagabundos que jamais trabalham em terras e sequer conhecem manejo de plantações?
O quadro que se vislumbra numa invasão a uma fazenda é de causa escarnecimento a qualquer pessoa que não tem a mínima noção de produção de alimentos. O que invasores movidos a cachaça, utilizados como massa de manobra do MST vão fazer numa fazenda mecanizada que é produtiva (tem reserva natural, rio, usina de energia, imensa área de cultivo e se situa numa posição geograficamente estratégica)?
O MST é uma organização estruturada e despersonalizada juridicamente, tal qual as FARCS colombianas, pois assim não pode ser responsabilizado pelos seus atos contra bens jurídicos individuais ou coletivos. Todavia, recebe auxílios financeiros do poder público e de entidades estrangeiras, tudo de forma mascarada, utilizando-se de instituições aparentemente legais." Fls. 98-99
"Porem o que mais preocupa é a ideologia que atualmente move o MST, caracterizando-se como movimento revolucionário, com objetivo de tomada de poder, iniciando-se pelo espaço territorial." Fls. 100
"O MST não está em busca de terras para assentar "colonos", mas quer conquistar territórios pagos com o dinheiro do povo brasileiro. Estes territórios pasarão a ser controlados pelos seus líderes e servirão para instalar um estado-paralelo, porque se trata de áreas estrategicamente localizadas em espaço estratégico, servido por usinas de energia, acesso por rodovias, e controle absoluto do território." – fls. 106
"É preciso adotar medidas para neutralizar o MST no RS, desconstituindo-o como um "movimento legítimo de reivindicação". A medida é a mesa adotada para a torcida organizada Mancha Verde em São Paulo, que trazia violência aos campos de futebol. Pois bem, chegou a hora do BASTA." Fls. 107
"As ações predatórias do MST ... estão a exigir uma imediata e vigorosa ação representada por um conjunto de providencias que levem à neutralizaçao de suas atividades e declaração de ilegalidade do movimento.
...Assim, tirando-se o véu ou a carapaça de proteção do MST, tem-se um grupo de pessoas mal intencionadas, que dirigem um organismo, recrutam ou aliciam pessoas com promessas de acesso a terra... É uma afronta à Democracia.
Neutralizando o MST e declarando-se ilegal a sua existência, quebra-se o vinculo com a Via Campesina e sua legitimidade de negociação com o poder público". Fls. 108-109
Cabe ao MP agir AGORA. "Quebrar a espinha dorsal do MST." O momento é histórico no país e se constitui no maior desafio já apresentado à Instituição pós 1988: A DEFESA DA DEMOCRACIA. Não importa o desgaste eventual das medidas aos simpatizantes do movimento. O MP não é uma instituição governamental, porque se fosse, ficaria assistindo passivamente ao avanço do movimento cujo objetivo é a subversão da democracia, eis que se trata de organização paramilitar...
Essa é a primeira constatação e as necessárias providencias. Assim, voto no sentido de designar uma equipe de Promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade. Não havendo necessidade de maior investigação sobre o que já foi apurado..." fls. 110

A segunda constatação reside nos campos de treinamento de seus integrantes para formar uma legião de seguidores e aliciadores do movimento. Existem no Estado três locais onde estariam sendo ministradas lições de guerrilha rural pelos técnicos das FARCS aos membros do MST. Esta informação vem da brigada militar. Um deles chamado Centrão, em Palmeira das Missões, outro CETAP em Pontão e o terceiro em Veranópolis. – fls. 111


"A terceira constatação consiste na desativação e remoção dos acampamentos situados nas regioes de conflitos permanentes, onde o MST escolheu determinado território para ocupação". Fls. 116


"A quarta constatação consiste na necessidade de intervenção do MP nas relações entre INCRA-RS e a organização dos acamapados, com o fim de promover um recadastramento com identificação de todos os que já receberam lotes do governo e se ainda continuam na terra, bem como os que ainda pretendem permanecer acampados, aguardando o seu assentamento, identificando quem realmente tem origem rural e quem é recrutado como desempregado urbano, apenas para engrossar as fileiras do MST. Quais os assentamentos que são produtivos, o que produzem, e como funcionam esses assentamentos." – fls. 119


A quinta constatação diz respeito à intensa migração de sem-terras entre acampamentos, o que poderá provocar, em tese, desequilíbrios de eleitores locais. – fls. 119


Vários encaminhamentos destes já foram concretizados:
- várias ACP para retirar as crianças da companhia de pai e mãe que estiverem participando de marchas;
- ACP que transformou a comarca de Carazinho numa zona especial, impedindo a realização de protestos pelo MST;
- ACP que despejou dois acampamentos de duas áreas arrendadas e proibiu os proprietários de arrendar, sob pena de multa de R$10 mil diários;
- 03 ACP que criaram zonas especiais ao redor das fazendas Palma, Nene e Southal.
Os próximo passos são a dissolução do Instituto Educar de Pontão e do Iterra em Veranópolis. E o passo maior: a dissolução do MST. Estas ações já devem estar sendo elaboradas, e nos próximos dias assistiremos a sua proposição.
A decisão do Ministério Público ofende o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, especialmente o artigo 22, nº 1. Este pacto foi reconhecido pelo Governo brasileiro através do Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992.
A decisão também ofende a Constituição Federal. O artigo 5º, inciso XVII, diz que "é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar."

Paralelamente a deliberação do CSMP-RS, o MPF de Carazinho, acatando a tese do Coronel Cerutti, no dia 11 de março de 2008, denunciou oito supostos integrantes do MST por "integrarem agrupamentos que tinham por objetivo a mudança do Estado de Direito, a ordem vigente no Brasil, praticarem crimes por inconformismo político, delitos capitulados na Lei de Segurança Nacional da finada ditadura brasileira, referindo na sua denúncia que os acampamentos do MST constituem "Estado paralelo" e que os atos contra a segurança nacional estariam sendo apoiados por organizações estrangeiras como a Via Campesina, as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, além de estrangeiros que seriam responsáveis pelo treinamento militar.
Cabe destacar que a pedido da procuradora, a Polícia Federal investigou o MST durante todo o ano de 2007, e concluiu inexistirem vínculos do movimento com as FARC, presença de estrangeiros realizando treinamento de guerrilha nos acampamentos e inexistir a pratica de crimes contra a segurança nacional.
Mesmo assim, a ação, que busca o reconhecimento de que os acusados são terroristas, é condição e pré-requisito para a dissolução do movimento, foi proposta. Inclusive, nesta data, está ocorrendo o interrogatório dos acusados.

Todos estes documentos que nos referimos, estão sendo entregues neste momento aos senadores e ministro, foram repassados pela Procuradora Federal Patrícia Muxfeldt que está utilizando os mesmos como prova contra os oito acusados de praticarem crimes contra a segurança nacional, processo que tramita em sigilo na justiça federal de Carazinho. Não fosse isso jamais teríamos acesso aos mesmos, pois possuem o caráter de RESERVADO na Brigada Militar, e de CONFIDENCIAL no Ministério Público Estadual (documentos confidenciais para o MPE só são divulgados depois de 10 anos de sua elaboração). Meus clientes autorizaram e determinaram a divulgação destas informações, principalmente depois que o próprio ministério público estadual divulgou parte delas na imprensa na semana passada.
Dr. Leandro Scalabrin